Brasil

Lembranças dos tempos de escola – Parte XLV

Redação DM

Publicado em 26 de maio de 2016 às 02:34 | Atualizado há 10 anos

Quando cursávamos o último ano escolar e parte da nossa turma e outros colegas de fora da classe decidiram ir a uma festa em outra cidade, terra natal da nossa colega Lidiene. A viagem foi no fim do primeiro semestre e a festa estava prevista para começar numa sexta-feira e durar três dias, porém, nossa intenção era ficar apenas de sábado para domingo. Maick partiu bem antes, num corcel dois, azul, com um velho conhecido, vizinho e amigo da sua família. O homem pretendia vender produtos comestíveis durante os festejos e Maick o acompanhou. Érick, Edu, Roney, Biano, Vando, Nétia, outras meninas e eu fomos à noite, num carro da prefeitura.

No momento da saída nos atrasamos de tal forma que notamos as luzes acender-se na escuridão citadina e assim que a última luz de Wanderley se perdeu ao longe o condutor acelerou o veículo com maior intensidade temendo não chegarmos a tempo. Viajamos na carroceria de uma picape vigiados pela lua e iluminados pelos faróis incandescentes. Chegamos. Fomos diretos para o local da festa que era meio que dentro do mato. Logo, encontramos Maick.

Creio que a festa fora boa para todos, porém, Nétia, coitadinha, ficou muito preocupada, pois enquanto namorava um rapaz de outra cidade, perdera o seu relógio de ouro, o qual havia ganhado do pai como presente de aniversário. Ao sermos avisados da perda da jóia, todos nós, inclusive Maick saímos procurando o objeto nos lugares onde ela se deu conta da perda. De repente ouvimos um barulho enorme e assustador, pensamos ser um trator se aproximando, logo percebemos que era o namorado (leia-se ficante) de Nétia guiando um veraneio a diesel com os faróis acesos com intuito de clarear o local. A menina encontrou o relógio, mas foi consumida em algazarra e gozação devido ao fato de ter namorado aquele condutor. Biano era do tipo que perdia o amigo, mas não perdia a piada e não teve pena. Esculachou! Houve outros acontecimentos como indivíduos salientes da nossa turma ameaçando tirar as calças em meio à festa, outros meninos beijando uma só menina ao mesmo tempo. Ao mais fico em dívida com o leitor porque só Deus sabe o que rolou naquela noite.

No outro dia, assim que a aurora perdeu todas as suas estrelas e as pétalas das flores desolaram-se pela ausência do orvalho saímos daquele ambiente em pasto e tomamos a direção da casa de Lidiene, a qual situava no centro da cidade. Saboreamos um delicioso café da manhã servido cordialmente por aquela família que nos recebeu de braços abertos. Almoçamos lá também e durante a nossa estada lá ficamos impressionados com a humildade daquela gente de Tabocas do Brejo Velho. De volta, o motorista da prefeitura guiava o veículo ziguezagueando pela rodovia a ponto de provocar um acidente! Tive muito medo de morrer, pois o irresponsável ingeriu muita bebida alcoólica.

 

(Gilson Vasco, escritor)

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