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Julgamento do caso Henry Borel é mantido após Jairinho voltar atrás e nomear o filho como advogado

Léo Carvalho

Publicado em 25 de maio de 2026 às 15:58 | Atualizado há 2 meses

Jairinho e Monique Medeiros são julgados pela morte do menino Henry Borel, ocorrida em março de 2021, no Rio de Janeiro | Foto: Gabriel de Paiva
Jairinho e Monique Medeiros são julgados pela morte do menino Henry Borel, ocorrida em março de 2021, no Rio de Janeiro | Foto: Gabriel de Paiva

A juíza responsável pelo caso do ex-vereador Henry Borel anunciou o adiamento do julgamento do caso Henry Borel na manhã desta segunda-feira (25), mas depois recuou da decisão. Com isso, o julgamento do ex-vereador Jairinho e de Monique Medeiros vai prosseguir.

A decisão havia sido tomada após Jairinho ter destituído os advogados. Porém, o julgamento foi retomado após o filho dele, Luiz Fernando Abdul Figueiredo dos Santos, assumir a defesa do pai como advogado principal. Santos se formou recentemente em direito.

O casal é acusado de ser responsável pela morte do menino Henry, filho de Monique e enteado de Jairinho. O julgamento estava marcado para começar às 9h desta segunda-feira (25), no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio de Janeiro, mas, devido ao impasse, o início foi adiado.

A decisão pelo adiamento aconteceu após um dos advogados de Jairinho, Fabiano Lopes, ter infartado no sábado (23). Ele era o advogado que liderava a equipe de defesa.

A juíza Elizabeth Louro reclamou da manobra. “Estamos mais uma vez diante de uma imposição indeclinável de adiamento do processo do julgamento. E, ao me referir à imposição, pretendo destacar que as inúmeras tentativas de protelar o julgamento deste processo fazem não só dessa julgadora, mas de todos os demais envolvidos nesse processo, reféns dele”, afirmou a juíza.

Jairinho mudou seu posicionamento após ser informado de que, em caso de adiamento do julgamento, a Promotoria havia pedido sua transferência de Bangu 8 para Bangu 1. Enquanto a primeira unidade é destinada a presos com ensino superior e possui menos restrições, Bangu 1 abriga detentos de alta periculosidade, com celas solitárias, ausência de visitas e pouco tempo de banho de sol.

No momento em que a juíza anunciava a decisão sobre a transferência, Jairinho pediu para se reunir com os então ex-advogados presentes no plenário. Diante da solicitação, a magistrada interrompeu o pronunciamento para que o réu pudesse conversar com os defensores.

O ex-vereador voltou atrás e constituiu o filho como advogado, além de chamar outros defensores que havia acabado de dispensar, permitindo a retomada do júri. Em seguida, a juíza retomou o julgamento e fez o sorteio dos jurados. Assim, o julgamento terá início com cinco homens e duas mulheres aceitos pelas defesas dos réus.

Jairinho responde por homicídio qualificado por meio cruel e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, com agravante pelo fato de Henry ser menor de 14 anos. Ele também é acusado de três episódios de tortura e coação no curso do processo.

Já Monique responde por homicídio qualificado por omissão, com as qualificadoras de motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima, além de tortura e coação.

Henry tinha 4 anos quando morreu, em março de 2021. A acusação afirma que ele foi espancado por Jairinho.

A investigação aponta que Henry teria sido vítima de pelo menos três episódios de supostas agressões antes da morte. Um dos principais elementos que embasaram essa conclusão foram trocas de mensagens entre a babá do menino e o então noivo.

Em depoimento, a babá relatou que Henry, no mês que antecedeu sua morte, teria se agarrado a ela e rasgado sua blusa ao tentar evitar entrar em um quarto sozinho com Jairinho. Segundo o delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), o menino demonstrava desespero ao ser deixado com o padrasto e, após o ocorrido, Jairinho teria dado R$ 100 à babá para que comprasse uma roupa nova.

Outro episódio citado pela investigação teria ocorrido também em fevereiro de 2021. Conforme relatado pela babá em mensagens ao noivo, Jairinho teria se trancado com Henry no quarto, enquanto ela suspeitava que o então vereador estivesse tampando a boca do menino. A babá afirmou ter ouvido Henry repetir a frase “eu prometo” ao padrasto.

Para os investigadores, o relato reforça a hipótese de que a criança sofria ameaças para não contar à mãe sobre as agressões. Segundo Damasceno, Henry saiu do quarto sem reclamar de dores naquele momento, mas mais tarde teria demonstrado desconforto e se recusado a brincar.

No dia 12 de fevereiro, a babá de Henry relatou que Jairinho levou o menino para o quarto e, pouco depois, a criança saiu mancando e reclamando de dores. Após uma videochamada com a mãe, Monique, em que Henry teria falado sobre agressões, Jairinho voltou ao apartamento exaltado, questionando o menino sobre o que havia contado à mãe. Segundo a babá, Henry, assustado, negava ter dito algo e se recusava a sair do colo dela.

Thayná afirmou que incentivou Henry a relatar o ocorrido na presença de Jairinho, momento em que o menino confirmou ter contado à mãe que havia sido agredido. Em seguida, Monique chegou e saiu de carro com a babá e a criança por quase três horas, durante as quais Henry voltou a confirmar as agressões. Ao retornarem, Monique subiu sozinha ao apartamento e depois desceu com malas prontas.

Apesar de dizer que iria para Bangu, para a casa dos pais, Monique foi vista no dia seguinte, pelas redes sociais, em Mangaratiba com Jairinho, o que causou estranheza à babá. Após o feriado, Thayná voltou ao trabalho e viu um exame de raio-x de Henry. Monique explicou que o menino havia feito exames por dores no joelho, mas disse que “não era nada”.


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