Dia de terror
Redação DM
Publicado em 15 de dezembro de 2015 às 00:55 | Atualizado há 11 anos“Operação Produtividade Zero dos Servidores da Secretaria de Segurança Pública de Goiás. Horário: das 8 horas do dia 9/12/2015 (quarta-feira) às 8 horas do dia 10/12/2015 (quinta-feira) – 24 horas.”
Tudo devidamente anunciado.
Naquele dia não houve atendimento a nenhuma ocorrência pela Polícia Militar, e seu efetivo saiu apenas com 30% das viaturas, mas sem a realização de nenhum atendimento.
A Agência Prisional não permitiu a entrada de nenhum advogado no Complexo Prisional ou nas Delegacias Estaduais e não houve escolta de presos para audiências.
Não foram permitidas visitas aos custodiados ou atendimento para audiência de custódia. Não houve recebimento de nenhum documento ou cumprimento de Alvarás de Soltura.
Os presos não foram monitorados. Tiveram uma folguinha.
Nos locais onde foram cometidos crimes e em lugar onde houve morte (homicídio, suicídio, acidente), nenhuma perícia foi realizada.
A Polícia Civil não realizou nenhuma perícia técnica externa, tendo suspendido suas atividades.
Os atendimentos relativos aos procedimentos de perícia interna da Polícia Técnica Civil igualmente ficaram suspensos, ou seja, não foi realizada uma perícia sequer. Nenhum material, objetos ou drogas foram recebidos. Os laboratórios não funcionaram e nenhum laudo foi emitido.
Além dos policiais civis e militares, também participam do ato bombeiros, peritos criminais, médicos legistas, agentes prisionais, delegados e papiloscopistas.
O presidente do Sinpol-GO, Paulo Sérgio Alves, disse que mais de 25 mil policiais civis e militares paralisaram suas atividades.
O saldo foi alarmante. 15 homicídios foram registrados entre a noite de quarta-feira (9) e a madrugada de quinta(10), durante a paralização de 24 horas de policiais e servidores da Secretaria de Segurança Pública (SSP/GO) na Grande Goiânia, sendo 10 na Capital e três em Aparecida de Goiânia. Até o final da manhã na última quinta-feira, 15 corpos aguardavam liberação no Instituto Médico Legal.
O Comitê de Segurança Pública se reuniu nessa quinta-feira (10) para avaliar os resultados da Operação Produtividade Zero: queda de 91,75% no registro de ocorrências em todo o Estado.
Em Goiânia, foram registrados 54 roubos e oito furtos de veículos.
No Estado, foram registrados 73 veículos roubados e 18 furtados, totalizando 91 carros.
Ainda em Goiânia, a Polícia Militar registrou três tentativas de homicído, cinco roubos a comércio, 44 roubo a pessoas e oito roubos a residências.
Na verdade, os números não foram devidamente divulgados, pelo simples fato de que quem divulga esses números é a Secretaria de Segurança Pública, que estava em greve. Os números são muito maiores.
Se 91 carros foram roubados, imagine o número de motos.
Isto significa que a paralisação por 24 horas de delegados, agentes, peritos e escrivães fez aumentar em 300% o número de roubos e furtos de veículos na Capital, e em 100% o número de homicídios.
Eram 16 horas quando o pai de uma amiga minha, que é motoqueiro, isto como profissão, teve sua moto roubada em frente à minha casa. Os bandidos levaram a moto, pediram para ele descer as calças, e ainda levaram R$ 700,00 (setecentos reais) do dinheiro que havia recebido pelo salário. Se tratava de uma linda moto nova, vermelha, da marca Honda.
Resumindo, foi a festa dos bandidos, alegria dos criminosos, infelicidade do cidadão.
Os servidores protestam pelo não pagamento da segunda parcela de reposição salarial acordada em 2013 e prevista na lei, devidamente aprovada pela Assembleia Legislativa e Governo do Estado de Goiás, lei que foi revogada no final do mês passado.
É por isso que a sociedade reconhece ser legítima a greve destes servidores.
O Governo do Estado em conlúio com a Assembleia Legislativa, revogou lei firmada em 2013, que previa reposição salarial. Isso sim é estelionato eleitoral, já que a eleição para governador aconteceu em 2014, quando Marconi Perillo foi reeleito em cima de promessas como esta.
A Secretaria de Segurança Pública divulgou Nota Oficial, na qual não reconhece a greve realizada pelos seus servidores, tendo afirmado ainda que tomou todas as medidas para garantir a prestação de serviços à população.
Só que não.
Confira na íntegra a nota da SSP/Go sobre a Operação Padrão Atividade Zero:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
A Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária de Goiás presta os seguintes esclarecimentos à população goiana:
Nenhuma entidade representativa dos servidores da pasta comunicou oficialmente à Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária a realização de atos reivindicatórios nesta data.
