Governo do Rio de Janeiro divulga lista com perfis dos mortos na Operação Contenção
Léo Carvalho
Publicado em 3 de novembro de 2025 às 09:42 | Atualizado há 9 meses
A Operação Contenção foi uma das ações mais complexas da história do Rio de Janeiro contra o crime organizado e mais letal do país | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
O Governo do Estado do Rio de Janeiro divulgou, na noite deste domingo (2), o relatório com o perfil dos mortos na Operação Contenção, deflagrada na última terça-feira (28). Na operação, os agentes apreenderam 118 armas, sendo 91 fuzis, 26 pistolas e 1 revólver, além de 14 artefatos explosivos, carregadores, grande quantidade de munições e drogas.
O documento, elaborado pela inteligência da Polícia Civil, detalha informações sobre 115 dos 117 mortos, excluídos quatro policiais, em uma das mais complexas ações de combate ao crime organizado já realizadas no estado.
De acordo com o levantamento, mais de 95% dos identificados tinham ligação comprovada com o Comando Vermelho (CV) e 54% eram de fora do Rio de Janeiro. O relatório revela ainda que 59 tinham mandados de prisão pendentes, 97 possuíam histórico criminal relevante e 12 dos 17 sem antecedentes apresentavam indícios de envolvimento com o tráfico, com base em postagens e vínculos em redes sociais.
Entre os mortos, 62 eram naturais de outros estados, sendo 19 do Pará, 9 do Amazonas, 12 da Bahia, 4 do Ceará, 2 da Paraíba, 1 do Maranhão, 9 de Goiás, 1 do Mato Grosso, 3 do Espírito Santo, 1 de São Paulo e 1 do Distrito Federal.
O relatório destaca que o Rio de Janeiro abriga hoje chefes de organizações criminosas de 11 estados, provenientes de quatro das cinco regiões do país, demonstrando o caráter interestadual e estruturado do Comando Vermelho.
Ação coordenada e embates em área de mata
Segundo as forças de segurança, uma das estratégias fundamentais da operação foi empurrar os criminosos para uma área de mata no alto do morro, fora da zona habitada, para preservar a população civil. Foi nesse ponto que ocorreram os principais confrontos. “Quem estava na mata estava em confronto com a polícia”, relembrou o secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes.
De acordo com o secretário da Polícia Civil, delegado Felipe Curi, o trabalho de apuração e cruzamento de dados segue em andamento, e os relatórios oficiais estão sendo documentados para assegurar transparência e legalidade.
“Essa mínima fração de narcoterroristas neutralizados que não possuíam anotações criminais ou fotos com armas não significa nada. Se não tivessem reagido, teriam sido presos em flagrante pelos crimes de organização criminosa e tentativa de homicídio contra os policiais”, afirmou Curi.
Rede interestadual e comando de facções
Os documentos de inteligência revelam que a Operação Contenção atingiu diversas lideranças regionais do Comando Vermelho, incluindo chefes do tráfico do Espírito Santo, Amazonas, Bahia e Goiás.
Entre os mortos estavam foragidos, líderes de facção e indivíduos com papel estratégico dentro da estrutura criminosa, responsáveis por áreas de distribuição de drogas, controle de armamento e arrecadação de recursos.
As investigações apontam que parte das comunicações entre os integrantes era feita de forma criptografada, o que dificultava a ação policial e evidenciava o alto grau de organização do grupo.
Também foi identificado o uso intenso de redes sociais como ferramenta de exibição de armas, drogas e símbolos da facção, além de meio de recrutamento e comunicação interna.
Expansão nacional e novos desafios
O governador Cláudio Castro afirmou que o resultado da operação representa um duro golpe na criminalidade e confirma o que vinha sendo diagnosticado pela inteligência estadual.
“Entre os mortos que reagiram às forças policiais, havia diversos líderes criminosos, inclusive chefes do tráfico de outros estados. Se não houver integração efetiva entre os poderes, sob coordenação federal, venceremos batalhas, mas não a guerra. Conter a expansão do Comando Vermelho depende de ações unificadas e inteligentes. É o início de um grande processo no Brasil”, declarou Castro.
