Brasil

É mentira? Então volto a repetir: não minto! 

Redação DM

Publicado em 3 de junho de 2016 às 02:52 | Atualizado há 10 anos

Eu já falei e escrevi zilhões de vezes que o meu compromisso é com o leitor que detesta a mentira e pratica a verdade, somente a verdade e nada além da verdade. O misericordioso leitor “assíduo” sabe que eu quase nunca escrevo ficção e estou sempre narrando sobre o cotidiano, a política, o meu dia-a-dia com os “outros”, com os meus familiares e amigos, com a Sophia Penellopy, a minha caçulinha de oito anos, então, dependo de tudo isto para poder escrevinhar. Eu sei e já me conformei que não tenho a mentalidade e a criatividade de um escritor que em minutos cria e escreve um texto. Sou lerdo, embora rápido para digitar, aliás, modéstia à parte, até ganhei um dinheirinho atuando em três grandes empresas de publicidade como um dos mais rápidos digitadores do país, em São Paulo, Capital, na década de 80, não, não, não, não estou “me achando”, eu sei muito bem que eu sou apenas um escrevinhador, para alguns até medíocre, porque realizo várias e várias revisões, muitas vezes demorando horas e, pior, dias para escrever apenas um parágrafo, tentando sintetizar, ser verossímil, perturbo a Sophia e alguns amigos para dar a sua opinião e, voltando ao tema, sobre a verdade e as certezas, prometi a um amigo mencionar o meu costume de perguntar, às pessoas, claro, se elas têm certeza absoluta, absoluta mesmo, de alguma coisa e a maioria, ou melhor, a imensa maioria, afirma sorridente que a única certeza que tem é a de que vai morrer e eu, como gosto de humor, de brincar, respondo que não tenho tanta certeza assim de que vou morrer e, claro, a pessoa já me diagnostica como louco imediatamente e, se o interlocutor me pergunta como conclui isto, olho-o como se estivesse ouvindo o maior absurdo da minha vida e, cabisbaixo, a voz embargada parecendo estar indignado, pergunto-lhe: Você não se lembra das palavras de Jesus Cristo: “Alguns não conhecerão a morte?”. Neste ponto a maioria já está incomodada pensando em como terminar com toda aquela loucura, torcendo para que alguém ligue, para sair de perto de mim, alguns tensos, outros um pouco que assustados certos de que eu já deveria estar num manicômio e então, começo a falar sussurrando, como se estivesse contando o maior segredo do universo: Vai que a misericórdia de Deus absolva-me e inclua-me entre estes privilegiados, como parece ter ocorrido com Elias e Eliseu! Ou vai que os cientistas produzam lá em cima, na estratosfera, em seus laboratórios sem a interferência da gravidade, um medicamento que faça com que as células de todo o nosso corpo se renovem indefinitivamente, como pregou o doutor Luinous Pauling, Prêmio Nobel de Medicina, durante décadas, ou seja: que isto seria possível com células humanas. O misericordioso leitor pode imaginar como fica a cabeça de alguns indivíduos depois de ouvir tudo isso? Agora sério, portanto, sobretudo, independentemente da crença ou religião a fé e a esperança são, definitivamente, o alicerce do nosso ser espiritual e a esperança, ao contrário do que diz o ditado e do que quase “todo mundo pensa”, não é a última que morre, a esperança é a penúltima porque por último morre quem a teve. Se os suicidas tivessem pensado melhor nisso! Por isto não tenho artigos de gaveta, nunca tive e, por favor, me desculpe, novamente, caríssimo e misericordioso leitor porque preciso mandar mais um recadinho para os taizinhos, os caras que estão sempre com a cara lustrada com o mais puro óleo de peroba – um inclusive foi expulso do jornal aonde fazia uma pontinha porque plagiava tudo, tudo mesmo, cada vírgula, de um autor de outro estado, mudando apenas o título! Estes taizinhos, convictos, afirmam que eu sou isto ou aquilo porque escrevi isto ou aquilo, então, para os que se apresentam como doutores, “psicanalistas”, sem nunca sequer terem lido as obras de Freud e nunca terem ouvido nem falar em Ronald Laing, para citar só um porque a lista é grande, então, por favor, obedeçam as vossas consciências, pesadíssimas por sinal e comecem a ler os evangelhos todos os dias e noites e não me venham com esta de não terem tempo porque não tem problema nenhum ler na privada durante a defecação, ainda mais vocês que só vivem fazendo isto! Mais uma coisinha, a última: nunca fui não sou e, se Deus quiser, nunca serei candidato a absolutamente nada. Eu já falo e escrevo desde moleque sobre o que acontece quando um sujeitinho ou sujeitinha conquistam o poder num pleito, que tanto pode ser para a presidência da nossa republiqueta de araque, de uma das suas inúmeras cortes e comissões, de justiça, de contas, da Câmara, do Senado, como para a sindicância dum prédio. Quem não apoiou ou votou no tal síndico ou síndica é discriminado, desdenhado ou mal tratado, até pelos porteiros. Opa, pera aí, não estou generalizando e não tenho e nunca tive litígio nenhum, nem com síndicos nem com porteiros, aliás, tenho muitos amigos na área e até leitores e, mais, alguns, não mais do que meia dúzia, se dizem admiradores, mas, verdade seja dita, eu estaria assinando um atestado de loucura, de lelé da cuca se estivesse aqui para aborrecê-los, o misericordioso leitor concorda? E, por falar em aborrecimento, vou tratar de encerrar este primeiro e penúltimo parágrafo porque parágrafos extensos, longos, afugentam eventuais leitores, ainda mais o primeiro parágrafo e, aí, lógico, se eu persistisse protelando eu estaria assinando outro atestado de loucura, então, eis o derradeiro parágrafo:

O primeiro parágrafo ficou tão extenso que eu ia dar o texto como encerrado, mas, como mencionei que quase não escrevo ficção, lembrei-me, entretanto, que estou rabiscando mais um artigo da série sobre Jesus Cristo, cujo primeiro capítulo, intitulado: “Jesus Cristo vestido de menina?” causou indignação em alguns líderes religiosos e, eu acho que isto ocorreu porque eles não compreenderam, à princípio, que tratava-se de uma séria de ficção ou, como alguns preferem: realismo fantástico. O próximo título será: “Jesus Cristo será visto nos quatro cantos do planeta através da “nuvem” da Internet?”. Até.

 

(Henrique Dias, jornalista)

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