Brasil

A reaproximação entre Cuba e EUA

Redação DM

Publicado em 19 de janeiro de 2016 às 22:34 | Atualizado há 11 anos

Antes da Revolução Cubana de 1956, o atual Instituto Superior de Arte (ISA), em Havana, abrigava o Country Clube de Cuba, destinado à alta sociedade branca, onde nem mesmo o ditador à época, Fulgêncio Batista, podia entrar simplesmente por ser negro.

Admirado pela beleza do lugar, Fidel Castro resolveu estabelecer ali uma escola de arte, em uma típica prática de política de campaña do seu governo, isto é, dar maior atenção a uma ou mais áreas em detrimento de outras. Neste caso, à educação e, consequentemente, à cultura.

De acordo com a chefe do Departamento de Estudios Linguísticos da ISA, a campaña atual é a reaproximação com os Estados Unidos, vista com bons olhos pela grande maioria da população cubana. O embargo econômico ainda existe, mas embaixadas já foram reabertas e algumas mudanças, por menores que sejam, já podem ser notadas.

Uma das grandes polêmicas do desgelo das relações envolve o pagamento de cerca de 2 bilhões de dólares por propriedades expropriadas durante os anos 60 a aproximadamente 6 mil pessoas e/ou empresas nos EUA. Por outro lado, o governo cubano reivindica 121 bilhões de dólares por prejuízos causados pelo embargo.

Entretanto, um acordo ambiental, a fim de proteger peixes e corais que ambos países compartilham, já foi assinado, bem como o restabelecimento de um serviço postal direto. E a Universal Pictures, produtora de Velozes & Furiosos, afirmou querer filmar em Cuba em 2017.

O turismo, que ainda tem um enorme potencial a ser explorado, sempre foi forte. Agora, ainda mais. Em 2015, o número de turistas estadunidenses aumentou 60%. Além disso, Cuba passou a figurar no roteiro de cruzeiros pelo Caribe.

Com escassez de produtos, a ilha é uma mina de dinheiro. Muita gente, tanto cubanos quanto estrangeiros, vai ficar milionária com o fim do embargo, que foi condenado pela 24ª vez pela Assembleia Geral das Nações Unidas em outubro com 191 votos a favor e dois contra (Estados Unidos e Israel).

O fim do embargo não deve acontecer tão cedo, haja vista que o congresso americano é de maioria republicana, opositores a conversações. Portanto, se algum republicano vencer as eleições presidenciais em novembro deste ano, mesmo que seja Ted Cruz ou Marco Rubio – que possuem raízes cubanas –, as negociações serão ainda mais dificultadas.

 

(Marcelo Mariano, acadêmico de Relações Internacionais da PUC Goiás – marianomarcelo.net)

 


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia