Lembranças dos tempos de escola – Parte XLVIII (Final)
Redação DM
Publicado em 2 de junho de 2016 às 02:30 | Atualizado há 10 anos
Um semestre depois voltei àquela cidade, minha terra natal, para cumprir obrigações eleitorais e rever meus amigos. Foi o pior percurso de uma viagem feito por mim até agora. Contudo, pretendia ficar um terço de um mês, porém, fiquei três longos dias, os quais foram suficientes para eu perceber que de alguma forma a cidade parecia diferente e menor, os poucos amigos que reencontrei já não eram como antes, pareciam ter mudado completamente, quase que nem falaram comigo, somente Maick fez-me uma ligeira visita e a única coisa que discutimos foi política partidária. Os outros eu só os vi velozmente em minha chegada e voltei sem revê-los! Tudo estava em ritmo veloz, parecia que a cidade tinha se revoltado contra o tempo ou lutando para recuperar algo que lhe fora tirado.
Passado alguns tempos fiquei sabendo que Leandro morrera num acidente de carro, no qual sua motocicleta ficou presa embaixo de um caminhão-caçamba! Fiquei muito triste e meio revoltado ao receber a notícia, mas arrumei forças para continuar tocando a vida.
Jeânio morrera anos depois, também num acidente de carro, dessa vez uma colisão, quando viajava para conhecer sua filhinha recém-nascida. Noticias dessas naturezas deixa o homem pasmado, ainda que certo que isso é o caminho de todos.
Uílio, Crys, Neguinho, Cleros, Adri, Landa, Lucíola, Dima e muitos outros parecem ter desaparecido para sempre. Outros como Sinho, Li, Lene, Naura, Dilene, Jota, Vavá, Gel, etc. moram aqui nesta cidade. Muitos vieram primeiro que eu, outros bem depois, porém, nunca mais encontrei com alguém, exceto Sinho, Lene, Gel e Dilene, os quais pude vê-los recentemente e muito rápido. Pedrosa se casou com Reija quando ainda estudávamos juntos. Aliás, a história de amor destes dois dá um filme ou um livro, se preferir. Anos atrás noticiaram sua separação. Róger se casou quando eu ainda estava morando lá. Anos atrás entrei em contato com Tamar, por telefone, pena que ele não mais se lembrara de mim e deligou.
Hill se casou há alguns anos e depois de ter dois filhos, cada um de um pai, se separou do esposo passando a morar com a sua mãe novamente. Certa vez fui a uma festa de aniversário aqui nesta cidade e a encontrei toda maltrapilha que cheguei a ter dó.
Soube que um ano após eu ter saído da cidade, Milla ficou grávida e acabou doando a criança para outra família cuidar.
Roney conseguiu terminar os estudos e depois foi morar e trabalhar numa cidade próxima daqui. Eu o visitei uma ou duas vezes, depois sofrera um acidente na mão com uma máquina de fazer fraldas para bebês e, logo, resolvera se desligar da empresa onde trabalhava e fora embora levando uma mulher consigo. Tiveram um filho lindo, mas infelizmente o bebê morreu com cinco meses. Cheguei a vê-lo num hospital ainda com vida.
Logo que cheguei aqui Edu andou me visitando, numa época em que ele esteve na casa de seus parentes e até andamos juntos por várias vezes, em diversos lugares, à procura de trabalho. Quando ele estava quase empregado voltou repentinamente, sem nada explicar. O cara sempre fora meio doido mesmo!
Érick continuou na cidade, se casou com uma mulher que já tinha alguns filhos, separaram e, novamente, ele se casou com uma amiga nossa que também frequentava o nosso grupo de jovens. Aquela doçura do caso de Flor, se lembra?
Maick terminou os estudos secundários anos depois de Roney. Fiz de tudo para ir à colação de grau dele, mas não deu. Inicialmente ele tinha decidido ir embora para a América do Norte, mas conseguiu uma vaga para lecionar na zona rural e desistiu da ideia. Depois acabou vindo para esta cidade trabalhar. No inicio da sua chegada conversávamos muito, porém, não nos vemos mais com tanta frequência, na verdade é raro, muito raro nos encontrarmos. Recentemente fui convidado para batizar seu filhinho, qualquer hora dessas cumpro a promessa.
O tempo passou e cada vez recebi menos notícias de Érick, Edu, Roney e Maick. Muitos dos outros meus colegas dos tempos de escola, eventualmente, se tornaram apenas lembranças compactadas em minha cabeça, outros vivem como brasas queimando o meu existir.
De todos, alguns se casaram, outros foram embora de Wanderley, outros continuam lá na cidade e ainda outros, atualmente, moram aqui neste centro urbano, mas meramente, se tornaram apenas mais uma cara como qualquer outra pelos corredores da vida.
(Gilson Vasco, escritor)