Brasil

Em 2018, vote com sabedoria!

Redação DM

Publicado em 3 de junho de 2017 às 02:25 | Atualizado há 9 anos

O voto com consciência-sapiência é genial! Contrata e dispensa, de uma cajadada só, premiando os bons candidatos e punindo os maus.

O voto é a arma mais poderosa do eleitor na democracia, desde que ele seja consciente, consciente-sapiente, isto mesmo, sábio! Sabedoria, capaz de solapar, subverter, deste modo, o voto subserviente-leniente, ou seja, aquele do tempo da onça, mas usual, ainda hoje. Porquanto, caminhou quase intocável mundo afora, com nomes jocosos como voto de cabresto, compadrio, agora, mercantilizado, subserviente, na base do toma lá dá cá. No caso do compadrio, exemplificando, mesmo sabendo que o amigo do peito gosta de fazer mutretas, maracutaias, contudo, realiza cortesia com chapéu alheio, as custas do erário público, mas, a condição de companheiro de todas as horas, o induz a votar firme nele, ou candidato que representa, indica, na condição de apaniguado.

A grosso modo, pensa que está lucrando, ganhando no campo pessoal, porquanto, estará sempre lhe prestando favores especiais, favores de arrepiar os cabelos, cercado de privilégios, mal sabendo que, quem paga a conta das mordomias, favores fajutos, é a sociedade, pois, subsidia com os impostos, toda a administração pública, sustenta o estado. Enquanto o voto consciente-sapiente muda a cara, qualidade dos representantes, junto aos poderes constituídos, mormente no legislativo e executivo, a política colocada em prática pelos novos eleitos, sem sombra de dúvida, muda o visual do estado. Pois ela, política, calcada no voto consciente-sapiente, constitui o lado bom, clássico, universal, positivo, tornando-se, de fato, instrumento, ferramenta, dispositivo capaz de fazer, a dita política funcionar, promovendo o bem-estar, felicidade, como falava o sábio Aristóteles, felicidade da comunidade.

Já o voto, quando obtuso, subserviente-leniente, como vem sendo usado, de maneira comunal, induz a escolha de representantes duvidosos, oportunistas, cujo maior objetivo é enriquecer-se às expensas do patrimônio público, por meio do superfaturamento, este na atual conjuntura, bastante usual, constituindo, o enzima catalizador – propinoduto – alimentador da corrente patrimonialista que, desde os primórdios da república, como ave de rapina, vem sugando o orçamento do país, subtraindo, emperrando o se desenvolvimento. De sorte que, a principal causa, leitor, deste estado deletério, enriquecimento ilícito de uma minoria em desfavor, contra, a grande maioria de patrícios, não é outra, senão, a baixa alternância do poder, representantes, mormente do poder legislativo, se reelegendo a vida toda, com se pode observar, atualmente, a olho nu, no Congresso Nacional, Assembleias Legislativas. No poder executivo, também acontece o mesmo, contrariando o princípio da alternância do poder, como marca registrada da própria democracia. O próprio voto subserviente concorre, sobejamente, para a baixa alternância, forjando a formação de oligarquias, enferrujando, mascarando a imagem do regime republicano, como na atualidade.

De forma diferente, o voto consciente-sapiente faz o contrário, colocando farofa no ventilador das mencionadas oligarquias, incentivando, arejando a alternância dos mandatos. Consoante Rousseau, filósofo mor do Iluminismo, quanto mais se alterna o poder, benefícios maiores são carreados ao povo, a inversa é verdadeira, quanto mais tempo, menor alternância, maior concentração de riqueza e poder nas mãos de poucos. Este é o motivo principal da má distribuição de renda, neste país, todavia existe outros, nestes outros, creio, ainda maior, venha ser, certeiramente, o sofrível nível educacional. Na realidade leitor, a educação, educação de qualidade, constitui a maior fonte redistribuidora de renda, mormente, em nosso angustiado

Brasil. Pois ela, instrução, quando destra, douta, esmerada, eloquente, dotada de sentimento cívico, subverte os alicerces do voto subserviente-leniente, atrasado, substituindo-o pelo voto, como já enfatizado, consciente- sapiente. Ademais, com este, a tão almejada mudança de paradigma, pode ser viabilizada pela mudança altiva, no hábito de votar, mudando, pela cultura, o falacioso, vício tinhoso, oportunista, no entanto, ainda rotineiro, voto subserviente, pelo outro, altivo, idealista. Enquanto o subserviente é desguarnecido da moral, foge da ética, como o diabo da cruz, usual no teatro da política, política preferida das oligarquias, o consciente, como descrito, enfatizado, é virtuoso, nele, ética e política são inseparáveis, além disso, harmoniosas, uma alimenta, puxa a outra.

