Brasil

ADAPTE-SE OU MORRA – 2026

DM Redação

Publicado em 8 de agosto de 2026 às 12:08 | Atualizado há 1 hora

By Moacir de Melo
Muito antes da existência dos parlamentos, das constituições e dos códigos jurídicos, uma lei já governava o mundo: a capacidade de adaptação. Adão vivia no paraíso e após se envolver com Eva, teve que se adaptar. Esta lei foi revelada pela própria natureza e confirmada pela história. Charles Darwin tornou esse princípio conhecido ao explicar a evolução das espécies. Sua teoria da seleção natural mostrou que a sobrevivência depende da adaptação às mudanças do ambiente. Embora a famosa frase “adapte-se ou morra” não tenha sido escrita por Darwin, ela resume, com fidelidade, o espírito de sua descoberta.
Mas Darwin não estava sozinho nessa percepção. Quase vinte e quatro séculos antes, Heráclito de Éfeso já ensinava que tudo flui e que ninguém entra duas vezes no mesmo rio. O mundo muda continuamente e resistir ao movimento da história é ilusão. Séculos depois, o economista Joseph Schumpeter descreveu esse mesmo fenômeno no capitalismo, ao cunhar a expressão “destruição criativa”: novas tecnologias e novos modelos de negócio substituem os antigos, impulsionando o progresso econômico.
Verdade, a história oferece inúmeros exemplos. A Revolução Industrial transformou economias agrícolas em potências manufatureiras. Empresas gigantes desapareceram por ignorarem a inovação, enquanto outras, menores, prosperaram justamente porque compreenderam que permanecer iguais significava caminhar para a irrelevância. O Brasil encontra-se diante de um desses momentos decisivos. A transição energética, a digitalização da economia, a inteligência artificial e a reorganização das cadeias globais de produção exigem respostas rápidas e consistentes.
A indústria automobilística, construída ao longo de mais de oito décadas é um exemplo clássico: enfrenta concorrentes altamente competitivos e profundas mudanças tecnológicas. Adaptar-se tornou-se indispensável. Porém, adaptação não significa aceitar passivamente qualquer circunstância. Países que hoje lideram a economia mundial (EUA, Korea, União Europeia) investem pesadamente em educação, pesquisa, infraestrutura, inovação e políticas industriais e estabelecem regras de concorrência e estratégias para fortalecer setores considerados essenciais. Por aqui estamos às avessas de tudo.
Afinal, adaptar-se é competir melhor, não competir em desvantagem permanente, resultando a questão: como adaptar-se num ambiente desfavorável, como nosso país, com elevada carga tributária, burocracia sufocante para as empresas e instabilidade jurídica e com abertura total para empresas estrangeiras? Impossível! Todos sabem que o Brasil não pode escolher entre mudar ou permanecer como está. Nossa desindustrialização acelerada demais em todos os setores da economia exige ação imediata de nossos líderes políticos.
Porém, é preciso adaptar. Porém com projeto, conhecimento e confiança em suas próprias capacidades, até porque a natureza jamais premiou a imobilidade. A história também não. Entre o medo da mudança e a coragem de evoluir, as grandes nações sempre escolheram o segundo caminho. Talvez essa seja a mais antiga das leis e, certamente, uma das mais atuais para o Brasil do século XXI. A questão, então, poderá ser: Quando nossos governantes acordarão ou, verdadeiramente, vão perder o bonde a história e acabar com nossa industrialização conquistada ao longo de décadas de sofrimento? A reforma tributária em implantação será mais um fator de desindustrializar o interior do Brasil.
Vamos ficar omissos ou em cima do muro? Não posso acreditar!…


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