Desmatamento cai na Amazônia e no Cerrado em abril, aponta Inpe
Léo Carvalho
Publicado em 8 de maio de 2026 às 14:18 | Atualizado há 2 meses
Alertas de desmatamento tiveram queda em abril na Amazônia e no Cerrado, segundo dados do Inpe | Foto: Reuters
O mês de abril registrou queda nos alertas de desmatamento nos dois maiores biomas do Brasil: a Amazônia e o Cerrado. Os dados são do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e foram divulgados nesta sexta-feira (8).
Na Amazônia, a área desmatada em abril foi de 228 km², redução de 15% em comparação aos 270 km² registrados no mesmo mês de 2025. Já no Cerrado, a queda foi mais acentuada: de 691 km² para 418 km², uma diminuição de cerca de 39%.
O Deter é utilizado para emitir alertas e orientar ações de fiscalização ambiental. Os números oficiais de desmatamento, no entanto, são divulgados anualmente pelo sistema Prodes, também do Inpe, considerado mais preciso.

Apesar da redução das áreas destruídas, a seca histórica e outros fatores têm colocado a floresta em risco | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Segundo especialistas, o primeiro semestre costuma apresentar índices menores de desmate devido ao período chuvoso, que dificulta a derrubada da vegetação e pode comprometer a captação de imagens por satélite por causa da maior cobertura de nuvens.
No acumulado entre janeiro e abril, a Amazônia perdeu 627 km² de vegetação nativa, queda de 6% em relação ao mesmo período do ano passado. No Cerrado, a área desmatada chegou a 1.884 km², recuo de 4% na comparação anual.
Os números mantêm a trajetória de redução observada desde o retorno de Marina Silva ao Ministério do Meio Ambiente, em 2023. O acumulado dos quatro primeiros meses de 2026 foi o segundo menor da série histórica para a Amazônia e o quarto mais baixo para o Cerrado.
Entre os estados que mais desmataram na Amazônia neste ano estão Mato Grosso, com 255 km², Pará, com 144 km², e Roraima, com 117 km². No Cerrado, os maiores índices foram registrados em Tocantins, com 568 km², Maranhão, com 370 km², e Bahia, com 225 km².
Apesar da redução nos alertas, os meses mais críticos ainda devem ocorrer entre maio e setembro, período de estiagem que concentra a maior parte da derrubada da vegetação.
Além disso, há previsão de um El Niño de intensidade moderada a forte ainda no primeiro semestre. O fenôeno climático costuma intensificar a seca nas regiões Norte e Nordeste, favorecendo o avanço do desmatamento e dos incêndios florestais.
O desmatamento segue como a principal fonte de emissão de gases de efeito estufa no Brasil. Em 2024, respondeu por 42% de todo o carbono emitido pelo país, segundo dados do Seeg (Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa). A meta de zerar o desmate é considerada fundamental para o cumprimento dos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris.