Falta de recursos e autonomia agrava crise nos municípios goianos
Redação DM
Publicado em 21 de novembro de 2017 às 03:02 | Atualizado há 9 anos
Expressões como, crise, falta de recursos já se tornaram parte do vocabulário de todos os prefeitos e prefeitas goianos. Tudo consequência da recessão pela qual passamos, caíram as receitas públicas dos três níveis de governo, em termos reais. Além da própria União, estados e municípios tem procurado se adaptar à nova situação, o que contribui para revelar a angustiante necessidade por reformas fiscais. Um desses conflitos reside principalmente no aumento das atribuições dos municípios, movimento que não tem sido acompanhado de um processo adequado de descentralização dos recursos. Nas últimas décadas, tem ocorrido também progressiva perda de autonomia.
A crise trouxe uma enxurrada no aumento das demandas da população por serviços públicos, como por exemplo, na área da saúde pública municipal. Podemos citar os PSF’s nos municípios recebem entre R$ 7 mil a R$ 10 mil, para pagar um médico, uma enfermeira e um auxiliar e a manutenção da unidade, mais os municípios gastam mais que triplo desse valor para manter esse serviço, isso prejudicaemuitotodososnossosmunicípios do Estado, principalmente os de pequeno porte, que tem umadependênciafinanceirados repasses Federais e Estaduais.
Os municípios são os entes federados que mais aumentaram a suaparticipação no financiamento da saúde no país. Tem-se aplicando em saúde percentuais de suas receitas vinculadas muito acima do exigido pela legislação. Mesmo com a exigência mínima legal de 15%, os municípios aplicam cerca de 24% na saúde.
Podemos citar algumas outras áreas da gestão municipal que tem tido a evidente a atuação cada vez maior dos municípios. Na educação, foi registrado um aumento, no número de alunos nas creches municipais, em função da meta do Plano Nacional de Educação, que estabelece a universalização da educação infantil para crianças de 4 a 5 anos, até 2016.
Em um período de receitas decrescentes, fica ainda mais evidente a forte restrição financeira dos municípios para assumirem funções cada vez mais abrangentes.
Além de alguns fatores citados anteriormente, outra fonte de arrecadação municipal que veio abaixo do esperado foi à repatriação. No orçamento da União a previsão era que Goiás receberia um valor estimado em R$ 108 milhões. O que gerou uma frustação aos municípios goianos que receberam apenas 13 milhões. Um revés de 95 milhões, valor esse que poderia ser investido em saúde, educação, infraestrutura. Aliado a todas essas atribuições e responsabilidades, um fato que podemos considerar é que hoje recebemos menos recursos do que em 2012.
Haroldo Naves, prefeito de Campos Verdes e presidente da Federação Goiana de Municípios (FGM)