A análise dos perfis indica uma tendência de recrutamento de jovens e adolescentes pelo tráfico, com forte influência das redes sociais. O relatório também mostra que vários mortos eram egressos do sistema prisional ou estavam foragidos, reforçando o padrão de reincidência e vulnerabilidade social entre os integrantes da facção.
A Operação Contenção é considerada uma das maiores ações integradas contra o Comando Vermelho nos últimos anos e tornou-se a mais letal da história do Brasil ao terminar com 121 mortos.
As investigações seguem sob sigilo, com o objetivo de identificar financiadores e articuladores da rede criminosa que atuava no Rio e em outros estados.
Lista parcial de nomes:
Aleilson da Cunha Luz Junior
Alessandro Alves de Souza
Cauãn Fernandes do Carmo Soares
Fabiano Martins Amancio
Juan Marciel Pinho de Souza
Marllon de Melo Felisberto
Carlos Henrique Castro Soares da Silva
Brendon César da Silva Souza
Yuri dos Santos Barreto
Michael Douglas Rodrigues Fernandes
Alisom Lemos Rocha
Richard Souza dos Santos
Maicon Thomaz Vilela da Silva
Jonas de Azeredo Vieira
Lucas da Silva Lima
Michel Mendes Peçanha
Claudinei Santos Fernandes
Fernando Henrique dos Santos
André Luiz Ferreira Mendes Junior
Marcos Adriano Azevedo de Almeida
Cleiton da Silva
Douglas Conceição de Souza
Maicon Pyterson da Silva
Alexsandro Bessa dos Santos
Danilo Ferreira do Amor Divino
Waldemar Ribeiro Saraiva
Wendel Francisco dos Santos
Cleideson Silva da Cunha
Marcio da Silva de Jesus
Luan Carlos Marcolino de Alcântara
Nelson Soares dos Reis Campos
Victor Hugo Rangel de Oliveira
Maxwel Araújo Zacarias
Hercules Salles de Lima
Willian Botelho de Freitas Borges
Ronaldo Julião da Silva
Yan dos Santos Fernandes
Célio Guimarães Júnior
Marcos Vinicius da Silva Lima
Alessandro Alves Silva
Kauã Teixeira dos Santos
Jeanderson Bismarque Soares de Almeida
Diego dos Santos Muniz
Yago Ravel Rodrigues Rosário
Edione dos Santos Dias
Rodolfo Pantoja da Silva
Hito José Pereira Bastos
Felipe da Silva
Edson de Magalhães Pinto
Carlos Eduardo Santos Felício
Fabio Francisco Santana Sales
Francisco Myller Moreira da Cunha
Luiz Eduardo da Silva Mattos
Luiz Claudio da Silva Santos
Francisco Nataniel Alves Gonçalves
Luciano Ramos Silva
Vanderley Silva Borges
Nailson Miranda da Silva
Luiz Carlos de Jesus Andrade
Vitor Ednilson Martins Maia
Leonardo Fernandes da Rocha
Jônatas Ferreira Santos
Anderson da Silva Severo
Lucas Guedes Marques
Wesley Martins e Silva
Emerson Pereira Solidade
Yure Carlos Mothé Sobral Palomo
Tiago Neves Reis
Marcos Antonio Silva Junior
Diogo Garcez Santos Silva
Francisco Teixeira Parente
Rafael de Moraes Silva
Gabriel Lemos Vasconcelos
Wellinson de Sena dos Santos
Cleys Bandeira da Silva
Josigledson de Freitas Silva
Jonatha Daniel Barros da Silva
José Paulo Nascimento Fernandes
Cleiton Cesar Dias Mello
Cleiton Souza da Silva
Ricardo Aquino dos Santos
Adailton Bruno Schmitz da Silva
Wellington Brito dos Santos
Evandro da Silva Machado
Ronald Oliveira Ricardo
Eder Alves de Souza
Gustavo Souza de Oliveira
Rafael Correa da Costa
Fabian Alves Martins
Arlen João de Almeida
Bruno Correa da Costa
Kauã de Souza Rodrigues da Silva
Jean Alex Santos Campos
Fabricio dos Santos da Silva
Wagner Nunes Santana
Luan Carlos Dias Pastana
Kleber Izaias dos Santos
Wallace Barata Pimentel
Adan Pablo Alves de Oliveira