Homenagem a Sérvio Túlio Caetano da Costa
Redação DM
Publicado em 7 de dezembro de 2021 às 14:20 | Atualizado há 5 anos
A primeira lembrança que tenho de meu pai, Sérvio Túlio Caetano da Costa, titular do cartório da 5ª Vara Cível de Goiânia, depois desmembrada em 5ª e 24ª Vara Cível de Goiânia, é ele de terno e gravata indo trabalhar. Aquele homem grande de cabelos e barba pretas.
Nos idos dos anos 70 e 80 o Fórum de Goiânia ficava na Praça Cívica. Morávamos perto, ele ia a pé. Saía de segunda a sexta de manhã e voltava quando o sol já havia se posto. O som da máquina de escrever acompanhou toda minha infância. As batidas rápidas e firmes. Os processos que eram levados para a casa e feitos fora do horário de expediente e finais de semana. Nas férias íamos para a fazenda de minha avó materna no Sul de Minas Gerais e ele ficava em Goiânia, sempre trabalhando. Naquela época, ele teve uma doença na mão e quase perdeu os movimentos dos dedos. Graças a Deus se curou e continuou a trabalhar firme.
No final da década de 80, foi inaugurado o Fórum Heitor Moraes Fleury na Avenida Assis Chateaubriand do Setor Oeste. Lembro-me de como tudo era novo e amplo! Depois vieram os computadores. Quando da implantação dos sistemas informatizados, meu pai foi o responsável pela parte jurídica. Ali era o início da informatização do Judiciário de Goiás que culminou décadas mais tarde na digitalização de todos os processos e a tramitação exclusiva na forma eletrônica no Projudi.
Ele acompanhou todas essas fases: da máquina de escrever ao teletrabalho, assinando os atos de casa e pelo celular de onde estivesse. Quantas vezes cheguei em sua casa em finais de semana ou feriados – até recentemente – e escutei o barulho das teclas, agora do teclado do computador, e lá estava ele trabalhando. Sua escrivania sempre foi modelo de eficiência e celeridade. Sua história se confunde com a história do Poder Judiciário Goiano. Uma vida, cinquenta e três anos, de devoção à Justiça, sendo um servidor público na literalidade da palavra, a serviço integralmente e incansavelmente da sociedade goianiense.
Hoje com os cabelos e a barba grisalhas, ele se aposentou, entregando uma escrivania zerada de pendências no Projudi. Pode agora desligar o computador e silenciar o barulho das teclas, mas continuará sendo sempre meu orgulho, meu exemplo de trabalho, competência, honestidade, integridade e dedicação. Parabéns meu pai pela sua trajetória e história! Aproveite essa nova fase tão merecida! Continuarei seguindo seus passos e seu caminho de retidão.