Brasil

A perda do equilíbrio

Redação DM

Publicado em 16 de março de 2021 às 17:16 | Atualizado há 5 anos


Por Carlos Roberto Neri Matos

Fujo um pouco dos meus tópicos de abordagens, quais sejam, administração, administração pública, tributos, planejamento e etc, para dizer a vocês que acompanham o dia-a-dia do cotidiano brasileiro o desserviço que a grande mídia vem fazendo à população brasileira, tudo por conta de um desacerto de viés político. A informação e comunicação são direitos do cidadão, sobretudo daqueles que não têm condições financeiras de pagar por uma TV fechada. Ora a situação está tão estapafúrdia que nem as TVs pagas estão conseguindo ser imparciais.

Neste último domingo (14/03/2021) sem querer entrar no mérito se estava certo ou errada a manifestação, centenas de milhares de pessoas pró governo federal e contra os atos dos governos estaduais e municipais na condução da crise da pandemia foram as ruas, que com certeza foi uma das maiores concentrações de pessoas nas ruas dos últimos tempos.

O dever de ofício de um meio de comunicação é divulgar os fatos e as notícias não importando aí questões de tendências e/ou políticas. Se os meios de comunicação só divulgarem o que querem e aquilo de seu interesse isso é manipulação.

Noutras oportunidades as grandes mídias abriam links ao vivo de todo o país, neste domingo reinou silêncio quase sepulcral. Quando se via alguma nota, o destaque era sempre contrário à manifestação, tipo: “manifestação atrapalha vacinação em Maceió”; “grupinho de bolsoranistas aglomeram em Brasília”; “atos de bolsonaristas contra governadores tem carreatas e pessoas sem máscaras”. Sinceramente nenhuma das mídias cobriu e fez a devida divulgação e apurou os reais motivos para a realização da mesma e de ter tamanha adesão.

Não sou político e nem estou aqui defendendo bandeiras apenas os direitos da população de ter informações fidedignas. Ora se o mandatário maior do País, não usa máscaras e adota atitudes diferentes daquelas de precaução contra a COVID, de quem é o problema? É dele. Eu continuo fazendo tudo aquilo que considero e entendo necessário para prevenir esta terrível ameaça, portanto, minhas atitudes e as suas também não deveriam depender da dele. É como se ele fosse um ser supremo para umas coisas e um monstro em relação a outras, isso não existe. No estado que estão as coisas não é culpa de uma pessoa, no qual muitos querem personificar na figura do Presidente da República, o status quo atual deve-se a uma grande quantidade sucessiva de erros, inclusive nossos da população.

Se houve roubos, desvios de recursos e mal planejamento na condução das políticas de combate à pandemia, que ficou em sua grande maioria ao talante dos Estados e Municípios, por força de entendimento judicial, que se punam os responsáveis por estes tantos desvios. A população foi às ruas porque se sente desprotegida, abandonada por aqueles que deveriam defendê-la e protegê-la.

Por conta dos lockdowns que vem sendo adotados por muitos governos estaduais e prefeituras e devido às medidas extremas que estão sendo tomadas, pois tem alguns decretando o toque de recolher, medida restritiva e de cunho excepcionalíssimo que somente pode ser adotado, conforme nossa Constituição Federal, artigo 84, inciso IX, que diz que é privativo do Presidente da República decretar o estado de defesa e o estado de sítio, que ainda sim deve ouvir o Conselho de Defesa Nacional e Conselho da República, artigos 136 e 137, e submeter os mesmos ao Congresso Nacional, só após tal medida, eventualmente o toque de recolher poderia ser adotado.

A população está enxergando isso como uma espécie de ditadura disfarçada de política de combate à Pandemia da COVID. Alguém pode criticá-la por achar isso? Claro que não.  Uma hora ela iria cansar e cobrar isso nas ruas, coisa que fizeram neste último domingo. Só espero que os políticos entendam os recados das ruas e que só estes alertas sejam suficientes e não sejam intentadas ações violentas e tumultos generalizados nas ruas. Sempre a solução pacífica dos conflitos é o melhor caminho.

Os ânimos andam tão acirrados entre as pessoas, que cada uma procura defender cegamente às suas convicções, muitas das vezes passando por cima da racionalidade e da lógica, pura e simplesmente porque ou são pró governo ou são oposição. Muitas das vezes vemos brigas e separações de amizades de anos, famílias se dividindo por conta destas coisas. Temos de nos unir para superar esta crise, portanto, já passou da ora de pararmos de ficar fazendo birrinha, biquinho, batendo o pé, xingando etc. Que tolice acordem para a realidade. Não fiquem se indispondo entre si e até entre amigos.

Carlos Roberto Neri Matos – Consultor de Empresas, Diretor Administrativo da Câmara de Comércio Brasil e Portugal para o Centro Oeste, Especialista em Adm. Pública, Direito Adm., Direito tributário e Aduaneiro e Ex-servidor da Receita Federal do Brasil


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