José Múcio prega compromisso democrático das Forças Armadas
Redação DM
Publicado em 4 de janeiro de 2023 às 15:46 | Atualizado há 3 anos
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, revelou, segunda-feira, dia 2, que tem amigos e parentes nos acampamentos bolsonaristas, contrários ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entorno de quartéis pelo País.
Após tomar posse no cargo em cerimônia sem a presença da antiga cúpula militar de Jair Bolsonaro, Múcio disse que nem todos os participantes são radicais e considera a manifestação legítima, mas entende que irão se esvaziar. Em discurso, o ministro afirmou que os militares têm senso de responsabilidade e que as Forças Armadas brasileiras “sempre se posicionaram a favor da democracia”.
“Eu acho que aquilo vai se esvair. Na hora que o ex-presidente da República (Bolsonaro) entregou seu cargo, saiu do cargo, que o general Mourão (ex-vice-presidente) fez um pronunciamento falando que todos voltassem a seus lares”, afirmou Múcio, em entrevista a jornalistas após a cerimônia na seda do ministério. “Aquelas manifestações no acampamento, falo com autoridade porque tenho parentes lá, no de Recife, tenho alguns amigos aqui , é uma manifestação da democracia. Aos pouquinhos aquilo vai se esvair e vai chegar ao lugar que todos nós queremos.”
O tom de José Múcio destoa, em público, de outros ministros do governo Lula. A desmobilização dessas concentrações era um desejo de Lula confidenciado a parlamentares e vem sendo defendida, ainda que seja necessária uma remoção forçada, por ministros como Flávio Dino, da Justiça. Ele disse que os acampamentos viraram incubadoras de terroristas. Para Alexandre Padilha, ministro da Secretaria de Relações Institucionais, transformaram-se em incubadoras de atos violentos e crimes.
Investigações policiais apontaram frequentadores extremistas do acampamento do Quartel-General do Exército como autores de uma tentativa de atentado a bomba e de sitiar a capital federal com incêndios e explosões para provocar um golpe militar e impedir a posse de Lula, ocorrida neste domingo, dia 1º.
Questionado se seus parentes estavam ainda aglomerados nos quartéis, o ministro esquivou-se, dizendo que iria telefonar para eles. “O conselho que dou é que defendam com racionalidade e educação o que pensam”, disse Múcio.
Múcio disse que o País vive um momento de estabilidade e que enxerga “desarmamento em nome da fraternidade”, em que pese o acirramento político nas eleições. Apesar das preocupações com a segurança da posse presidencial, a cerimônia foi considerada pelo ministro “tranquila e alegre”. Ele observou que os espaços de quem era contra e a favor foram respeitados.
O ministro ignorou episódios recentes que indicam politização nas Forças Armadas e não fez qualquer menção aos 21 anos de ditadura militar no Brasil, período em que houve perseguições, tortura e execuções à margem da lei por parte de agentes do Estado. O ministro foi filiado à Arena, partido que deu sustentação política ao regime, e depois sempre atuou em legendas de direita. Atualmente, não é filiado. “Nosso País possui tradições pacíficas. Apesar de sua relevante dimensão geopolítica, o Brasil e nossas Forças Armadas sempre se posicionaram a serviço da paz, da democracia, do respeito às instituições e da cooperação com seus vizinhos. Nossa história, rica em exemplos, mostra que a Marinha, o Exército e a Aeronáutica são instituições de Estado, respeitáveis e ciosas de seus papéis constitucionais, regidas pelos princípios da hierarquia e da disciplina, nelas profundamente arraigados.”
Múcio tomou posse no cargo sem a presença de nenhum dos nomes da antiga cúpula militar do governo Jair Bolsonaro. O único na cerimônia foi o ex-chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general de Exército Laerte de Souza Santos.
O general Laerte fez um discurso formal, afirmando que Múcio contará com todo apoio da equipe e que, sob coordenação da pasta, as Forças Armadas se mantém preparadas para defender a soberania nacional. Os ex-comandantes das Forças Armadas se ausentaram. Também o último ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e o ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, general Walter Souza Braga Netto, candidato a vice-presidente derrotado com Bolsonaro.