Encontros e desencontros do amor
Redação DM
Publicado em 24 de maio de 2016 às 02:53 | Atualizado há 10 anosEra o ano de 1950, estava passeando pelas ruas de Madri quando uma mulher que passava me tocou o coração. Era linda, bela, como nenhuma outra que já vi. Tinha os olhos azuis, azuis da cor do mar e usava uma corrente que tinha um enfeite de uma borboleta grande ela. Era maravilhosa, se chamava Catarina, com um sorriso contagiante que até hoje sinto saudade, nos encontramos na Praça Maior quase que por acaso, encostei nela sem ver, pois estava vendo o movimento dos carros e lhe pedi desculpas. Ela me disse tudo bem, aceito suas desculpas se você me levar a um café para descansar um pouco pois estou muito cansada. Parei um táxi que se aproximava e dentro do táxi tocava uma música que marcou a nossa vida que era El dia que me queiras, de Carlos Gardel, um cantor argentino. Aquele momento foi mágico que não me esqueço jamais, ficou gravado em meu coração.
Chegando ao café descemos do táxi começamos a conversar, ela contou sua vida, disse que era de Fortaleza, Ceará, e estava estudando línguas em Madri, estudando espanhol. Perguntou meu nome e eu disse que chamava Renato e estava fazendo Administração de Empresas na Universidade de Barcelona, conversamos bastante sobre nossas vidas, nos despedimos e aquele rosto ficaria guardado na minha cabeça para sempre como um amor que não havia ainda se concretizado.
Passados alguns anos, já formado em São Paulo, andando por suas avenidas quem eu vejo linda e magistral é ela, meu coração se alegrou somente se entristeceu, pois percebe que ela estava namorando e estava prestes a noivar e consequentemente se casar. Ali estava indo o grande amor da minha vida nos braços de outro, só que o destino foi favorável e fiquei sabendo por amigos que ela se desentendeu com seu namorado romperam e estava só novamente. Meu coração se encheu de esperanças, enfim a felicidade estava sorrindo para mim, não poderia perder essa oportunidade.
Quando a vi novamente só pelas ruas a parei e disse:
– É você Catarina?
E ela disse:
– Sim, sou eu Renato,
E ela perguntou como estão as coisas, Renato, já se formou:
-Sim. Já me formei, estou trabalhando em um escritório na Avenida Paulista.
E então perguntei você se formou Catarina?
E ela disse:
– Sim estou trabalhando na Universidade de São Paulo como professora de língua espanhola.
Passados estes diálogos iniciais disse a ela que precisava muito conversar com ela em particular e marcamos de nos encontrar em um restaurante muito famoso na época que se chamava El corazón, o coração em português, chegando o dia não contava os minutos e os segundos para vê-la aquilo para mim era um momento inesquecível que marcaria nossas vidas. Quando ela chegou notei como ela estava bonita, sentamos em uma mesa, começamos a conversar, jantamos e abaixo do restaurante tinha uma casa de espetáculos que tocava uma muúsica linda que até hoje não me esqueço que é contigo em La distancia em português é contigo na distância. Fomos para lá, dançamos e disse a ela que ela era muito importante para eu e que desde o momento que a vi a amei, a cada instante, a cada segundo que ela não saiu da minha cabeça esses anos todos, que eu a amava e queria assumir um compromisso sério com ela de me casar , então ela respondeu :
– Renato, por que você não disse isto antes, pois eu sinto a mesma coisa por você.
E então perguntei a ela, você aceita namorar comigo?
E ela respondeu:
Sim, aceito.
Depois disso nos beijamos e saímos felizes pela rua mostrando nossa felicidade a todos, dois anos depois nos casamos e tivemos dois filhos, Samuel e Deolinda, nossa vida sempre foi de amor desde o primeiro momento que nós vimos, hoje aos 80 anos vivo com o grande amor da minha vida, com meus filhos e netos e digo a felicidade está próxima de nós, o amor da nossa vida está mais perto do que a gente imagina. Se alguém te ama e você sabe lhe dê uma chance escute seu coração, dê uma oportunidade para que vocês sejam felizes, pois não devemos deixar passar batido, pois o amor acontece uma vez só e nunca mais e nós temos o direito de sermos felizes assim como sou nestes Encontros e Desencontros do Amor somos às vezes espectadores, mas devemos tomar as rédeas do nosso destino e fazer que o amor seja preponderante em nossas vidas não ficando apenas nas lembranças e sim acreditando que poderemos ser felizes tendo o verdadeiro amor em nossa vida .
(Ruy da Penha Lôbo, graduado em Letras Espanhol. Blog: http://imruy.blogspot.com twitter: @ penhaLobo – residente em Bonfinòpolis – Goiás)