Brasil

Frio aumenta risco de infarto e AVC, especialmente entre idosos

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 22 de junho de 2026 às 09:56 | Atualizado há 1 hora

Especialistas recomendam atenção redobrada à saúde cardiovascular durante os períodos de frio intenso | Foto: Ilustrativa/Reprodução
Especialistas recomendam atenção redobrada à saúde cardiovascular durante os períodos de frio intenso | Foto: Ilustrativa/Reprodução

Controlar a temperatura do corpo no inverno exige mais do coração. A afirmação vale para todos, mas aqueles com comorbidades cardiovasculares são mais suscetíveis a infarto e AVC (Acidente Vascular Cerebral) nos dias frios.

O Instituto Nacional de Cardiologia estima que as ocorrências de infarto podem aumentar em até 30%, principalmente em temperaturas abaixo de 14°C. Pessoas de 75 a 84 anos e aquelas que já apresentam doenças relacionadas ao coração são as mais vulneráveis. Os índices de AVC crescem até 20% no período. A temperatura não é a causa direta, mas pode potencializar esses problemas.

Segundo Fernando Ribas, médico cardiologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, esses episódios se tornam mais frequentes no inverno porque o organismo responde à queda brusca de temperatura. Ocorre a vasoconstrição — quando o corpo contrai os vasos sanguíneos para reter calor — e sobrecarrega o coração.

“O frio libera um pouco mais de mediadores para controlar melhor a temperatura do corpo. Liberamos mais adrenalina no sangue, hormônios relacionados ao estresse, até para aumentarmos a taxa de metabolismo e compensar essa redução”, explica Ribas.

“Se o paciente tem risco cardiovascular, o estresse que vem da adrenalina pode desencadear uma instabilização de uma placa de aterosclerose (acúmulo de gordura nas paredes das artérias), por exemplo, e provocar um infarto ou AVC”.

Caso acendeu alerta para os riscos do frio

A microempresária Rosângela Gusmão, 65, estava com entupimento em uma veia do coração causado por um coágulo e desconhecia o problema.

Sem sintomas, optava pela alimentação saudável, acompanhada por nutricionista, e fazia exercícios físicos cinco vezes na semana (pilates e musculação). Não era hipertensa e nem possuía outra comorbidade que pudesse provocar um infarto.

Na manhã de 10 de junho de 2025, Rosângela sentiu uma dor súbita do lado esquerdo do peito, seguida por falta de ar e enjoo. Neste dia, a temperatura mínima na cidade de São Paulo ficou em cerca de 14°C e a máxima não chegou a 20°C. O mês foi marcado por massas de ar polar fortes e recordes de frio.

“Em menos de 10 minutos, eu já sentia uma forte queimação na região do coração. A dor irradiou para o braço e a escápula do lado esquerdo”, relata a microempresária.

A mulher foi levada ao hospital por um vizinho. Na emergência, soube que se tratava de um infarto.

“Fiquei mais vulnerável e mais atenta aos sinais que o corpo dá”, diz.

Após a angioplastia com o implante de dois stents e dois meses de reabilitação cardiopulmonar, a vida voltou ao normal.

Frio pode descompensar hipertensão e diabetes

O frio também pode descompensar a hipertensão e o diabetes. A liberação de adrenalina interfere em níveis pressóricos e de glicose.

“A adrenalina é um hormônio contrarregulador no metabolismo do diabetes. A liberação de mais glicose acontece para oferecer mais energia para as células. Se o paciente tem um controle ruim pode descompensar”, explica o cardiologista Fernando Ribas.

O Brasil registrou aproximadamente 398 mil mortes por doenças do aparelho circulatório, como hipertensão, arritmias e infarto, ao longo de 2024. A taxa foi de 187,5 óbitos por 100 mil habitantes, a segunda maior dos últimos 23 anos, atrás apenas de 2021, quando o índice chegou a 189,8 durante a pandemia de Covid. Os dados são do Datasus e estão disponíveis no Observatório da Saúde Pública da Umane, organização que fomenta iniciativas no âmbito da saúde pública no Brasil.

Hábitos saudáveis ajudam a proteger o coração

O cardiologista reforça os pilares de um estilo de vida saudável para preservar a saúde do coração:

  • Respeitar o tempo de sono ideal. O importante é dormir o suficiente para ficar descansado.
  • Tentar controlar o estresse.
  • Manter alimentação saudável e equilibrada. Fuja de alimentos condimentados e gordurosos. “O ideal é ter pelo menos 70%, 80% das refeições semanais baseadas em legumes, saladas, carnes magras e carboidratos integrais. Nos lanches, prefira frutas, alimentos naturais, não condimentados e industrializados”, diz o médico.
  • Praticar atividade física de três a cinco vezes por semana.
  • Checar a pressão arterial, os níveis de colesterol, de açúcar no sangue, a função renal e o hemograma. “Em pacientes muito jovens, sem comorbidades, não vejo necessidade de fazer exame todo ano. Aqueles que passam dos 40 anos é interessante, sim, porque nosso organismo começa a ter uma maior facilidade de descompensação de colesterol, de glicose”, orienta.
  • Não fumar. (Patrícia Pasquini/FOLHAPRESS)

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