Contudo, diante de informações veiculadas pelos órgãos de imprensa sobre a denominada Operação Produtividade Zero, conclamada pelo intitulado Comitê Integrado de Representação das Entidades de Segurança, a Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária tomou todas as medidas necessárias para garantir a prestação de serviços e a tranquilidade à população.
A Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária lembra que, somente entre 2014 e 2015, os servidores obtiveram reajustes da ordem de 32,2% (mais que o dobro da inflação do período). Para os próximos três anos, a previsão é de mais 37,5%. Além dos reajustes salariais lineares, desde 2011, 13.096 policiais militares, 2.349 bombeiros militares, 569 policiais civis, 1.052 servidores do sistema prisional e 429 servidores da Polícia Técnico-Científica foram promovidos. Em 2015, 1.739 policiais civis, 422 servidores da Polícia Técnico-Científica e 358 servidores do sistema prisional obtiveram progressão na carreira – o que redunda em valorização na remuneração.
Diante desse quadro, e no contexto da grave crise econômica pela qual o País atravessa, a SSPGO confia que prevalecerá o bom senso e o compromisso dos servidores, que não tomarão qualquer medida que venha a prejudicar a população goiana e nem acarretar medidas disciplinares contra os mesmos.
De toda forma, a SSPGO já determinou aos comandantes da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, ao delegado-geral da Polícia Civil e aos superintendentes da Polícia Técnico-Científica e da Administração Penitenciária que adotem providências necessárias à apuração disciplinar e criminal de eventuais fatos decorrentes da Operação Produtividade Zero.
Joaquim Mesquita – secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária de Goiás.
Horrível e de mal gosto tal Nota Oficial. Ao invés de tomar providências para resolver a grave situação, Joaquim Mesquita promete punição aos servidores, e, apesar do salto nos índices de violência, sobretudo em Goiânia, a Secretaria de Segurança Pública minimizou a greve e se negou abrir diálogo para ouvir as demandas da categoria.
Mas nós, goianos, sabemos muito bem como toca a música da administração de Marconi Perillo.
Nosso governador é perito em prometer e não cumprir nada. O que acontece é que todos os goianos fingem não saber desta realidade.
Desde que foi eleito, as obras prometidas e iniciadas em seu governo, que antes da eleição seguiam em ritmo acelerado, agora, confirmado o cargo de governador (empregão, aliás, pela quarta vez sucessiva), andam em ritmo de tartaruga.
Nenhuma novidade. Mas o povo gosta de empoderar pessoas bonitas, ricas e famosas.
O governador de Goiás tem boa aparência. Disso todos sabemos, o que arranca suspiros de homens e mulheres por todo Estado. Veste-se bem, sempre usa ternos bem assentados, o que lhe dá um ar de responsabilidade e seriedade. Mora no Alphaville, condomínio de luxo da Capital, o que atiça a imaginação do pobre, que acaaba endeusando tal sujeito.
Sujeitinho calhorda, isso sim, que, ao longo dos anos, quadruplica o preço das obras em construção no Estado, faz a alegria dos empresários, dá perdão fiscal aos mesmos, e segue fazendo o quer, sem freio nenhum de quem quer que seja.
A imprensa se cala pois tem medo de dizer a verdade, já que o mesmo governador já responde processo por crime de homicídio, levando todos ao medo da morte, por se pronunciarem ou se posicionarem em contrário.
Enquanto ele revoga leis às quais havia se comprometido com os servidores públicos, cria outras leis que isentam ricos e poderosos de pagarem os impostos que sem dúvida aportariam os aumentos almejados pelos comuns da sociedade.
Mas tudo isso é de conhecimento público.
Acontece que o brasileiro gosta mesmo é de se vitimizar, colocando a culpa de seus fracassos ideológicos e políticos nos políticos e governantes que ele mesmo elegeu.
Não mais com a Segurança Pública deste Estado.
Organizados, articulados e seguros, a paralização foi de fato um sucesso do ponto de vista dos envolvidos na organização.
Honestos, avisaram toda sociedade. Os desavisados saíram às ruas, como saíram também os trabalhadores honestos que não podiam se furtar ao trabalho, já que teriam seu ponto cortado pelos patrões. Os prudentes ficaram em casa.
A culpa por cada carro roubado, por cada homicídio acima da média mensal, é exclusiva do governador.
Uma vez que a paralisação das forças de Segurança Pública não motivou nenhuma reação do Governo Estadual, as polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e Agência Prisional, decidiram anunciar nova paralização, denominada ‘Produtividade Zero’, agora com o dobro de duração, ou seja, 48 horas. Logo as datas serão divulgadas.
Parabenizo as polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e Agência Prisional por enfrentarem bandidos e marginais para protegerem a sociedade.
Parabéns por enfrentarem Marconi Perillo.
(Silvana Marta de Paula Silva, advogada e escritora – Twitter:@silvanamarta15)