Brasil

O governo grátis e seus reflexos em Goiás

Redação DM

Publicado em 15 de março de 2016 às 00:13 | Atualizado há 10 anos

Desenvolvimento fácil simplesmente não existe. Qualquer governo que venda essa ideia se atrela à ilusão de que para satisfazer as demandas da sociedade desconsidera aquilo que toda dona de casa sabe no seu dia a dia: restrição orçamentária para suas ações.
O país que sustenta este tipo de política, de que é possível viver o paraíso na terra sem elevação da produtividade, faz parte da cultura política de muitos países latino-americanos. Falo do populismo, tão comum em países como Argentina, Venezuela e Brasil.
Não é por acaso que esses países vivem, hoje, a agonia da crise fiscal que tanto atormenta a vida de seus cidadãos com o fantasma do desemprego e a quebra de empresas estatais.
Na Venezuela de Hugo Chaves e Nicolás Maduro, os ganhos sociais foram financiados pela principal empresa do país que, hoje, vive em estado falimentar. Falo do Petróleo da Venezuela — PDVSA. Na Argentina de Perón e Kirchner, as constantes crises fiscais afetaram o desempenho da produtiva agricultura daquele país e suas estatais, assim, levando o governo de Cristina Kirchner à derrota para um dos principais representantes da direita daquele país: Mauricio Macri. No Brasil, creio não ser necessário explanar o que todo mundo sabe: que a crise da Petrobras e a redução irreal das tarifas de energia elétrica tanto abalaram o caixa das principais distribuidoras do país como também da Petrobras, com seus contratos superfaturados.
Quem retratou com precisão esse mundo de irrealidades foi o respeitado economista Paulo Rabello de Castro no seu mais recente livro O Mito do Governo Grátis. Doutor em economia pela prestigiada Universidade de Chicago, Paulo Rabello de Castro acerta no alvo ao definir o Governo Grátis como “aquele que promete distribuir vantagens e ganhos para todos, sem custos para ninguém; fenômeno político que está na raiz do declínio do vigor da economia brasileira e na estagnação de seu processo produtivo”.
A era do desenvolvimento fácil que sustenta o capitalismo sem risco, que enriqueceu empreiteiros e políticos corruptos, mostra, na atualidade, sua verdadeira fase. Não tenho dúvidas de que 2016 será um ano muito difícil ante o ajuste fiscal ao qual terá de se submeter a economia brasileira.
Levar as contas públicas brasileiras ao equilíbrio significará emagrecer o Estado via privatizações, corte de subsídios governamentais e o enfrentamento da questão previdenciária. O fantasma do desemprego assolará o país.
A crise da economia é um reflexo da crise política. Inserido nesse contexto de Governo Grátis, há mais de três décadas, Goiás vivenciou a depauperação e falência de inúmeras instituições que promoviam e financiavam seu desenvolvimento. Que o diga a extinção de seu Banco de Desenvolvimento (BD), do Banco do Estado de Goiás (BEG), da Caixego, privatização da Usina Hidroelétrica de Cachoeira Dourada e, a bola da vez, Celg.
Fica a lição: Governo Grátis não existe. Prova disso é o rombo nas contas públicas que financiou o desenvolvimento fácil que deixa sempre um alto preço a pagar. Vender a alma ao diabo traz um inferno cheio de privações para todos.

(Salatiel Correia é engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, do livro A Construção de Goiás)


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