Cassio da Cunha Lima
Redação DM
Publicado em 24 de maio de 2016 às 02:52 | Atualizado há 10 anos
Senador da República pelo PSDB da Paraíba, brilhante orador e homem sensato, que discursou na Tribuna do Senadona noite da votação do impeachment da presidenta Dilma, cujo discurso aconteceu exatamente às 22h20 (horário de Brasília), que foi anotado para eventual consulta futura.
Voltem a fita e ouçam a fala discursiva e quase poética do ilustre parlamentar, que teve como núcleo a proposição da coerência, da ponderação, da harmonia, do consenso e principalmente do patriotismo. Um discurso digno de um grande líder que sabe conduzir o rumo de uma moção, seja em circunstância favorável ou adversa, propondo paz, compreensão e discernimento arrazoado, notadamente num momento em que a emoção possa ameaçarsobressair-seà razão.
E discorreu também, em sua fala, com elevado grau de acerto e abalizados referenciais, sobre os desgovernos e os prováveis crimes cometidos pela então presidenta julgada, sem ser descortês ou verdugo, limitando-se às considerações factuais e óbvias do que já fora constatado, e das premissas maiores elencadas pelos juristas propositores do processo, alicerçadas nas letras das leis vigentes e constitucionais.
A escolha do senador Cunha Lima para ser o líder do governo no Senado, foi uma decisão acertadíssima, porquanto, podemos dizer que ele é “bispo” no tabuleiro do Congresso Nacional e, “torre” na defensoria e salvaguarda da democracia, engrandecendo sobremaneira as demandas parlamentares e todas as decisões ali tomadas.
Entretanto, assustasupor que pudesseter acontecido no Senado o que vimos acontecer na Câmara, onde o escolhido para ser o líder do governo, além de anônimo e sem nenhum brilho, é um colecionador de processos de diversas naturezas, como sedisputasse um concurso de mau-caratismo.
Isso faz parecer que a escolha não se pautou por critérios seletivos, mas sim, por um compadrio oblíquo e esguelho, cuja sombra ronda e assombra o recinto legislativo.
Mas ainda há tempo do presidente Temer consultar as mais expressivas vozes da Câmara e, propor a indicaçãode alguém com lustro e integridade, que lá, no âmbito congressual, há senhoras e senhores parlamentares de grande respeitabilidade e primorosa formação acadêmica, que podem ser ombreados àverve dosenador Cunha Lima,dignos de virem a representar o governo naquela casa legislativa, com a competência, grandeza e lisura que a função exige, até porque, neste momento de incertezas e conturbação nacional, faz mister o pronunciamento da sabedoria construtiva e apaziguadora, daqueles que sabem dizer o que a nação precisa ouvir.
(Durval Campos, escritor (poeta e prosador) residente em Goianira-GO. [email protected])