Manobra para conquista do poder
Redação DM
Publicado em 11 de maio de 2016 às 02:42 | Atualizado há 10 anos
Conquistar o comando administrativo do país pelo voto em 2018 era o caminho natural dentro da democracia. Mas após a derrota eleitoral em 2014 um esquema de vencidos armou um complô a fim de chegar a esse desiderato no menor prazo que lhes fosse possível. Começaram com a alegação de que o resultado do pleito presidencial se devera a apuração fraudulenta, como se isto fosse possível. Que não tinha havido fraude da Justiça Eleitoral provava incontestavelmente a total coincidência entre os números apresentados pelas Juntas de apuração e as pesquisas de boca de urna. Estas últimas disseram que a candidatura vencedora obtivera 52 ou 53 por cento dos votos, contra 48 ou 47 por cento do candidato perdedor. Foi exatamente o que os dados oficiais confirmaram. Nenhum fato se alegou perante as comissões apuradoras, constituídas, no Brasil inteiro, como se sabe, da forma mais rigorosamente imparcial e inatacável, inocorrrendo impugnações.
Mas os que queriam a qualquer custo ter o poder em suas mãos ilegitimamente demonstraram contar com forças extremamente poderosas para executar a sua trama. Em primeiro lugar, a ambição do vice-presidente Michel Temer, pertencente a um partido político de bancada numerosa, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. Político sem a mínima possibilidade de ganhar qualquer eleição majoritária, anticarismático, impopular, ganhara a vice-presidência de graça, pois ninguém votou nele: pelo sistema eleitoral brasileiro vota-se somente para Presidente. Já acontecera fato igual quando Itamar Franco, inteiramente inexpressivo, ascendeu na garupa de Fernando Collor em 1990.
A presidente da República chegou inclusive a escolher Temer para a articulação política junto aos partidos. Ela não percebeu a “temeridade”. O vice estava de olho na Presidência. Como os fatos vieram e estão a demonstrar com evidência total Ao lado das ambições temeristas, o PMDB, seu partido, que de há muito – desde a derrota de Ulysses Guimarães com apenas três por cento da votação em 1990 – não tem um só nome para disputar eleitoralmente a Presidência da República, viu a possibilidade de se unir ao PSDB e outros partidos doidos para monopolizar o poder. Primeira exigência dos tucanos: o compromisso de Temer de não ser candidato à reeleição em 2018. Doidinho pela única oportunidade em sua vida de se tornar Presidente da República, o medíocre Michel fez de imediato o compromisso. E aí está, antieticamente, a formar o “seu” governo. Um peemedebista goiano, por exemplo, já se anuncia escolhido para ser um dos assessores da Presidência…
(continua)
(Eurico Barbosa, escritor, membro da AGL e da Associação Nacional de Escritores, advogado, jornalista e escreve neste jornal às quartas e sextas-feiras – E-mail: [email protected])