O farol
Redação DM
Publicado em 21 de junho de 2017 às 02:49 | Atualizado há 9 anos
Ao final do Paseo del Prado, naquela tarde caribenha de Habana Vieja, a imensidão das mornas águas do Atlântico, se confundia com o céu no horizonte, que por um instante, tudo era mar, tudo era céu!
Um ocaso singular, ao som da algazarra de gaivotas e das ondas quebrando nas pedras vulcânicas e lodosas, do El Malecón, em mais um poético entardecer de Havana.
Na avenida beira-mar, anônimos caminhavam apressadamente ao longo do calçadão, outros, nem tanto. Cadeirantes, ciclistas, ao lado de Oldsmobile 1941, Chevrolet Bel-Air Sedan 1956, Buick Super 1953, alguns charmosos “coco-taxi” e cachorros vadios, que deixavam pelo caminho o indesejável “presente de grego”.
O bucolismo produzia crianças, jovens e idosos, que lançavam seus anzóis e suas iscas no farto mar, disputando modestos peixes com insaciáveis gaivotas. Outros, em seus rústicos barquinhos, que pareciam de brinquedos diante da imensidão do mar, arriscavam uma pescaria mais radical, mas, não menos romântica.
Os adeptos da Santeria, em seus trajes alvos como a neve, torço na cabeça, praticam seus rituais, contemplavam e no balanço suave das ondas, suas oferendas iam colorindo e poluindo a imensidão de sal.
Ainda tinham os que preferissem uma leitura sugestiva, sob o vento da maresia, folheando “O velho e o mar” do imortal Ernest Hemingway.
O Farol, já emitia seus primeiros raios de luz, num frenético giro de 360º, sinalizando ao mais distraído dos marujos, que a Ilha mais revolucionária do mundo, era a pedra no caminho do imperialismo e do capitalismo mundial. Imortalizada na luta do mais cubano dos argentinos, el comandante Che Guevara, que ainda vive no imaginário de um povo incansável e uma resistência hasta siempre!
(Marcos Manoel Ferreira, professor, pedagogo, historiador, escritor. pós-graduando em Docência do Ensino Superior. [email protected] e www.vozesdasenzala.blogspot.com.br)