O futebol varzeano precisa de atenção
Redação DM
Publicado em 10 de novembro de 2015 às 22:46 | Atualizado há 11 anosO futebol é um esporte democrático, capaz de unir classes distantes do imaginário social. Um esporte que agrega valores e faz a sociedade se aproximar por uma paixão chamada bola – talvez não valorizada durante uma partida de futebol, mas cobiçada por jogadores, principalmente pela garotada ávida por fazer valer o seu amor futebolístico.
Uma bola, por simples e barata que seja, é suficiente para alegrar uma turma de garotos da periferia. Para eles, é muito melhor que um play stadium da vida! Sem falar, como diz a minha namorada Elenice Soares, que é saudável porque a molecada gasta energia correndo atrás da “pelota”.
Investir em campos de futebol faz parte do cenário educativo de um país, sem falar que ajuda a diminuir a marginalidade e, consequentemente, evitar dissabores sociais, como o malfadado mundo das drogas. Incentivar a prática do futebol, principalmente nos bairros periféricos, contribui para diminuir o cenário da violência que tanto assola as principais cidades brasileiras.
Ocorre, porém, que os famosos campos de futebol de várzea estão perdendo espaço, com maior registro nas grandes cidades. Com a expansão urbana e a exploração imobiliária, praticamente não se encontra locais apropriados em terrenos baldios para a prática desse esporte popular. Essa é uma questão que precisa ser revista pelo poder público. Urgentemente. O futebol varzeano precisa, sim, de atenção.
Outro fato que chama a atenção é a exploração econômica do mercado do futebol. Empresários, ávidos por ganhar dinheiro, constroem campo de futebol soçaite e alugam, sendo uma alternativa para jogadores mais providos de recursos financeiros (não quero aqui criticar esta iniciativa, mas reivindicar uma maior atenção para os campos populares, ou seu, os campos de várzea).
O futebol de várzea é à base do futebol profissional. A primeira partida disputada no Brasil e organizada por Charles Miller foi numa várzea enlameada na capital paulista. Dos campos da periferia saíram inúmeros craques – se for citá-los aqui, esse artigo seria impublicável devido ao enorme tamanho que ficaria por conta da relação de jogadores famosos que iniciaram a prática do futebol em campo de terra batida.
Um belo exemplo é o lateral Cafu, capitão e pentacampeão mundial pela Seleção Brasileira em 2002. Antes de começar a carreira no São Paulo, em 1989, jogou futebol varzeano – tanto é que é querido na Vila Madalena, bairro periférico da capital paulista, onde morou. Cafu é recordista de jogos pela seleção, com 149 partidas, e defendeu o Brasil nas Copas de 1994, 1998, 2002 e 2006.
Como citei acima, investir em políticas de incentivo ao futebol varzeano é uma das saídas para se combater à criminalidade. Na cidade de Senador Canedo, onde moro, o prefeito Misael Oliveira, um desportista nato, tem investido na revitalização e expansão dos campos de futebol, o que tem merecido o aplauso da população do município.
Meses atrás, inclusive, foi entregue à população o campo sintético do Conjunto Morada do Morro, umas das referências do futebol varzeano da cidade. Por lá, mostram seu futebol jogadores desconhecidos, mas que alegram os torcedores, que sempre vão ao campo para assistir boas partidas de futebol. E o que é melhor: é de graça. Sem falar no prazer de rever os amigos de trocar ideias sobre vários assuntos, principalmente o mundo do futebol.
(Thiago Arruda é radialista e narrador esportivo, e-mail: [email protected])