Horizontes para além da ignorância
Redação DM
Publicado em 19 de dezembro de 2015 às 23:10 | Atualizado há 11 anosA Doutrina Espírita modifica o comportamento das pessoas porque as torna cientes de que, através dos seus atos, elas determinam o seu próprio destino.
Pessoas envolvidas em grandes negócios, sem tempo até para curtir o conforto e a boa qualidade de vida que conquistaram, mudam seu comportamento quando são surpreendidas por uma ocorrência impactante.
Isso ocorreu com um cidadão que enriquecera antes dos cinquenta anos. Sempre muito ocupado, tornava-se cada vez mais irascível, sem tempo para ver os filhos crescerem, para ouvir as solicitações da esposa, pedindo-lhe a presença, nas ocorrências do dia a dia.
Vivia para seus negócios, que o entretinham, enfrentando os desafios do mercado como se estivesse sendo testado em seu poder decisório. E conseguia vencer as dificuldades, saindo-se bem nas empreitadas, o que o estimulava a prosseguir, cada vez mais comprometido, ativo, ocupado e nervoso.
Mas…[sempre acontece algo depois de um “mas…”], a vida pregou-lhe uma peça: ele estava dirigindo seu BMW quando foi surpreendido por um mal estar súbito. Estacionou, buscou socorro, foi atendido imediatamente, e seu diagnóstico assustou sobremaneira a todos, menos a ele que entrou em completo mudismo.
Detectaram melanoma no cérebro, de crescimento rápido. E ele calmo, calado, completamente desinteressado dos assuntos referentes às suas ocupações, como se não lhe dissessem respeito.
A esposa, interessada que sempre fora na literatura espírita, ante sua passividade, lia-lhe trechos elevados de orientação espiritual, quando surge a notícia de que seria indicada uma cirurgia.
Ele ficara temporariamente emudecido. O médico explicou que o tumor estava localizado no centro da fala e da compreensão.
Ao removê-lo correr-se- ia o risco de que ele perdesse a capacidade de ler, escrever e falar. Se não operasse, poderia sobreviver mais ou menos por seis semanas.
Subitamente, ele voltou a se interessar em falar. Bem humorado, dizia que precisava mais de ouvir do que de falar.
Referia-se à beleza da natureza, que gostaria de contemplar e, em seu apartamento, o que mais o divertia era o canto dos pássaros que pousavam no parapeito de granito, ao lado de sua cadeira preferida.
Enternecido, pediu colocassem alimento para as aves canoras, para tê-las, com mais frequência, por perto.
Foi operado por excelente profissional que devolveu à vida uma outra pessoa.
O tumor foi removido sem que ele sofresse as prováveis limitações.
Transformou-se num ser humano mais compassivo.
Questionado, sobre a grande mudança, refletia: a pausa obrigatória para reflexão, o efeito benéfico da boa leitura que alimenta a alma, trouxe-me renovado anseio pela vida em paz.
Situações dramáticas, bem aproveitadas, além de evitar que se caia nas armadilhas da ignorância, tornam melhor o espírito, trabalhando-o no cadinho das mutações.
Aquele que se torna uma pessoa melhor, aprende a valorizar as pequenas coisas, que são mais importantes do que as grandiosas, extraordinárias, que todos anseiam por realizar.
Madre Tereza de Calcutá dizia que “nesta vida não podemos fazer grandes coisas. Podemos, apenas, fazer pequenas coisas com grande amor.
Costumamos achar-nos incapazes de vivenciar sentimentos nobres como a bondade e o amor verdadeiro. Aspectos nutritivos que ampliam os horizontes para além da ignorância.
(Elzi Nascimento, psicóloga clínica e escritora / Elzita Melo Quinta, pedagoga, especialista em Educação e escritora. São responsáveis pelo Blog Espírita: luzesdoconsolador.com. Elas escrevem no DM aos domingos – E-mail: [email protected] / (062) 3251 8867)