Buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão ganham apoio de ferramentas da Interpol
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 10:25 | Atualizado há 42 minutos
Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, estão desaparecidos desde janeiro de 2026 | Foto: Reprodução
As buscas por Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, ganharam o apoio de ferramentas de cooperação internacional da Interpol. O Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal entrou em contato com a advogada Nathaly Moraes, que representa a mãe das crianças, Clarice Cardoso.
A Polícia Federal colocou os recursos à disposição para auxiliar na localização dos irmãos, inclusive caso eles estejam em outro país. As ferramentas também podem ser usadas em um eventual processo de repatriação.
Segundo Nathaly, a família recebeu o contato nesta quarta-feira (9) e passou a contar com um suporte que, até então, não havia sido disponibilizado durante as buscas. Ela afirmou que o Núcleo de Cooperação Internacional ofereceu as ferramentas da Interpol para ajudar na procura pelas crianças.
A advogada explicou ainda que os mecanismos podem ser utilizados em 197 países. Além de ajudar a localizar Ágatha e Allan, os recursos podem facilitar o retorno deles ao Brasil caso sejam encontrados no exterior. Para Nathaly, a possibilidade trouxe novo ânimo à família.
Advogada já havia pedido atuação da Polícia Federal
Nathaly contou que já havia procurado a Polícia Federal para pedir que a investigação fosse transferida da Polícia Civil. A solicitação foi feita porque ela considerava a possibilidade de o desaparecimento estar relacionado a tráfico humano.
Segundo a advogada, a Polícia Federal inicialmente orientou que o pedido fosse arquivado, pois não havia indícios suficientes de tráfico humano. Naquele momento, o órgão também considerou que a investigação não seria de sua competência.
Agora, com o contato do Núcleo de Cooperação Internacional, Nathaly afirma que a situação mudou. Ela disse que a Interpol passou a oferecer ferramentas para auxiliar diretamente nas buscas, algo que, de acordo com ela, a família não tinha recebido anteriormente.
A atuação internacional, porém, não significa que Ágatha e Allan tenham sido encontrados. Também não há confirmação de que os irmãos estejam entre as 163 crianças resgatadas em uma operação realizada nos Estados Unidos.
Caso também é acompanhado nos Estados Unidos
A possibilidade de as crianças estarem entre os menores localizados nos Estados Unidos também está sendo acompanhada pelo Consulado Brasileiro. Conforme a advogada, um representante da instituição acompanha presencialmente a situação junto às autoridades americanas.
Nathaly afirmou que o consulado orientou a família a aguardar enquanto é feito o levantamento para identificar algumas das crianças encontradas, já que parte delas ainda não teve a identidade confirmada.
Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão, a 250 quilômetros de São Luís. Desde então, não há informações sobre o paradeiro dos irmãos.
O desaparecimento completou oito meses na última sexta-feira (4). Mesmo sem respostas, Clarice mantém a esperança de reencontrar os filhos e afirma que não pretende desistir das buscas.
Durante esses oito meses, o caso mobilizou forças de segurança, voluntários e representantes do Congresso Nacional. Até o momento, nenhuma pista concreta sobre o paradeiro das crianças foi divulgada.
Confira o vídeo da advogada: