Brasil

O eleito e o eleitor

Redação DM

Publicado em 11 de março de 2017 às 02:38 | Atualizado há 9 anos

Sempre digo em minhas resenhas que a culpa do caos político em que o Brasil se encontra e, por conseguinte, o caos econômico é do eleitor, não do eleito. Afinal, é por culpa do eleitor que nomes como Jader Barbalho, Romero Jucá, Sarney, Renan e Lobão sempre estiveram no poder. O candidato é do povo: está a caça de votos e, por isto vive nas comunidades e sabe o que o povo sente e quer. Depois de eleito, vira as costas para o eleitor e cuida de interesses pessoais e de grupos dominantes. O povo não liga e continua depositando os votos no mesmo buraco negro. Mudar não é erro: Fui favorável ao Impeachmant como sou favorável à política econômica do atual governo. Mas sou totalmente oposto às práticas de Brasilia no afã de neutralizar a Lava jato, escola de cidadania e correção em que os brasileiros têm tido a oportunidade de aprender novas atitudes. É imperativo não pactuar com os estelionatos políticos.

Em Goiás o enxugamento da máquina administrativa, a meu ver, foi um engodo. Não houve enxugamento, mas mudanças de nomes. As velhas secretarias mudaram o nome para superintendências executivas, mantendo-se as mesmas práticas, oportunizando a criação super secretarias que abrigasse os inquilinos do poder. Como o povo não viu, ficou tudo bem. Agora, o governo pensa em recriar secretarias não porque precise delas administrativamente. Mas porque o jogo político das eleições vem se aproximando e faz-se necessário ter moeda de troca. Bem fez o PSB em recusar acomodar-se na secretaria de habitação, pois sabiam que em momento certo a fatura seria cobrada. Com esta atitude o partido mostra independência e não estar disposto a fazer o jogo do toma lá da cá, alinhando-se bem ou mal à vontade popular. Não ceder e nem aceitar cargo em troca de voto e apoio é a nova era da polítcia nacional. O partido ou o político que entender isto caminha na direção de reformar o sistema político dominante, pois caminhará com as novas gerações. Ponto para o PSB que sai na frente e atende a vontade popular.

No âmbito do município o PMDB entendeu isto. Iris Rezende, apesar dos anos na política, aceitou esta realidade e adota novas práticas. A mudança não émaléfica, se muda para o bem. E o prefeito tem pagado alto preço por não ceder às pressões. É perfeitamente compreensível que seja pressionado: são poucos os polítiicos eleitos com o entendimento de que chegou ao fim o fisiologismo político. Na administração municipal tem-se dado preferência ao conhecimento técnico e à capacidade muito mais que à política. Política faz-se nas eleições. Depois, dá-se trabalho que supere as adversidades visando o bem comum. Não o bem particular. Assim tem caminhado Goiania e os resultados começam a aparecer. Deixe de ouvir o que estão dizendo para atentar ao que está de fato acontecendo.

O eleitor perceber as motivações para as atitudes políticas faz toda diferença: compreender que uma atitude não se presta à perseguição, benefício próprio ou do grupo mas que atende ao interesse coletivo nos permite brindar a nova prática e torná-la corriqueira no cotidiano administrativo para que a sociedade avance como um todo, promovendo o bem estar social e permitindo oportinidades igualitárias a todos os administrados. Não há queridinho neste contexto, mas universalização de oportunidades. Este deve ser o objetivo primordial do gestor.

O plano nacional ainda tem nos envergonhado neste cenário. Não tem sido muito diferente no plano Estadual. Mas é inegável que há avanços e novas praticas se desenhando aqui e ali. Saber identificar os arautos desta mudança, separar o joio do trigo no momento da eleição, priorizar o coletivo ao individual e promover aqueles que se esforçam para fazer a diferença é que promoverá a mudança do Brasil. Isto será bom para o coletivo. Mas isto será bom também para os indivíduos. Por isto, épreciso ficar atento à política. Não se pode simplesmente dizer que não gosta dela. É preciso gostar e entender. Só assim saberemos fazer a diferença no único momento que temos para, como cidadão, determinar nosso futuro. Afinal, já é bem conhecido o ditado que diz: quem não gosta da política será sempre governado pelos que gostam. Você quer participar ou prefere continuar sendo dominado?

 

(Avelar Lopes de Viveiros – Cel RR PMGO)


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