Morre-se de aids e de câncer quem quer
Redação DM
Publicado em 18 de novembro de 2015 às 22:20 | Atualizado há 11 anosAlgumas questões interessantes e curiosas sobre saúde e medicina. É o que eu quero exaltar nesse modesto artigo. É uma constante nos congressos e encontros científicos o debate sobre as causas das doenças e os avanços dos meios diagnósticos. Hoje, nos encontramos já em um estágio tão alto de avanços nessas áreas, que ficamos a perguntar: o que de novo nos espera? Ao que parece, sobram por exemplo as terapias com célula tronco, a redução ou eliminação do fenômeno da rejeição ao transplante de órgãos, a terapia genética e progressos na área de oncologia (tratamento e prevenção de toda forma de câncer).
Uma área que também guarda muitos enigmas é a da Neurologia (Neurociências). Os acidentes vasculares cerebrais e o mal de Alzheimer são ainda doenças que desafiam a medicina no que se refere à prevenção e tratamento. Pelo cheiro dos estudos, o crânio humano guarda não só esse prodigioso órgão, o cérebro , mas outros mistérios para a eternidade. Pode ser que ele seja o recôndito e cofre também de nossa alma. Sendo mistério, só Deus para desvendá-lo. Essa é a diferença entre fé, mistério e Ciência. O que é cientifico se prova o que é místico se intui e acredita.
Sobre as causas de morte, as doenças e os recursos diagnósticos. Nos anos ou décadas de 1930 e 1940 se morria muito de doenças infectocontagiosas. A tuberculose nessa época era a nossa AIDS de hoje. Aliás, se morria muito mais de tuberculose naquela época do que por infecção do HIV neste século, que embora sem cura há pleno controle da doença. Outras doenças que matavam muito eram a cólera, o tifo e as viroses como varíola, o sarampo, a difteria e febre amarela.
Tais doenças são agora plenamente conhecidas quanto ao agentes etiológicos, modo de transmissão, tratamento e prevenção. Quando se fala em profilaxia das doenças infecciosas quase tudo se resume ao combate de vetores, saneamento em geral e campanhas vacinais. As vacinas e soros hoje são administrados assim que a criança nasce. Há um calendário vacinal muito rígido para as diversas doenças contagiosas. A varíola por exemplo é uma doença já extinta do planeta, a poliomielite está em fase de sê-lo. O grande foco das Ciências Médicas atualmente são as vacinas para Aids, dengue, malária , entre outras .
A dengue, embora tenham um pouco de culpa os governos na sua eterna incompetência com a saúde pública, tem muito também da participação dos brasileiros(as) com os desleixos da higiene pessoal, domiciliar e no destino com os descartes e lixos domésticos. A salvação pode ser a vacina anti-dengue que parece será aprovada e lançada brevemente.
Um ramo das doenças que mereceria mais atenção dos governantes e indústria farmacêutica é o das doenças degenerativas. Como exemplos, cito dois grupos: as doenças cardiovasculares e as doenças oncológicas (câncer). No que se refere a história desses dois grupos de doenças, fica a pergunta: se morria mais antes (1940) ou hoje, de doenças cardiovasculares? Percentualmente (%), é possível que o infarto e derrame cerebral matassem menos do que hoje. Isto porque as pessoas eram menos sedentárias, a alimentação era mais saudável e havia menos estresse. Agora temos alimentos muito insalubres, embora apetitosos, vida estressante, alto índice de sedentarismo, obesidade e pouca prevenção para as doenças que mais incapacitam e matam, o infarto e derrames cerebrais.
São doenças com alta mortalidade, e o que é pior, governos, laboratórios e as pessoas não se preocupam com prevenção. E para o setor farmacêutico as terapias paliativas, protéticas e curativas são fontes de lucros permanentes. A medicina sabe bem as causas de um infarto, de um derrame cerebral; mas, de preventivo o que existe é muito escasso e pouco recomendado para a população.
Na área de oncologia houve grandes avanços. Percentualmente (%) morria-se mais de câncer nos anos 1930/40, porque não conhecia muitos agentes etiológicos e genéticos e o tratamento era meramente paliativo e sintomático. Eu digo quase sempre como conselhos para as pessoas: morre-se de aids e de câncer quem quer. Para HIV há preservativos e câncer, prevenção. Hoje, 80% dos tipos de câncer é bem prevenível. Para tanto basta não fumar, não ser alcoólatra, combater a obesidade e sedentarismo, mínimo ou zero de alimentos industrializados (bacon, salsichas e carnes vermelhas) e check-ups periódicos conforme orientação médica.
Quais os tipos de câncer que mais matam no mundo? De mama, útero, colo de útero, intestino, de pulmão (99% no fumante), próstata e aparelho digestivo como um todo. Todos preveníveis e bem conhecidos. É recomendável que o homem, por exemplo, vá ao proctologista a cada cinco anos (câncer de intestino), ao urologista a cada dois anos; a mulher ao ginecologista e mastologista anualmente.
Enfim, a Medicina e seus meios diagnósticos e preventivos evoluíram no sentido de mostrar a cada pessoa os riscos que ela traz (de forma hereditária ou adquirida), e quais as chances que cada um tem de morrer dessa ou daquela doença. Simples, não? NOV/2015
(João Joaquim, médico, articulista DM – [email protected] -www.jjoaquim.blogspot.com)