Brasil

Brasileira usa molécula em formato de cruz e devolve o movimento a tetraplégicos

Redação Online

Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 11:18 | Atualizado há 5 meses

Um estudo conduzido no Brasil chamou a atenção ao mostrar avanços no tratamento de lesões na medula espinhal, condição que costuma deixar sequelas permanentes. A pesquisa é liderada pela bióloga Tatiana Sampaio e analisa os efeitos da laminina, uma molécula em formato de cruz, na recuperação dos movimentos. Em uso experimental, um paciente com tetraplegia voltou a apresentar movimentos nos membros, levantando a possibilidade de que pessoas com esse tipo de lesão possam recuperar parte da mobilidade.

A polilaminina é derivada da laminina, proteína fundamental da matriz extracelular a estrutura que envolve, sustenta e orienta as células no corpo humano. Sua principal característica é a organização tridimensional em forma de cruz, uma geometria que não é apenas visualmente marcante, mas funcional. Esse formato permite múltiplos pontos de ancoragem celular, favorecendo a comunicação entre células nervosas e criando um ambiente mais próximo daquele encontrado em tecidos saudáveis.

Durante décadas, a lesão da medula espinhal foi considerada irreversível. O tecido nervoso, ao sofrer um trauma, forma cicatrizes que bloqueiam a reconexão dos neurônios. A pesquisa liderada por Tatiana Sampaio parte de um princípio diferente: em vez de atuar apenas sobre as células, busca reorganizar o ambiente estrutural onde elas estão inseridas. A polilaminina, ao recriar uma matriz extracelular funcional, pode favorecer o crescimento de axônios extensões dos neurônios responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos.

Estudos clínicos demonstraram que a molécula em formato de cruz estimula a regeneração neural e a reorganização do tecido lesionado. Esses resultados abriram caminho para a aprovação de testes clínicos em humanos, um passo histórico para a ciência nacional. O medicamento experimental brasileiro passou a ser avaliado inicialmente em pacientes com lesão medular recente, com foco principal na segurança e tolerabilidade.

O bancário Bruno Drummond de Freitas, que ficou tetraplégico após um grave acidente de carro, viu sua vida mudar após participar de um estudo experimental com polilaminina, uma proteína extraída da placenta humana que está sendo investigada como tratamento para lesões na medula espinhal. Bruno relatou que, depois de acordar sem conseguir mover braços, pernas, quadril ou abdômen, começou a apresentar sinais de recuperação inicialmente mexendo o dedão do pé semanas após a aplicação da substância durante um procedimento cirúrgico, e com o tempo continuou evoluindo até recuperar mobilidade e, com reabilitação, voltar a andar e retomar atividades diárias.

A polilaminina, criada em laboratório com base na proteína laminina presente em abundância durante o desenvolvimento embrionário, forma uma malha tridimensional capaz de orientar os neurônios a restabelecer conexões interrompidas pela lesão na medula. A pesquisa é liderada pela bióloga Tatiana Sampaio na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e já apresentou resultados inéditos em humanos, abrindo caminho para testes clínicos regulares com a autorização de órgãos regulatórios. Embora ainda em fase experimental e não considerada uma cura definitiva, a recuperação de movimento de Bruno e outros pacientes representa um avanço promissor no estudo de terapias regenerativas para traumas medulares.

Ao imitar padrões naturais da biologia do desenvolvimento, a polilaminina atua como um “mapa” para as células, orientando crescimento, alinhamento e reconexão. Essa abordagem rompe com a lógica tradicional de tratamentos exclusivamente químicos e inaugura uma estratégia baseada na arquitetura da vida.

Tatiana que ainda é cedo para afirmar que a polilaminina faz paraplégicos voltarem a andar de forma plena e definitiva. A ciência exige tempo, testes controlados e validação rigorosa. Ainda assim, o avanço representa um marco: pela primeira vez, um medicamento brasileiro, chega à fase clínica com potencial real de modificar o prognóstico de lesões medulares.

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