De forma oposta, ao voto subserviente-leniente, agarrado, exclusivamente, as coisas pessoais, pertences, nicho, emulado pela mente oportunista do corporativismo; instinto, paixão, cavalgando a razão, círculo fechado da panelinha, o voto consciente areja, alarga a visão, elegendo pelo conhecimento, convicção, a razão postergando a paixão. A atual conjuntura brasileira, de baixa alternância, continuísmo arraigado, condicionado pelo voto conluiado, processo ilegal, mas usual, de compra e venda, se aproxima muito mais da realeza do que do sistema democrático, com uma pequena diferença, na realeza, o senhor feudal perpetuava-se no poder, por meio da herança, árvore genealógica, sangue azul, em nossa atual república, perpetua-se, de igual forma, no poder pelo poder, pelo voto viciado, comercializado, negócio escuso, entre candidato e votante.

Esta prática escabrosa tornou-se tão presente, e, lucrativa que o candidato, uma vez eleito, se agarra de unhas e dentes, à perpetuação no cargo, eivado de privilégios, procurando se reeleger, indefinidamente, gerando, como caldo de cultura, o profissionalismo politiqueiro, altamente rendoso, porém sustentado pelos milhões de patrícios contribuintes, mesmo aqueles de baixa renda, beira da penúria, paga tributos, pois estão embutidos, em tudo que se produz e consome. Tão rendosa, lucrativa é a bendita função de gestores públicos, contratados pelo voto, que neste país, tomando o lugar do banqueiro, como melhor negócio do mundo, o banqueiro arruinado, como segundo melhor, aqui, o negócio, sobre modo, inebriante, é o de político, político com mandato, quase perpétuo, o segundo melhor oficio, político arruinado, tal qual, ou seja, as regalias, liberdade de passar, como na política maquiavélica, a rasteira no povo, valendo-se do discurso populista, falacioso, combinado com jocoso. Assim, fundado no falatório manhoso, ardiloso, virtual, passa fel na boca do eleitor, e, pelo sofisma oratório, oraculoso infindo, o induz a saborear como mel. Sublimado pela viseira enganosa, o danado do votante subserviente-leniente, ainda exclama, que mel delicioso! Isto acontece, prezado patrício, por falta de conhecimento, cultura política, que a escola deveria, há muito, estar doutrinando, obrigatoriamente, nas salas de aulas.

De modo paradoxal, estranho, contudo, salvo juízo mais acurado, proposital, continua ignorado, pelos atuais governantes, governantes, em sua maioria, ainda eleitos pelo voto subserviente. A mudança, fazendo espargir luz no lugar da cegueira, atrapalha a boca quente, ainda remanescente do secular negócio da China, embora nela, não haja mais “negócio da China”, como antigamente, cambiado, na era atual, por “negócio na China”. Toda a trama, ofuscando a imagem legal, transparente, inolvidável do regime democrático, está consubstanciado a usurpação, desde os primórdios do Iluminismo, da “vontade geral”, defendida por Jean Jacques Rousseau, como exclusiva do cidadão (ã), vaticinava, fosse ela usurpada, como aconteceu, no sistema indireto, representativo atual, a república descambaria em crises periódicas subvencionada pelo processo corruptivo, endêmico, renitente, na atual conjuntura nacional.

A reversão passa pela maior revolução, revolução pacífica, que a sociedade eleitora pode e deve fazer, para livrar-se da condição virtual de burra de carga do estado, e, carruagem luxuosa dos governantes, substituindo o voto subserviente-leniente, pelo voto consciente sapiente. A educação, no médio e longo prazo, pode fazer essa mudança de paradigma. A lei, segundo Rousseau e Montesquieu, como mais sublime das invenções humanas, uma vez controlada, fiscalizada, pelas instituições afins, bem como, o povo através de suas entidades representativas, tem meios, condições de promover, passar o país a limpo, bastando, para tanto, recorrer a vontade soberana, aquela, filosoficamente mediadora e fundada, no instinto ou paixão que cobiça, e, a razão que sabe, quando possuída, dotada, de luminosa sabedoria.

 

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em Filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)


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