Brasil 2016
Redação DM
Publicado em 2 de janeiro de 2016 às 22:48 | Atualizado há 10 anosOs torcedores mais fiéis de uma equipe de futebol, principalmente nos momentos mais difíceis de uma competição, lotam os estádios e soltam o conhecido grito: “Eu…Acreditoooo….”, entretanto, não podem entrar no campo de jogo e ajudar na defesa, para não sofrer o gol, nem empurrar a bola para a meta adversária assinalando um tento a favor de sua equipe. Por analogia, a sociedade que compõe a nação, especialmente em um país de regime democrático, no qual, o povo detém o poder soberano sobre os poderes legislativos e executivos, devendo participar direta ou indiretamente através dos seus representantes eleitos, colaborando para os melhores resultados e não apenas ficar na torcida. Pena que alguns governantes teimam nas ações típicas “bolas quadradas” e não querem permitir o desenvolvimento do sistema democrático, que visa proteger os direitos humanos fundamentais como a liberdade de expressão; direito a proteção legal igual; oportunidade de organizar e participar plenamente na vida política, econômica e cultuar da sociedade e outros. Na sociedade democrática, o cidadão tem o direito e dever de participar no sistema político, e este deve proteger seus direitos e liberdades. A democracia prevê o empenho nos valores da tolerância, da cooperação e do compromisso social em todos os níveis, aceita o contraditório e o debate, reconhece que para chegar a um consenso é necessário que haja compromissos de governantes e governados.
O povo não é bobo, sabemos que nossa história é cheia de discursos e chavões anticorrupção do Brasil Império e da República, porém, aos poucos estamos amadurecendo e nos tornando mais conscientes. Poucos viram a campanha de um presidente que foi eleito com o discurso “varre, varre vassourinha”, mas muitos viram a campanha da “caça aos marajás”, que elegeu um presidente e vimos no que deu. Agora, vivemos um período onde, “nunca antes neste país” foram reveladas tantas corrupções. Apesar do cinismo e cara-de-pau de muitos que, mesmo diante das evidências negam suas participações em esquemas fraudulentos, desvios de verbas públicas e outras falcatruas, as máscaras estão caindo há algum tempo, principalmente neste ano de dois mil e quinze e certamente muitas cairão no próximo também, talvez este seja um bom motivo para comemorarmos o ano que se encerra e poderá ser motivo para acreditar que dias melhores virão e celebraremos com mais alegria o ano vindouro. Acredito porque vejo a proximidade da era da consciência política chegando ao auge da politização e do amadurecimento democrático que atravessa o país, o discurso anticorrupção ganha força na mídia hegemônica e em cartazes nas manifestações que têm ocupado as ruas em diversas cidades brasileiras. Neste caso, não pode ser apenas o discurso vazio, não é apenas o grito do torcedor, a sociedade consciente não aceita o “cale-se” e não quer mais a bebida amarga do cálice que lhe é oferecido. É preciso banir a corrupção, não se admite mais a ideia de que o Estado é ninho e lugar por excelência da corrupção, hoje a transparência, ainda que não seja plena, é uma marca do setor público, dele é exigido comportamento ético e lisura respeitando os interesses públicos e privados, individuais e coletivos.
No ano novo continuaremos enfrentando moluscos e combatendo mosquitos e corruptos. Respeitando os diferentes pontos de vista, entendo que o combate à corrupção envolve práticas institucionais, culturais, coletivas e individuais muito complexas. Ele está associado a uma noção forte de cidadania e com a reversão na hierarquia de valores que implica no triunfo do republicanismo do interesse público sobre o individualismo do interesse privado. A ação contra a corrupção não deve ser restringida a uma questão criminal e moral, caso queira sair do campo discursivo vazio. Plagiando a prática utilizada nas casas políticas: “Os que estiverem de acordo permaneçam como estão, os contrários se manifestem”. Dias melhores virão com fé em Deus, vamos trabalhar, estudar, acreditar e atuar no desenvolvimento de uma sociedade mais justa. Desejo um ano novo cheio de bênçãos para todos nós.
(Natal Alves França Pereira, servidor público, graduado em Ciências Contábeis, filiado à Associação Goiana de Imprensa)