Então é Natal!
Redação DM
Publicado em 24 de dezembro de 2016 às 02:08 | Atualizado há 10 anosOuvimos dizer sempre que o Natal perdeu seu significado, que deu lugar ao consumismo: árvores de Natal… Papai Noel… As pessoas são homenageadas com presentes e mais presentes. Penso que as homenagens são essenciais, no entanto, o evento de que falamos precisa estar em harmonia com a pessoa homenageada para torná-la presente entre aqueles que a celebram. A celebração há de trazer de novo à memória o acontecimento celebrado. É Natal. Comemora-se o nascimento.
Numa estrebaria uma criancinha acaba de nascer. Sua mãe a colocou numa manjedoura, cocho onde se põe comida para os animais. As vacas mastigam sem parar, ruminando. Ouve-se um galo que canta e os violinos dos grilos, música suave… No meio dos animais tudo é tranquilo. Os campos estão cobertos de vaga-lumes que piscam, chamados de amor. E no céu brilha uma estrela diferente. Que estará ela anunciando com suas cores? O nascimento de um Deus. Deus é uma criança. Criança é símbolo de mansidão, doçura…Deus então é uma criança, mansa e pobre. Assim podemos enxergar Deus num olhar que pede carinho, pede afeto, pede pão. E o cantiga que ultrapassa os mares e se canta em todas as línguas, traduzidas em Noite Feliz, trará a cena do que aconteceu longe. O que é que José e Maria teriam comido naquela noite feliz? Um pedaço de queijo, nozes, vinho, pão velho, uma caneca de leite tirado na hora? E deram graças a Deus.
Cada um de nós celebra o que escolhe na Noite de Natal. Podemos escolher um mundo de comidas sofisticadas, num retiro familiar, esquecendo-nos de que o aniversariante da noite feliz não recebeu nem mesmo um olhar. O Deus que não vemos é a alma de todos que se trancam num universo paralelo. Seja pobre ou rico. Na noite de Natal escolhi ficar com Ele, Deus menino, Deus singeleza. Escolhi cantar Noite Feliz, lembrando aqueles que não têm o que comemorar, por causa de alguma doença, pelo cansaço de peregrinar nas ruas do desemprego, por carência de afeto, por fome de comida, pelo abandono, pela solidão. Ah! Como seria diferente se pudéssemos nos encontrar nas ruas e glorificarmos a paz do mundo! O mundo globalizado de Deus e não o mundo globalizado da vaidade, das guerras, do dinheiro. Essa paz só tem sentido, começando na família. Tantas famílias vivem em guerras, expõem os filhos e debatem por incompreensões ou falta de perdão. Aqui me reporto a uma Homilia feita pelo Papa Francisco, no dia 20 de dezembro de 2016, quando ele abordou que “Família é lugar de Perdão” Assim ele diz que “não existe família perfeita. Nem somos perfeitos. Temos queixas uns dos outros, decepcionamos uns aos outros… O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual… Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão em Deus… Quem não sabe perdoar, adoece física, emocional e espiritualmente… A família precisa ser lugar de vida e não de morte… O perdão traz alegrias e cura doenças.”
O espírito natalino até que seria muito bom se durasse depois do Natal. O problema é que o Natal é só um dia. Nesse dia, durante uma guerra, acontece uma trégua de Natal, para recomeçar a matança dias depois. É uma data em que a solidariedade e a fraternidade se transformam em uma obrigação, para depois voltar ao mundo real. Mas ainda há tempo para podermos refletir em premissas básicas de amor, nos propósitos de guardar dentro nós a compreensão, ela está tão rara hoje em dia! Também a solidariedade que é tão necessária. Guardar todos os sonhos para que nenhum fuja entre os nossos dedos. Dentre eles o sonho de ofertar aos amigos, um sorriso. Guardar todos os momentos felizes, nossas gargalhadas infantis… Nossas saudades… Os bons momentos e, sobretudo, a confiança Naquele que nasceu, viveu entre nós, sofreu e morreu também por nós. Ele é o aniversariante: Jesus Cristo, filho de José e Maria.
Particularmente fiz o meu pedido ao Papai Noel: Meu bom velhinho faça com que neste Natal, a criança que cada um tem dentro de si nasça novamente… Que o Menino Jesus nos abençoe e proteja. A minha criança está viva e cheia de sonhos a espera do milagre de Natal, que é a Paz para todos nós, a solidariedade, o perdão e a justiça.
Feliz Natal de Jesus a todos!
(Célia Valadão, cantora, bacharel em Direito, vereadora e vice-presidente do PMDB Metropolitano)