Brasil

A prática política enoja as pessoas de bem

Redação DM

Publicado em 26 de julho de 2016 às 22:07 | Atualizado há 10 anos

Há poucos dias atras, conversando com uma das pessoas mais politizadas e bem informadas da qual privo de um relacionamento de decádas, doutor Hecival Alves de Castro, ele, um socialista convicto me cobrou quanto a uma  mea culpa que fiz “patrazmente” quanto a uma militancia na esquerda, aqui mesmo nesse espaço tão útil e tão lido pela sociedade goiana.

Com educadas palavras, o que lhe é próprio, ele que tem uma vivencia politica profunda, tendo conhecido pessoalmente tanta a então União Soviética quanto a antes e hoje Russia,  tentou me mostrar que eu havia sido precipitado na minha declaração de renegar a um passado de lutas, não iguais à dele que na época da ditadura não abandonou as suas convicções, mas também com muitas histórias em que eu achava que predominava a vontade de mudanças coletivas, e os companheiros daquela jornada o faziam, como a exemplo meu, por idealismo. Ledo engano.

Faz sentido as suas colocações, pois se continuo com o mesmo pensamento e ansiando por transformações com mais justiça social, mais governo e menos roubalheiras e sem sem-vergonhice, creio que não abdiquei dos meus antigos sonhos, mas apenas me desiludi com a prática politica que, se outrora era feito com um falso verniz de desprendimento, de patriotismo, de vontade de melhorias coletivas, portanto o meu desencanto é com a nojenta prática politica não com o a ideologia.

Hoje as coisas  se escancaram, tanto que um antigo companheiro daqueles tempos, catapultado para posições patrimoniais, sociais, assim o conseguiu por que fez da politica um meio de vida, certa feita, precisando falar com ele por telefone, após inúmeras negativas que estivesse no seu serviço, público, liguei usando o nome de um adversário, fui prontamente atendido, provando que na politica não se faz amigos, mas, para quase todos,  ela nada mais é, do que um mero ajuntamento de interesses pessoais que se reúnem em torno de um único objetivo: fazer do Erário a sua fonte de renda, quiçá até mesmo de um enriquecimento ílicito.

De outra feita também já em tempos idos, participando de um numeroso grupo politico onde a tônica seria “visando o melhor para a nossa cidade”, embora fossem mais de meia centena de bons candidatos a vereadores capitaneados por quatro pretensos candidatos a prefeitos, vi aquele grupo ficar a mendigar uma possível vaga de candidato a vice prefeito para um dos quatro, numa chapa em que o possível candidato, bem situado em todas as pesquisas de projeções de votos, já havia sido prefeito por duas vezes, portanto os pseudos lideres estavam a buscar uma expectativa de poder a qualquer custo, não se importando que entre os seus liderados houvessem rejeição à ideia e alguns deles  fazendo politica por idealismo(pobres coitados),  Uma vergonha!.

São esses tipos de situações que fazem com que os sonhadores como eu, ao se decepcionarem de vez com esse tipo de coisa, embora jamais renunciem à cidadania e ao livre exercicio do voto, tomem asco, repugnancia e, sobretudo, distancia desse mesquinho e sujo jogo a que muitos se submetem pela insana busca ao poder, pois a maioria da população também já está a pensar assim: a prática politica enoja às pessoas de bem!

 

(José Domingos, jornalista, advogado, auditor fiscal aposentado, professor universitário, escritor e poeta. E-mail [email protected])


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