Crise na exportação de leite
Redação DM
Publicado em 6 de junho de 2022 às 12:28 | Atualizado há 4 anos
O excesso de burocracia está dificultando o processo de exportações de leite, entre outros produtos alimentícios brasileiros, para a República Dominicana. A denúncia em forma de lamento foi feita pelo ministro conselheiro da Embaixada da República Dominicana no Brasil, Marino Castillo Lacay, durante a visita de embaixadores à Estância Tamburil, em Bela Vista de Goiás. Os representantes de Barbados, Cuba, República Dominicana, Índia, Haiti, Trinidad Tobago, Panamá e Nicarágua foram conhecer o maior banco genético das raças gir e girolando na Estância Tamburil, em Bela Vista de Goiás.
Em entrevista ao Diário da Manhã, Lacay disse que “há mais de ano desenvolvo esforços, uma verdadeira batalha, para importar leite para o meu país”. Os presentes concordam com a manifestação do ministro conselheiro sobre a burocracia brasileira. O proprietário da estância, Amarildo Pires, um dos responsáveis pela verdadeira revolução no processo da transferência de embriões e no consequente ganho de tempo na reprodução animal, mostra-se de acordo com as dificuldades de natureza burocrática. “É o lado negativo na vida de cada brasileiro, infelizmente”, lamentou.
Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), informou ao DM que “o Brasil precisa agilizar essas respostas de questionários e encaminhamento de documentação a países estrangeiros que querem abrir o mercado para nosso país. Precisamos melhorar os sistemas de informática do Mapa e também de evolução legislativa e contratação de pessoas que possam acompanhar a necessidade de crescimento do agronegócio nos próximos anos”, conclui observando que a ABPA está trabalhando no caso da República Dominicana e o Secretário prometeu agilizar essa tramitação.
Em pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 83% dos empresários disseram ter problemas para exportar e 79% afirmaram que não conseguem melhorar as vendas devido a entraves burocráticos tributários, alfandegários e de movimentação de cargas. Além dos custos elevados e da demora na liberação da mercadoria para o exterior, são exigidos até 26 tipos de documentos no processo exportador por mar e 15 por via terrestre. O saldo da balança comercial no ano passado foi o menor em 13 anos.