Comando Vermelho usou Country Clube para lavar dinheiro
DM Online
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 12:58 | Atualizado há 54 minutos
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em conjunto com o Ministério Público do Estado (MPRJ), deflagrou nesta terça-feira (4) a Operação Quimera para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho (CV). As investigações apontam que a facção utilizava um clube recreativo na Zona Norte da capital e uma pousada em Armação dos Búzios para movimentar recursos obtidos com o tráfico de drogas.
Durante a ação, agentes da 52ª DP (Nova Iguaçu) e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriram mandados de busca e apreensão em 10 endereços. Um dos principais alvos foi o Várzea Country Clube, em Água Santa, fundado há cerca de 60 anos.
Segundo a investigação, traficantes do Morro do Dezoito conseguiram assumir o controle informal da administração do clube ao colocarem pessoas de confiança na gestão do espaço. Mesmo sem uma presidência formalmente constituída, o local continuou realizando festas, eventos e outras atividades.
A apuração identificou que um núcleo familiar responsável pela administração informal do clube movimentou aproximadamente R$ 11 milhões em menos de seis meses. De acordo com a Polícia Civil, os valores eram incompatíveis com a renda declarada dos investigados e apresentavam características típicas de lavagem de dinheiro, como depósitos em espécie, transferências entre familiares e empresas e operações fracionadas via PIX.
As investigações tiveram início após dirigentes do Social Clube Marabu denunciarem que traficantes passaram a cobrar R$ 6 mil mensais para permitir o funcionamento do espaço, além de tentarem assumir sua administração. A partir desse caso, os policiais identificaram um esquema semelhante no Várzea Country Clube.
A Operação Quimera também revelou a utilização da pousada Menino do Rio, em Armação dos Búzios, para ocultar recursos do tráfico. Apesar de possuir apenas 16 quartos e cinco funcionários, o estabelecimento registrou movimentação financeira de cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses, além de mais de 600 depósitos em dinheiro, que somaram aproximadamente R$ 955 mil.
Para a Polícia Civil, o grupo utilizava pessoas físicas e jurídicas para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro e inserir os recursos obtidos com o tráfico na economia formal. Somadas, as movimentações financeiras investigadas ultrapassam R$ 11 milhões.