Brasil

História do futuro: o horizonte do Brasil no século XXI

Redação DM

Publicado em 21 de março de 2016 às 01:14 | Atualizado há 10 anos

História do futuro: o horizonte do Brasil no século XXI, de Miriam Leitão é um livro de reportagem, no qual a autora traça um panorama detalhado sobre temas relevantes para o futuro do Brasil. São doze capítulos, com diferentes e importantes temas, fundamentados em pesquisas, viagens, entrevistas e análises de dados. Ele nos mostra o quanto avançamos ao longo do tempo e todas as possibilidades que temos para construir um futuro melhor. Certamente é uma leitura que vale a pena!
A obra parte da questão ambiental, enfatizando as riquezas naturais do Brasil, sua biodiversidade e a importância do engajamento de todos na luta pela preservação desse patrimônio. É notória a insatisfação da autora com relação às leis ambientais e seu não cumprimento. Os governantes, no objetivo de formar aliados políticos e angariar votos, são relapsos quanto à preservação da Floresta Amazônica e acabam incentivando sua destruição e a grilagem das terras que são patrimônio público.
As tendências demográficas projetam encolhimento da população brasileira e aumento de sua idade média, fatos que demandarão maiores investimentos em saúde e alteração no sistema previdenciário. É necessário incentivar os trabalhadores a aumentar o ciclo de vida ativa; do contrário a previdência ficará insustentável pois as aposentadorias são financiadas pelas contribuições sociais dos trabalhadores em atividade. Além disso, a educação deverá ser capaz de preparar as crianças e jovens de forma a se tornarem muito mais empreendedores e criativos, e ajudarem o Brasil a sustentar a população mais idosa.
O inchaço urbano também é tratado. A falta de planejamento e o crescimento desordenado das cidades acarretaram problemas como a crise hídrica, o caos no transporte, o aumento da violência, falta de saneamento básico e coleta de lixo adequados. Esses obstáculos precisam de solução urgente.
O avanço da tecnologia e seus impactos em todas as áreas são abordados com maestria, bem como a necessidade da abertura de fronteiras, de se inserir nas cadeias produtivas e de comércio internacionais. O Brasil, por suas características, deverá ser um dos grandes fornecedores de alimentos do mundo; basta para isso, investir mais em pesquisas e tecnologias capazes de aumentar a produtividade, além de melhorar a logística.
Somos o país com maior potencial de energia renovável. As hidrelétricas são, e continuarão a ser por décadas, a principal fonte de eletricidade e requerem, portanto, maior atenção e investimentos para recuperação dos reservatórios. Mas o futuro será de diversificação das fontes de energia e o Brasil possui o privilégio de ter várias fontes naturais. São riquezas que devem ser aproveitadas e preservadas.
O racismo foi abordado de maneira especial. Os casos retratados trazem à tona uma realidade que não deveria existir. São histórias reais, com personagens reais, que têm sofrido uma discriminação sem limites, sem motivos, sem explicações. Muitas vezes, nem acreditamos que o racismo exista mesmo, ou talvez estejamos simplesmente fechando os olhos para essa terrível realidade. Mas os índices apresentados não deixam dúvidas. Os assassinatos entre jovens negros são maioria, os salários de negros são inferiores e a pobreza entre eles também é maior. É preciso vencer essas diferenças, pois somos o segundo país em sociodiversidade no mundo, uma riqueza étnica e cultural tremenda.
A economia, que estava em crescimento, voltou a encolher por decisões erradas do governo. Para ludibriar os eleitores, a presidente Dilma Rousseff disseminou incentivos setoriais, controlou preços para segurar a inflação, incentivou o consumo de energia em meio a uma crise hídrica, enfim, usou de artimanhas sujas e mentirosas. O país perdeu a credibilidade perante investidores externos e aumentou a dívida pública.
A tão sonhada democracia ficou abalada por tantos escândalos de corrupção. A sociedade brasileira, após várias manifestações, voltou a desacreditar na possibilidade de um futuro melhor, em que os ilícitos serão combatidos, independente da classe social ou poderio que os infratores exercem. Cabe ao Estado coibir e punir os corruptos, esse passo fortaleceria a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas.
O livro é capaz de levar a emoções opostas ao desvendar manobras políticas imorais, ações engendradas para benefício próprio que trouxeram terríveis consequências para nosso país. E, ao mesmo tempo, alertar sobre os passos que já foram dados, sobre o progresso alcançado através da democracia, sobre as grandes riquezas e possibilidades que temos para enfrentar o futuro. Para tanto, é imprescindível que os governantes se planejem com base nas tendências e projeções, olhando além de seus mandatos.
Mesmo diante de tantos desafios, Miriam Leitão acredita que o Brasil pode se tornar um dos protagonistas do século XXI. E nós, brasileiros, mesmo inseridos em uma conjuntura adversa, também acreditamos e sempre acreditaremos em nosso Brasil!

(Fernanda Sousa Barros Moreira, empresária)


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