Brasil

As vantagens da reforma

Redação DM

Publicado em 22 de dezembro de 2016 às 01:43 | Atualizado há 10 anos

Numa prova de que dispõe de musculatura no Congresso Nacional, o presidente Michel Temer aprovou a polêmica reforma do ensino médio, com algumas inovações essenciais. O projeto passou pela Câmara dos Deputados e agora subirá à consideração do Senado da  República, se  a PGR não atrapalhar.

Quais foram as principais conquistas, nem todas bem recebidas pela maior parte do estudantado  brasileiro? Uma delas foi a obtenção de maior autonomia na escolha dos conteúdos.  Isso pode esbarrar na falta de professores especializados e aí vale a sugestão do reitor Celso Niskier (UniCarioca): liberar as universidades para ceder os mestres categorizados, mesmo que aparentemente não tenham a titulação devida.  Um engenheiro, por exemplo, pode perfeitamente lecionar Matemática no ensino médio, desde que tenha passado por um breve treinamento.  É o caso de notório saber. Os Conselhos Estaduais de Educação podem ser muito bem mobilizados para esse necessário e inteligente reforço.

Como concluiu a Academia Brasileira de Educação, em trabalho oferecido pelo professor Carlos Alberto Serpa ao Ministério da Educação, há muito o que fazer em matéria de entrosamento, como o aproveitamento da capacidade ociosa dos  laboratórios das Universidades no período da tarde.  Poderia ser oferecido esse espaço às escolas médias, otimizando o investimento  feito no setor, hoje com capacidade ociosa em parte do dia.  Não temos disponibilidade para o desperdício.

Pelo texto aprovado na Câmara dos Deputados, 60% do currículo devem  ser comuns a todos, enquanto 40% vão depender da preferência individual em áreas específicas do conhecimento. O assunto foi bem estudado pela Comissão do Senado, presidida pelo Senador Pedro Chaves, que é  um conhecido educador brasileiro e que ouviu diversas entidades, como os especialistas da Fundação Cesgranrio. É preciso  que se faça esse entrosamento de modo inteligente, para  aproximar bem  mais  os adolescentes das escolas.

No caso, considerar adequadamente os eixos em que se vai lastrear a base curricular do ensino médio , valorizando as Linguagens, a Matemática, as Ciências Humanas, as Ciências da Natureza e a indispensável Formação Técnica Profissional.  Temos por aí  um caminho inevitável para dar vida nova à nossa educação, ligando melhor os  estamentos  já existentes.

Não abandonamos matérias como Filosofia, Sociologia, Educação Artística e Educação  Física, agora combinadas com outras áreas, e assim o currículo do futuro ganhará maior e melhor dimensão. Vamos esperar como o Senado da  República irá se manifestar, evitando o formato engessado e enciclopédico que vinha marcando o ensino médio brasileiro. A hora é de mudança.

 

(Arnaldo Niskier, da Academia Brasileira de Letras, doutor em Educação e presidente do Ciee/RJ)

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