Aos orgulhosos como eu
Redação DM
Publicado em 31 de maio de 2016 às 03:05 | Atualizado há 10 anos
A criatura orgulhosa sofre no mundo os martírios de todos os lances que lhe venham abater a presunção e o amor próprio, razão pela qual a cólera muitas vezes lhe domina o coração e comanda os impulsos.
Enquanto o orgulhoso não pedir a Deus força, através da vontade e do esforço, para se reclinar diante das desabridas provações que vêm apenas para lhe abater o orgulho, não encontrará o sossego e a felicidade com que tanto sonha.
Quantos sofrimentos não padece o orgulhoso no silêncio da sua revolta e nas aflições do seu egoísmo, da sua vaidade apenas porque não deseja se dobrar à vontade de um poder maior que, para o seu próprio bem, deseja reclinar a sua fronte, abrandar os seus ímpetos e amansar o seu coração.
Criaturas há que, por simples caprichos do egoísmo, da vaidade ou do orgulho, são a causa primária de dramas e tragédias sem conta, bem como de sofrimentos inenarráveis da família inteira que lhes estão subjugadas na condição de filhos e esposas, esposos ou filhas.
Quando a Justiça Maior, com os seus processos inesperados, vem para abater a superioridade falsa dos orgulhosos, ei-los então a retorcer-se de aflição e angústia no interior de sua alma rebelde e de seu coração autoritário e violento.
Esses tais, cujos corações são arsenais do orgulho, onde as armas do mal se movimentam nos momentos de cólera transformando-se em verbo agressivo, atitude irreverente, medida violenta, atitude drástica – esses tais se pudessem ter a coragem do forte, então pediriam a Deus, no silêncio e na solidão de seus quartos, a força imprescindível para que pudessem suportar o transe difícil que lhes veio apenas para lhes dobrar a fronte, para lhes reclinar a autoridade e para lhes abrandar o coração.
Se os orgulhosos tivessem essa força, então poderiam conquistar de Deus o concurso necessário para suportarem sem tanta dor e sem tanto sofrimento, todos esses instantes de humilhação e padecimento que vêm aos seus encontros tão somente para lhes tornar mansos e humildes, pequenos e fraternos.
Tu, alma orgulhosa, idêntica à minha, aceita o conselho que lhe venho oferecer: rogue ao Pai de Amor a força, e Ele te atenderá, porquanto avisou-nos o seu Medianeiro Sublime:
“Faze da tua parte, que Eu farei da minha…”
“Pede, e obterás.”
“Tudo o que pedires com fé, crê, que receberás.”
“Bem-aventurados os humildes”…
(Iron Junqueira, escritor)