Brasil

O abrir da Porta da Misericórdia

Redação DM

Publicado em 22 de dezembro de 2016 às 01:01 | Atualizado há 10 anos

A Porta Santa da Basílica de São Pedro, no Vaticano, e, mais outras três Basílicas Maiores Papais, em Roma, foram fechadas em 20 de novembro, significando o término do Ano Santo da Misericórdia.

A mesma Porta Santa foi aberta, há um ano, em cerimônia realizada pelo papa Francisco que tocou – por três vezes – com seu báculo de pastor na porta que se abre e ele, entrando na Basílica de São Pedro, declara aberto o Ano Santo da Misericórdia. Misericórdia é um termo amplo que se refere à benevolência, perdão e bondade em uma variedade de contextos éticos, religiosos, sociais e legais. Tendo como lema os “Misericordiosos como o Pai”, o papa anima todos os cristãos a serem misericordiosos uns com os outros porque a misericórdia é a trave mestra que sustenta a vida da Igreja.

Francisco divulga uma “Bula” (documento oficial da Igreja Católica) intitulada “Misericordiae Vultus”– que significa a face da misericórdia – onde afirma: “Misericórdia não é uma palavra abstrata, mas um rosto para reconhecer, contemplar e servir. E assim o manifesta na Bula da Misericórdia com que convoca o Jubileu: “Jesus de Nazaré com a Sua palavra, seus gestos e toda a Sua pessoa revela a misericórdia de Deus, N’Ele não há nada em que falte compaixão.” A seguir acrescenta: “A Sua Pessoa não é outra coisa senão Amor, um amor que se doa e oferece gratuitamente, os sinais que realiza, sobretudo para com os pecadores, para com as pessoas pobres, excluídas, doentes e em sofrimento, levam consigo o distintivo da misericórdia.”

O mundo de hoje é muito carente da misericórdia. São inúmeros conflitos que se espalham pela Terra, com destruições, mortes de inocentes, carência de elementos básicos para a vida, prisões, assassinatos, lares divididos, crianças abandonadas e tantas outras misérias presentes. O papa nos apela: “Redescubramos as obras de misericórdia corporais: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos doentes, visitar os presos, enterrar os mortos. E não esqueçamos as obras de misericórdia espirituais: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, corrigir aqueles que erram e consolar os tristes, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas, rezar a Deus pelos vivos e defuntos. O perdão é uma força que ressuscita para uma vida nova e infunde a valentia para olhar o futuro com esperança”. (“Bula Misericordiae Vultus”).

Ano Santo para Igreja vem da tradição judaico-cristã conforme consta no livro “Levítico”, capítulo 25, Antigo Testamento, quando os judeus consagravam ao Senhor, não trabalhavam a terra e viviam dos frutos que ela, espontaneamente, fornecia. Neste ano, também, todos os escravos eram libertos e toda terra voltava à posse do seu dono original. O costume passou a ser chamado Ano do Jubileu que deveria acontecer a cada 50 anos. A Igreja Católica continuou a celebrar o Ano Jubilar mas também instituiu o Ano Santo, a cada 25 anos, onde é concedido aos fiéis práticas espirituais extraordinárias com perdão dos pecados e indulgências, que são favores recebidos pela fé.

Ao fechar a Porta Santa da Basílica o papa afirma que é necessário prosseguir no intuito de fazer com que a misericórdia continue a prevalecer na Igreja e também na sociedade como um todo. Em um mundo egoísta, voltado para privilégios de poucos Ele afirma: “No mundo, isso toma a forma da busca exclusiva dos próprios interesses, dos prazeres e honras unidos à vontade de acumular riquezas, enquanto na vida dos cristãos se disfarça muitas vezes de hipocrisia e do mundano. Todas essas coisas são contrárias à misericórdia.”

O convite é para todas as pessoas de boa vontade: “Sede misericordiosos como o Pai do Céu é misericordioso.”

 

(Gil Barreto Ribeiro, professor emérito da PUC-Goiás; diretor editorial da Editora Espaço Acadêmico)

 

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