Dia do Trabalho completa 101 anos no Brasil com debate do fim da escala 6×1
Léo Carvalho
Publicado em 1 de maio de 2026 às 11:30 | Atualizado há 2 meses
Dia do Trabalho surgiu de lutas operárias por redução da jornada e segue com reivindicações atuais por menos horas de trabalho | Foto: Folhapress
O Dia do Trabalho celebrado neste 1º de maio completa 101 anos no Brasil em 2026. A data surgiu em meio a protestos por melhores condições de trabalho, com a redução da jornada no centro das mobilizações tanto no país quanto na Europa e nos Estados Unidos.
Mais de um século depois, mesmo com mudanças profundas na estrutura do trabalho, a diminuição da carga horária continua entre as principais reivindicações. Movimentos trabalhistas, sociais e sindicais defendem o fim da escala 6×1 e a adoção de jornadas mais curtas.
O feriado foi instituído por decreto em setembro de 1924 pelo então presidente Arthur Bernardes, estabelecendo que, a partir de 1º de maio de 1925, a data seria dedicada à confraternização das classes trabalhadoras e à memória dos chamados mártires do trabalho.
A origem do 1º de Maio como símbolo de luta remonta ao fim do século 19. Em 1866, trabalhadores nos Estados Unidos passaram a reivindicar a jornada de oito horas diárias. Como a demanda não foi atendida, uma grande greve foi organizada em Chicago em 1º de maio de 1886.
A repressão aos protestos resultou na morte de manifestantes e, dias depois, novos confrontos agravaram a situação, mobilizando centenas de milhares de trabalhadores. O episódio consolidou a data como referência mundial de luta trabalhista.
Em 1919, a França oficializou o 1º de Maio como Dia do Trabalho, incorporando a reivindicação da divisão do dia em três partes: oito horas de trabalho, oito de descanso e oito de lazer.
As origens das lutas trabalhistas, porém, são ainda mais antigas. No início do século 19, na Inglaterra, trabalhadores — incluindo mulheres e crianças — enfrentavam jornadas de até 18 horas diárias em fábricas. Em 1802, foi criada a primeira legislação trabalhista, limitando a jornada de aprendizes.
No Brasil, a institucionalização da data ocorreu em um contexto de crescimento dos movimentos operários, impulsionados pela chegada de imigrantes europeus, especialmente em São Paulo. A greve geral de 1917 é um dos marcos desse processo.
Em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi instituída também em 1º de maio, reforçando o simbolismo da data.
A Constituição de 1988 consolidou avanços importantes, como a redução da jornada semanal de 48 para 44 horas. Atualmente, novas propostas defendem a diminuição para 40 ou até 36 horas semanais.
Segundo especialistas, apesar das transformações ao longo do tempo, os conflitos centrais do mundo do trabalho permanecem ligados à divisão da riqueza entre salários, lucros e capital. Se no passado predominavam jornadas exaustivas e ausência de direitos, hoje surgem novas formas de pressão, ainda que acompanhadas de avanços.
A percepção sobre o trabalho também mudou. Se antes era visto como um fim em si, atualmente tende a ser encarado como meio para alcançar objetivos pessoais, familiares e sociais. Nesse cenário, a redução da jornada aparece como tendência em debate. (CRISTIANE GERCINA/Folhapress)