Brasil

Natal, mentiras e hipocrisias

Redação DM

Publicado em 22 de dezembro de 2015 às 23:28 | Atualizado há 11 anos

Em primeiro lugar gostaria de desejar “Feliz Natal” a todos os leitores e, claro, leitoras deste matutino vanguardista, em especial ao misericordioso leitor assíduo que suporta os meus humores, falta de modéstia, erros e expectativas e, aproveito o ensejo, para responder aos “taizinhos” que, quando utilizo o tratamento “misericordioso leitor”, que se tornou um “cacoete” do autor, faço-o de maneira generalizada referindo-me, lógico, a todos os leitores de todos os sexos que, salvo me engane, são 11 e, como gosto do número 12, a minha torcida para que o número de “tendências sexuais” ou “comportamento sexual” aumente mais “um”, continua e, agora, quanto a acusação de algumas feministas de que sou machista porque só me dirijo ao “gênero masculino”, pelo amor das minhas filhinhas, façam-me um grandiosíssimo favor: vão plantar mandioca lá aonde Judas perdeu a última meia! Estou aqui, também, graças a Consuelo Nasser, uma das pessoas mais importantes da minha vida! Já até mencionei, e inúmeras vezes, que a minha admiração pelo “sexo feminino” tem fundamento teológico porque a mulher, segundo os relatos bíblicos de Gênesis, foi a última criação no planeta! Não consegui fazer jus ao título e, como sempre repito e tornou-se práxis, vou finalizar este primeiro parágrafo mencionando que os mestres ensinam que parágrafos longos, ou extensos, ainda mais em jornais, afugentam leitores.

Eu acho incrível que ateus, católicos, espíritas, evangélicos, umbandistas, enfim, pessoas de todas as religiões vivam propagando o amor, principalmente nestes dias natalinos. Luzes piscam, abraços e sorrisos em todos os lugares, crianças felizes com as expectativas dos presentes, parece até o céu se não fossem os bandidos, os políticos e a “morte”, claro. Todo mundo falando em amor daqui, amor de lá acolá só que um fato é certo. Se você começa a conversar com qualquer uma delas – menos com as crianças que já têm, garantida pelo Mestre, entrada “livre no “céu” – e sabendo conduzir a conversa, em menos de cinco minutos você estará vendo e ouvindo a pessoa dizer frases do tipo: “Não confio nem na minha sombra” ou, então: “Eu não confio em ninguém.” Confiar no cônjuge, com quem casei e jurei lealdade e devoção eternas, tanto que, como prova da aliança, do “casamento”, coloquei um anel no dedo da mão esquerda, do coração? Você está ficando biruta, lelé, louco Henrique? Só confio em Deus! É assim mesmo e o misericordioso leitor sabe disso, “ninguém confia em ninguém” e, como profetizado pelo ex-juiz e perseguidor de cristãos, que foi quem mais escreveu “cartas”, ou “livros” – 14 dos cerca de 60 livros da Bíblia – o “apóstolo que não conheceu pessoalmente o mestre”, Paulo, o “de Tarso”: “O amor da maioria se esfriará”, agora, eu pergunto: como pode haver amor e paz entre pessoas que dizem se amar, sem a confiança? E para aqueles que mencionam que está escrito: “Maldito o homem que confia no homem”, gostaria de lembrar que o texto encontra-se nas “Escrituras Hebraicas e Aramaicas”, conhecidas, simplesmente como “Velho Testamento”. A palavra “velho” não lhes diz nadinha? Jesus Cristo não veio para pregar o amor e a humildade “reformando” os mandamentos, as relações humanas e trazendo novos ensinamentos? “A quem te esbofetear um face, oferece a outra.”

Tenho lido muitos artigos sobre o Natal. Domingo, dia 20, na página dois deste Caderno, no topo, logo acima do meu artigo publicado sob o título: “Quem são os ‘culpados’ da minha loucura?”, foi publicado um artigo da professora Márcia Carvalho, sob o título: “Natal: ensinando a paz”. Ela escreveu:

“Ninguém havia se preparado para receber o salvador. Ninguém, exceto os estudiosos das Escrituras, aqueles que cultivavam o amor pelo conhecimento. Quem eram eles? Os Reis Magos. Foi o amor pelo conhecimento, com a leitura e a pesquisa incansável, que preparou o coração dos Reis Magos para receber o Menino Jesus, indicando a estrela que deveriam seguir para chegar até a estrabaria em Belém.”

A pedagoga, que é psicopedagoga também, toca no âmago da questão. Não progredimos no sentido espiritual porque não lemos, não estudamos, não pesquisamos “incansavelmente”. Escrevi três artigos sobre os Reis Magos. Afirmei que a Bíblia não os quantifica e as religiões orientais afirmam que eram doze. Foi um doutor pela Igreja Católica – o único inglês – chamado Bada quem criou, no sexto século, a fábula dos “Três Reis Magos” representando as “Três Raças”. Afirmei que acredito, piamente, que Jesus Cristo, assim como os seus pais foram conduzidos para o Egito na imensa caravana destes estudiosos. No artigo “Jesus vestido de menina?” provoquei a fúria de muitos líderes religiosos porque, utilizando-me da lamberdade de expressão, criei uma ficção aonde Jesus teria sido vestido e maquiado como menina, colocado num “moisés” em cima dum camelo entre dois jovens egípcios, tendo sido Maria e José, seus pais, “misturados” entre os escravos para não despertarem a desconfiança dos soldados romanos que degolavam todos os meninos com menos de dois anos de idade, por decreto do malucão, que gostava de cérebro de macaco, o incendiário Herodes. Nós já sabemos que Jesus Cristo não nasceu no dia vinte e cinco de dezembro e que o sincretismo é o motivo do fenômeno que substituiu as festas saturnais pelo natal. A Coca-Cola, sim, a poderosa empresa, também contribuiu significativamente para a evolução do fenômeno, que se transformou numa festança principalmente para os comerciantes. Rou, rou, rou. O velhinho, que substituiu o “Menino Jesus”, para muitas crianças inocentes, tem até as cores do logotipo da multinacional. Sim, é verdade, até a década de cinquenta ela continha a “poderosa” cocaína, mas, voltando, a professora Márcia Carvalho está coberta de razão. Somente os Reis Magos, através das suas pesquisas astronômicas, astrológicas, históricas, estavam preparados para proteger uma criança perfeita, cuja concepção, ocorrida, muito provavelmente, por inseminação artificial, haveria de receber alimentação diferenciada, educação esmerada, para tornar-se o que se tornou: um ser milagroso, ressuscitador, o primeiro a curar um cego de nascença.

A verdade é que, embora você encontre o “Novo Testamento”, ou seja: as “Escrituras Gregas Cristãs” até em motéis, pouquíssimas pessoas leram, ao menos, o “Sermão da Montanha”. Se Deus teve o “trabalho” e muitos mártires morreram para que o “Livro Sagrado” chegasse em nossas mãos – até porque a Bíblia é um manual do bom funcionamento do organismo mental e físico do homem, por que essa desfaçatez generalizada? A palavra “Deus” têm duas vogais que formam a palavra “eu”. Nós somos “deuses” também. Feitos a imagem e semelhança d’Ele. Se o “misericordioso leitor” afirma que confia só em Deus e não nas suas criaturas, se já foi traído, humilhado e até roubado por criaturas próximas, parentes, como eu fui a vida toda, nunca se esqueça da frase do Mestre: “Eu venci o mundo”. Até.

 

(Henrique Gonçalves Dias,jornalista)

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