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Justiça de SP autoriza Suzane Richthofen a ficar com herança de R$ 5 milhões do tio

Léo Carvalho

Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 12:31 | Atualizado há 4 meses

Justiça nomeia Suzane von Richthofen inventariante do espólio de R$ 5 milhões do tio Miguel Abdalla Netto | Foto: Reprodução
Justiça nomeia Suzane von Richthofen inventariante do espólio de R$ 5 milhões do tio Miguel Abdalla Netto | Foto: Reprodução

A juíza de Direito Vanessa Vaitekunas Zapater, da 1ª Vara de Família e Sucessões do Foro Regional II de Santo Amaro, em São Paulo, nomeou Suzane von Richthofen como inventariante do espólio do tio materno, o médico aposentado Miguel Abdalla Netto, encontrado morto em sua residência no bairro Campo Belo em janeiro deste ano.

A decisão proferida reconhece Suzane como a única herdeira que se habilitou formalmente no processo, em meio a uma disputa familiar pelo patrimônio estimado em cerca de R$ 5 milhões, que inclui imóveis, contas bancárias e um veículo.

Nomeação e histórico controverso

Suzane, condenada a 39 anos de prisão em 2002 por coautoria nos assassinatos qualificados dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen – sendo Miguel irmão de Marísia –, obteve a nomeação porque foi a única a apresentar habilitação regular nos autos, conforme destacou a magistrada. A juíza observou que o histórico criminal de Suzane não interfere juridicamente na definição da inventariança, priorizando a ordem sucessória prevista no Código Civil, na qual sobrinhos (parentes colaterais de terceiro grau) precedem primos de quarto grau.

Andreas von Richthofen, irmão de Suzane e herdeiro dos bens dos pais após decisão judicial obtida pelo próprio Miguel em 2002 para afastá-la da sucessão, renunciou à herança do tio.

Miguel Abdalla Netto não deixou descendentes, ascendentes, companheira reconhecida judicialmente nem testamento, o que direciona os bens prioritariamente para Suzane, salvo decisão contrária no processo em curso sobre união estável alegada por Silvia Gonzalez Magnani, prima de quarto grau do falecido e que se diz ex-companheira dele por mais de uma década.

Silvia, que liberou o corpo no IML e organizou o sepultamento, pleiteava o posto de inventariante e contesta a nomeação, alegando que ela ocorreu prematuramente, antes do fim do prazo para comprovar a união estável – o que, se reconhecida, daria prioridade ou participação direta na sucessão, podendo anular a gestão de Suzane.

Restrições aos poderes

Embora nomeada gestora do conjunto de bens, direitos e obrigações deixados por Miguel, Suzane teve seus poderes restringidos pela juíza: autorizados apenas atos de conservação e manutenção do patrimônio, vedando expressamente a venda, transferência ou uso pessoal dos bens sem prévia autorização judicial. O inventário ficará suspenso até o julgamento definitivo da ação sobre a união estável entre Miguel e Silvia.

A defesa de Silvia afirmou ter “profunda preocupação” com a decisão e reiterou acusações anteriores contra Suzane. Segundo os advogados, logo após a morte de Miguel, divulgada pela imprensa, a residência teria sofrido invasões e furtos de dinheiro, móveis e documentos. A defesa também sustenta que Suzane teria soldado os portões do imóvel e retirado um veículo sem autorização judicial, condutas apontadas como violação à administração isenta e segura do patrimônio.

A defesa de Suzane rebate ainda que essas medidas foram isoladas de preservação patrimonial, guardando o carro em local seguro à espera da deliberação judicial.

Caso Richthofen e implicações familiares

O caso envolve controvérsias relacionadas ao assassinato dos pais de Suzane em 31 de outubro de 2002, crime planejado por ela com os irmãos Cravinhos, Daniel e Cristian. Os três foram condenados em 2006 a 39 anos e seis meses de prisão cada um. Suzane cumpre pena em regime aberto desde 2023.

Miguel, que rompeu com Suzane após o crime, havia adotado medidas para que os bens dos pais fossem destinados a Andreas. Com a morte dele e a ausência de herdeiros diretos, a eventual partilha da herança do tio pode beneficiar Suzane, o que provocou reação e questionamentos por parte da família estendida.


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