CNH a preço de banana: aulas online reduzem custo e atraem novos alunos
Gabriel Maia - Estágio DM
Publicado em 31 de dezembro de 2025 às 12:04 | Atualizado há 5 meses
Pacotes para tirar a CNH caem até 85% com aulas teóricas online e redução das práticas |Foto: Reprodução
A retirada da obrigatoriedade de frequentar aulas teóricas em autoescolas provocou uma queda nos custos para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Atualmente, pacotes variam entre R$ 240 e R$ 1,1 mil, bem abaixo dos R$ 1,6 mil cobrados antes da mudança, impulsionados pelo acesso gratuito ao conteúdo teórico online disponibilizado pelo governo.
O novo modelo, adotado por 16 estados, permite que o candidato realize apenas duas aulas práticas, que podem ser feitas em autoescolas ou com instrutores autônomos credenciados, e possibilita o uso do próprio veículo do aluno no exame prático. Com isso, as autoescolas precisaram rever estratégias e investir em serviços diferenciados, como planos personalizados, acompanhamento completo do processo e aluguel de carros para o exame.
Algumas empresas do setor enfrentaram queda no número de alunos desde o início da mudança, e algumas chegaram a encerrar atividades. No entanto, outras esperam atrair novos candidatos oferecendo pacotes mais completos, atendimento individualizado e suporte durante todo o processo de emissão da CNH, do cadastro no Detran até a entrega do documento.
Apesar da implementação em diversos estados, a mudança ainda enfrenta disputas judiciais. O Detran de Mato Grosso (Detran-MT), por exemplo, tentou suspender a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que regula o novo formato, mas a decisão inicial favorável à suspensão foi revertida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A Federação Nacional das Autoescolas e Centros de Formação de Condutores (Feneauto) e algumas empresas estudam novas ações judiciais, questionando o papel dos instrutores autônomos e o curso teórico gratuito.
Enquanto alguns estados já colhem os benefícios da simplificação do processo, outros ainda realizam ajustes técnicos ou analisam medidas legais para contestar a norma. As provas teóricas e práticas permanecem obrigatórias, garantindo que os candidatos continuem avaliados conforme as regras de habilitação vigentes.