Brasil

Justiça absolve mãe que matou e cortou pênis de homem que abusou da filha em BH

Léo Carvalho

Publicado em 25 de março de 2026 às 13:11 | Atualizado há 4 meses

Mulher foi absolvida por maioria dos votos após julgamento no Tribunal do Júri de Belo Horizonte | Foto: Reprodução
Mulher foi absolvida por maioria dos votos após julgamento no Tribunal do Júri de Belo Horizonte | Foto: Reprodução

O Tribunal do Júri de Belo Horizonte (BH) absolveu a mãe acusada de matar e cortar o pênis do homem que abusou sexualmente de sua filha de 11 anos. Por maioria de votos, o conselho de sentença afastou todas as acusações contra a ré. No júri, que foi realizado ontem, a juíza Maria Beatriz Fonseca Biasutti declarou a absolvição de Erica Pereira da Silveira Vicente, 43.

A ré era acusada pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menor. Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, o crime ocorreu na madrugada de 11 de março de 2025, no bairro Taquaril. O MP sustentou que o homicídio foi cometido com uso de meio cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima.

Promotoria acusou a ré de dopar o homem com medicamento. Em seguida, a mulher teria atacado a vítima com golpes de faca e madeira, cortado o órgão genital e, depois, ateado fogo no corpo, com ajuda de um adolescente. O corpo de Everton Amaro da Silva, 47, então namorado de Erica, foi encontrado pela polícia parcialmente carbonizado.

Versão da ré

Durante o interrogatório, a ré afirmou que conhecia o homem desde criança. Ele declarou que eles moravam próximos e que se relacionavam de forma esporádica. Afirmou ainda que Everton tinha liberdade e costume de ficar na casa dela.

Duas semanas antes do crime, Erica contou que encontrou mensagens de Everton para a filha dela. Segundo ela, o homem enviava textos com visualização única de cunho sexual por um aplicativo de mensagem para a criança.

No dia do crime, o homem chegou em casa embriagado, disse a ré. Ela negou que tenha dado remédio para ele dormir e declarou que eles não tiveram relação sexual naquela noite. Ela lembrou que eles foram dormir e, de madrugada, acordou com a filha gritando porque o homem estava em cima dela na cama com a calça abaixada e tentando tampar a boca da menina.

Como matou e cortou pênis

Erica contou que conseguiu arrastar o homem até a sala da casa, pegou uma faca e desferiu vários golpes contra ele. Afirmou ainda que só conseguiu arrastar e esfaquear o homem porque ele estava com a calça abaixada.

Após matar Everton, ela lembrou que um adolescente ouviu os barulhos e entrou na casa. Eles combinaram de tirar o corpo da casa e levar em direção a uma mata. Lá, ela colocou fogo no corpo da vítima.

Defesa argumentou que crime foi cometido com base na tese de legítima defesa de terceiro. A mulher, que estava presa desde a época do crime, teve o alvará de soltura expedido nesta terça-feira (24).


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