Brasil

O Fundo do Poço da Educação Goiana

Redação DM

Publicado em 2 de novembro de 2015 às 21:56 | Atualizado há 11 anos

Nas últimas comemorações dos dias das bruxas (31 de outubro), foi publicitada uma matéria sobre o possível fim dos concursos estaduais para professores. Este fato se dará, a partir do momento que as instituições educacionais se tornarem responsabilidades das Os (organizações sociais). Pois bem, enquanto cidadão goiano e professor (não concursado) não posso deixar de expressar aqui minha argumentação sobre este tema macabro e fantasmagórico para os discentes, docentes e toda a população goiana. Ocorrendo a concretização deste fato, acredito que, estamos caminhando a passos largos para o fim da educação formal em nosso Estado, pois, transferir as responsabilidades que permeiam a educação para as Os é simplesmente chegar ao fundo do poço e decretar de maneira escancarada que a educação e os profissionais que nela atuam não detém valor algum para o governo de nosso Estado, (não estou reduzindo somente ao governo vigente), sendo assim, considero essas ações como o FIM DA EDUCAÇÃO. Tais medidas que estão sendo tomadas, se equivalem, a um crime hediondo com requintes de crueldade com a educação e com toda a população goiana. Quando busco adjetivos para entender esta ação me deparo com: leviana, inconsequente, mercadológica, interesseira e nefasta entre uma serie de adjetivos que aqui não posso mencionar, (deixem a imaginação lhes guiarem). Para trilhar argumentações sobre esta barbárie que está preste a se acomodar no nosso sistema educacional acredito que seja necessário tencionarmos nossas análises para a situação atual que o nosso sistema educacional se encontra. Não é novidade alguma que, as intenções do nosso sistema educacional atuam são direcionadas por anseios neoliberais, para a manutenção do sistema do capital e caminham de mãos dadas com a avidez da classe dominante, além é claro, de seguir com as perspectivas excludentes e meritocráticas que o mercado impõem, ou seja, a preocupação central do nosso sistema educacional é a formação de mão de obra que mantenham a ordem “natural” da organicidade do Estado e não a emancipação crítica dos indivíduos. Um outro fator que nosso sistema educacional se embasa é em uma educação dualista (escola pra filhos de ricos e escola para filhos de pobre). Esta educação dualista é um problema nas estruturas do sistema educacional e não é um marcador social exclusivo do nosso Estado, ressaltamos que, a educação nestes moldes ainda se posiciona como uma patologia no nosso meio social, pois, no momento que existem distinções entre direcionamentos das formas educacionais embasadas pela situação socioeconômica dos indivíduos estamos contribuindo e reforçando para a exclusão dos indivíduos que não são originários de famílias abastadas financeiramente. Além destas diretrizes citadas que regem o sistema educacional podemos evidenciar também os problemas que permeiam o currículo base da educação, a formação dos professores, as estruturas institucionais a valorização dos profissionais da educação entre outros, estes problemas aqui mencionados não serão supridos simplesmente terceirizando a educação goiana, pois, um dos argumentos empregados para justificar essa desgraça educacional é uma suposto benefício na formação de parceiras entre público e privado, a militarização de instituições educacionais nos servem de exemplos, onde em algumas instituições que passaram por estes processos é cobrada uma taxa de permanência e as vagas são divididas entre filhos de militares e filhos de civis ( não entrarei neste momento nas questões pedagógicas destas instituições militares). Os indicadores de uma educação de qualidade não podem ser inferidos somente por números e alcance de índices, não deve-se mediar a qualidade da educação a partir do alcance de metas (alcançar metas é próprio de empresas e não da educação), a educação deve-se preocupar no auxílio na formação de criticidade dos indivíduos forma-los de maneira unilateral. A educação nestes moldes supracitados já nos assola a anos não necessitamos de ações que irão acentuar essas formas de exclusão social, necessitamos de ações que contribuíram para melhorias sociais efetivas e não paliativas, deve-se romper com estas perspectivas educacionais embasadas no mercado e para o mercado. Esta ações propostas pelo Estado irão refletir de forma acentuada em todos os campos da vida social, perpassando por uma continuidade de exclusões até chegarem nos cursos de licenciaturas espalhados por todas as Universidades instaladas em nosso território, pois se não há concursos a procura que já é baixa por estes cursos terão um decréscimo considerável, isto é claro em minha visão. A educação deve ser tratada com respeito e dignidade e não com discursos demagógicos, interesseiros, persuasivos e politiqueiros. Para se falar em educação e sobre educação necessita-se de compreensão do seu real sentido, não estou colocando-me em uma posição de “grande entendedor” sobre educação falo de um lugar especifico que de certa forma me credita a falar sobre a mesma, falo da posição enquanto professor (NÃO CONCURSADO) e não falo em nome de todos os profissionais da educação. Para finalizar acredito que seria necessário a exposição para toda a sociedade civil dos nomes dos profissionais que entenderam que a terceirização da educação é benéfico para a sociedade acarretando assim uma justificativa plausível e que seja compreensiva para todos os cidadãos goianos.

 

(Flávio Henrique ( Professor) [email protected])

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