Niemeyer reinterpretado pela inteligência artificial transforma ícones brasileiros
Léo Carvalho
Publicado em 16 de dezembro de 2025 às 11:43 | Atualizado há 6 meses
Análise da Adobe Firefly recria cinco monumentos nacionais como se tivessem sido concebidos no traço curvilíneo de Oscar Niemeyer, em alusão ao aniversário do arquiteto | Foto: IA Firefly
Nesta segunda-feira (15/12), data do aniversário de Oscar Niemeyer, uma experiência conduzida pela Adobe Firefly propôs um exercício de imaginação arquitetônica ao reinterpretar cinco dos principais ícones brasileiros como se tivessem sido criados pelo arquiteto modernista. Se estivesse vivo, Niemeyer completaria 117 anos em 2025.
A iniciativa utilizou diferentes modelos de inteligência artificial disponíveis na plataforma Firefly, entre eles FLUX Ultra Raw e Gemini Flash, para aplicar o chamado estilo niemeyeriano a construções amplamente reconhecidas no país. Foram recriados o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o Elevador Lacerda, em Salvador, o Teatro Amazonas, em Manaus, e a Ópera de Arame, em Curitiba.
Reconhecido internacionalmente pelo uso expressivo do concreto branco, pelas curvas livres e pela ausência de ângulos rígidos, Oscar Niemeyer deixou mais de 600 projetos no Brasil e no exterior. Entre suas obras mais emblemáticas estão o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto, a Catedral de Brasília, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, o MAC de Niterói e o Memorial da América Latina.
Para orientar os modelos de inteligência artificial, a Firefly utilizou descrições baseadas em estudos do Instituto e da Fundação Oscar Niemeyer, além de publicações acadêmicas que detalham características recorrentes de seu trabalho, como formas contínuas, integração com o espaço urbano e inspiração na paisagem natural.
No Cristo Redentor, originalmente concebido em estilo Art Déco por Heitor da Silva Costa e Paul Landowski, a IA substituiu a rigidez geométrica por superfícies curvas e contínuas em concreto branco. As dobras da túnica foram transformadas em ondas fluidas, conferindo à estátua um aspecto mais escultural.
No MASP, projetado por Lina Bo Bardi, a releitura manteve o contexto urbano da Avenida Paulista, mas reinterpretou o bloco suspenso como uma grande peça curva apoiada sobre pilotis delgados. O brutalismo angular deu lugar a uma estrutura contínua, como se o edifício tivesse sido moldado em uma única membrana.

O Elevador Lacerda, obra de Augusto Frederico de Lacerda e símbolo de Salvador, teve suas linhas verticais e ortogonais suavizadas. A torre ganhou volumes arredondados e transições fluidas, remetendo visualmente ao Museu de Arte Contemporânea de Niterói, enquanto o entorno histórico foi preservado.

No Teatro Amazonas, assinado por Celestial Sacardim e Crispim do Amaral, a cúpula colorida e a ornamentação clássica foram substituídas por uma cobertura curva em concreto branco e por um volume escultural contínuo, com amplas superfícies envidraçadas inspiradas no conjunto da Pampulha.

Já a Ópera de Arame, projetada por Domingos Bongestabs e conhecida por sua estrutura metálica e transparência, foi reinterpretada como um organismo fluido em concreto branco, com lajes curvas e pilotis finos. Elementos do entorno, como a ponte e o lago, foram mantidos intactos.
O experimento não altera a autoria nem o valor histórico das obras originais, mas propõe uma reflexão visual sobre como o vocabulário arquitetônico de Niemeyer poderia dialogar com diferentes épocas, estilos e contextos urbanos do Brasil.
