Brasil

O governo disse! Você consegue

Redação DM

Publicado em 23 de março de 2016 às 00:14 | Atualizado há 10 anos

Defender a sociedade, perseguir bandidos, sustentar sua família, pagar todas suas despesas pessoais, lazer e educação com apenas um mil e quinhentos reais, parece impossível, mas o governo disse que você consegue.
Certas propostas parecem ironia, mas não é, até porque o propositor é pessoa de grande evidência e autoridade pública, restando aos ouvintes acreditar que tamanha façanha é realmente possível.
O tema nem precisaria ser discutido quando sabemos a que se destina. Contratar policiais a um valor bruto tão rídiculo e expô-lo a riscos muito maiores que seu soldo suportaria pagar é um verdadeiro desatino.
A falta de emprego, a crise econômica, a dificuldade em manter o sustento da família está evidente, mas sucatear a já tão sofrida segurança publica é desnecessário.
Argumentos técnicos não conseguem amenizar tamanho descalabro. Avalizar a abertura de concurso público para contratação de dois mil e quinhentos militares e quinhentos policiais civis com remuneração a R$ 1.500,00, afirmando que isto é o melhor que o Estado pode oferecer, é contradizer a publicidade, afinal a propaganda de nosso Estado induz a pensar que temos uma arrecadação forte e somos uma das forças policias mais bem remunerada do país.
Dizer que a proposta indecente fere direitos conquistados a duras batalhas, torna-se irrelevante. Criar uma quarta classe de ingresso com salário irrisório é diminuir o esforço da categoria por melhores salários, é tornar este novo combatente um objeto de manobra.
No afa de responder aos questionamentos e necessidades da sociedade por mais segurança, tiveram a brilhante ideia de criar um novo cargo, com um salário sucateado.
A árdua luta em combater a criminalidade requer a cada dia pessoas mais altruistas e verdadeiramente compromissadas com o próximo, mas aliada a tais requisitos, necessario se faz a contrapartida da boa e justa remuneração.
Ainda há que se considerar que o valor de um mil e quinhentos reais, segundo a promessa, é o inicial, mas que com um esforço a mais, e horas de completa dedicação à polícia, com a realização de intermináveis horas extra, será possível elevar este salário.
Esta afirmação é um contra senso, há que ser esclarecido que atualmente já existem inúmeros policiais se desdobrando em carga horária excessiva, na própria policia, para complementar a renda familiar e ajudar a minimizar, frente aos olhares da sociedade, a excassez de policiais.
Ora, se escala extra remunerada resolvesse a tão severa crise da segurança, parece obvio a solução. Há que esclarecer, pois a pouquissimos dias a verba destinada ao extraremunerado encontrava-se zerada, e repentinamente surge a afirmação que para estes novos três mil homens haverá retribuição.
A despeito de muitas outras justificativas, afirmo que nossa justa sociedade não merece ser lubibriada com tão horosa proposta e mais, nossos representantes politicos não merecem passar pelo constrangimento de verem seus preciosos nomes parlamentares manifestando o aval e o coluio com o governo.
Certos estamos de que é urgente e necessário uma política pública eficaz para conter o avanço da criminalidade, mas implantar uma quarta classe com um misero salario, é mais que exploração, é ofensa a honra, ao direito, ao policial e ao cidadão.

(Nataniel de Senna, cabo Senna é diretor jurídico da Unimil – União dos Militares do Estado de Goiás)


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