Aparecida de Goiânia: mulher de secretário pode estar envolvida em superfaturamento
Redação DM
Publicado em 10 de novembro de 2020 às 17:52 | Atualizado há 6 anos
A suspeita de um grande esquema de superfaturamento que envolve a Prefeitura de Aparecida de Goiânia e a empresa Inac Medicina Laboratorial está na mira da Polícia Civil de Goiás: conforme operação deflagrada nesta terça-feira, 10, a empresa já teria recebido R$ 1,5 milhão do poder público em pagamentos que podem ser considerados ilegais caso a Justiça condene os suspeitos.
Segundo a investigação policial, o
laboratório teria como sócia oculta a esposa do secretário da Fazenda de
Aparecida de Goiânia, André Rosa.
O delegado Alexandre Otaviano, que
comanda a Operação Falso Positivo, informa que os desvios de dinheiro ocorrem
por meio do clássico crime de superfaturamento.
A Prefeitura de Aparecida já sabia
das investigações em curso, que começaram ainda em outubro, e garante colaborar
com a investigação. “Toda contratação de serviços para o Hospital Municipal de
Aparecida é realizado pelo Instituto Brasileiro de Gestão Hospital (IBGH), que
foi contratado por chamamento público”, diz a Secretaria Municipal de Saúde de
Aparecida de Goiânia.
De acordo com os policiais que realizam a operação, o laboratório receberia da Prefeitura de Aparecida R$ 200 por exames que custam, no máximo, R$ 20.
O crime lesa a sociedade, já que fere o princípio da economicidade e provoca um rombo nas contas da saúde municipal, além de enriquecer supostamente gestores com dinheiro público destinado à saúde em plena pandemia de covid-19.
O esquema ainda em investigação
envolveria vários agentes: o laboratório Inac Medicina Laboratorial teria sido
contratado pelo Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH) para realizar
os exames.
A Polícia Civil diz que o
superfaturamento seria flagrante. O melhor exemplo: um exame de zika vírus
custava R$ 200 no laboratório suspeito.
Já no Sistema Único de Saúde seu valor é de R$ 20.
Esposa
O delegado diz que foi realizado um
esquema para ocultar o nome da esposa do secretário. A Polícia Civil encontrou
a suspeita dentro do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP), onde
funcionaria o Inac.
Segundo relato da Polícia Civil, ela
estava em plena gestão das atividades do laboratório. Suspeita de crimes de
peculato e associação criminosa, ela pode ser presa com até 20 anos de
detenção.
De acordo com o IBGH, não existe nenhuma ilegalidade: “Informamos
que o IBGH se encontra com uma nova equipe de gestão, desde fevereiro de 2020,
e que nunca compactuou com superfaturamentos ou qualquer ilegalidade, e que
todos contratos firmados com essa organização social, até o presente momento,
se encontram no portal da transparência”