Laudo revela 63 golpes e lesões graves em homem morto após espancamento no Rio de Janeiro
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 10:55 | Atualizado há 1 hora
Cláudio Rafael foi agredido durante cerca de nove minutos após ser acusado de furtar uma bicicleta que pertencia à irmã | Foto: Reprodução
Uma suspeita envolvendo uma bicicleta terminou com a morte de Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O homem foi agredido por seguranças e entregadores de aplicativo na noite de 11 de agosto, depois que um grupo acreditou que ele havia furtado o veículo.
A bicicleta, porém, pertencia à irmã de Cláudio. Mesmo após a abordagem inicial, as agressões continuaram e foram registradas em vídeos. A análise das imagens feita pela perícia identificou quatro sequências de ataques, que somaram 63 golpes ao longo de aproximadamente nove minutos.
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O laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto, obtido com exclusividade pela TV Globo, detalha a extensão dos ferimentos. O documento aponta que Cláudio morreu em decorrência de hemorragia interna e traumatismo cranioencefálico, além das lesões provocadas no baço e no rim esquerdo por ação contundente.
Quatro pessoas envolvidas no espancamento já foram presas. A Polícia Civil ainda apura a possível participação de um quinto homem. Os quatro detidos foram indiciados por homicídio triplamente qualificado, considerando meio cruel, motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima.
Agressão provocou fraturas e hemorragias em diferentes partes do corpo
Os ferimentos encontrados durante a necropsia mostram que a violência atingiu principalmente a cabeça de Cláudio. Havia um grande hematoma sob o couro cabeludo, concentrado principalmente no lado direito, além de fraturas nas regiões temporoparietal e occipital.
Uma dessas fraturas era do tipo cominutiva, caracterizada pela quebra do osso em vários fragmentos. O exame também revelou hemorragia subdural nos dois lados do cérebro, edema cerebral, contusão na região frontoparietal esquerda e hemorragia subaracnoidea.
A presença de sangue nos ventrículos cerebrais também foi registrada pelos peritos. Fora da região da cabeça, havia marcas de agressão nas costas, braços, antebraços, axilas, pescoço, rosto e no lado direito do tronco.
O abdômen também sofreu danos. A perícia encontrou hemoperitônio, que corresponde ao acúmulo de sangue dentro da cavidade abdominal. O baço tinha duas lacerações, cada uma com aproximadamente 20 por 5 milímetros, além de uma lesão no hilo esplênico, região responsável pela passagem de vasos sanguíneos.
No rim esquerdo, os peritos identificaram hemorragia na cápsula do órgão. Segundo o laudo, os ferimentos internos contribuíram para a hemorragia que levou à morte.
Duas marcas lineares e paralelas observadas no corpo foram consideradas compatíveis com golpes feitos com algum objeto contundente. Entre os exemplos citados pela perícia estão barra de ferro, cabo de vassoura e porrete.
O exame cadavérico foi realizado no IML Afrânio Peixoto entre os dias 14 e 16 de agosto. O documento foi concluído em 16 de agosto de 2026.
Homem correu após primeira agressão e voltou a ser cercado
Na noite em que morreu, Cláudio havia saído de casa para andar de bicicleta. Segundo familiares, ele tinha transtornos mentais e falava pouco. A primeira abordagem aconteceu na Rua Barata Ribeiro. O segurança de rua Davi Santos Machado perguntou se Cláudio era o dono da bicicleta. Ele respondeu que não, já que o veículo pertencia à irmã.
A resposta, segundo a investigação, não encerrou a suspeita. Davi teria acreditado que Cláudio havia cometido um furto e chamou dois entregadores que passavam pela região.
As imagens analisadas pela polícia mostram o segurança Jorge Luiz Ricardo Dias retirando a bicicleta das mãos de Cláudio. O homem tentou recuperar o veículo, foi agredido e fugiu correndo.
Pouco depois, Cláudio parou em frente a um prédio na Rua Felipe Oliveira. Foi nesse local que os homens voltaram a encontrá-lo. Ele acabou cercado novamente, enquanto os dois entregadores se juntaram aos seguranças.
As agressões seguintes foram registradas em vídeo pelos próprios envolvidos. A perícia dividiu o ataque em quatro momentos: seis golpes na primeira sequência, 19 na segunda, 14 na terceira e outros 24 na última. Ao todo, foram 63 golpes.
De acordo com a investigação, Cláudio não reagiu às agressões. Depois que o grupo deixou o local, ele permaneceu na calçada por cerca de meia hora, em estado de agonia.
O Corpo de Bombeiros foi chamado e levou Cláudio para atendimento médico, mas ele não resistiu aos ferimentos. A Polícia Civil continua investigando a participação de um quinto homem no crime. Os quatro suspeitos já identificados respondem por homicídio triplamente qualificado.
Imagens mostram o momento em que Cláudio Rafael é agredido por quatro homens