O nefasto jeitinho brasileiro
Redação DM
Publicado em 15 de dezembro de 2015 às 22:30 | Atualizado há 11 anosA cerca de um mês foi lançada a campanha “Sem Jeitinho o Brasil tem Jeito”, da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo. O objetivo da campanha, que tem apoio da Metrobus, é reduzir fraudes nas utilizações do Cartão Fácil, uma vez que muitos usuários agem de má fé ao utilizarem o mesmo. Convém esclarecer que a tarifa no eixo anhanguera é subsidiada pelo governo do Estado, e o usuário só paga a metade da passagem. O jeitinho brasileiro é o que de pior existe no Brasil. Ele é usado para que gente de má índole tente se dar bem lesando ao próximo ou ao sistema. É comum ouvirmos pessoas criticando políticos destrutivamente, afirmando que são ladrões, corruptos e possuem mau caráter, entre outras definições. Mas, quando um “cidadão” tenta burlar o sistema furando uma fila (qualquer fila), ou tentando “pagar um café” ao guarda de trânsito na tentativa de evitar a multa por uma infração (mesmo confessando que a cometeu), ou pular a catraca no transporte coletivo e assim não pagar a passagem ou conseguir um atestado fraudulento pra faltar no serviço são exemplos clássicos do jeitinho brasileiro. Inicialmente ele surgiu de maneira positiva, como uma forma do povo se adaptar às dezenas de situações adversas ante as crises que o país sofreu. Porém, ele passou a ser usado com outros fins, para se conseguir vantagens pessoais, passando por cima das leis, carregando forte individualismo e ausência de consciência coletiva, que podem derivar para atos ilícitos e a tão mal falada corrupção.
Princípios éticos não só devem estar presente em todos nós, como também ser praticados em todos os lugares, em qualquer momento. Quem pratica o jeitinho brasileiro, na minha opinião, é tão errado quanto um político corrupto que rouba da saúde ou da educação; tão mau caráter quanto um ladrão que rouba o futuro do país. Esse mal interfere no direito do outro. Não está certo uma pessoa tentar furar a fila, com a costumeira desculpa de que está atrasado. Atitudes assim mostram a desorganização que atrapalha o progresso de todos nós. Em países como França, Irlanda, Inglaterra, Itália e Portugal, onde transportes públicos como ônibus e trens não possuem catraca ou contam, exclusivamente, com a responsabilidade e honestidade dos usuários para pagarem suas taxas de embarque. O próprio cidadão é o fiscal da lei, que coopera para que os serviços públicos sejam de qualidade pagando honestamente pelo uso. Só na região metropolitana de Goiânia, essa fraude custa mais de R$ 40 milhões de reais ao ano.
Quem age desonestamente não merece respeito. O pior é que nunca irão admitir que erraram, que são desonestos, preguiçosos, desorganizados. É mais fácil culpar quem não pode se defender: empresas, marcas, políticos, partidos do que admitir que cometem falhas. Isso não deveria fazer parte de nossa cultura. A saída seriam campanhas pra mostrar os bons exemplos, histórias de pessoas que devolvem dinheiro achado em locais públicos devem ser mais expostas, para que o brasileiro resgate a ética, a moralidade do respeito às leis e ao próximo.
(Fernando Henrique Freire Machado, gerente de suprimentos da Metrobus, pós- graduado em Marketing e Gestão de pessoas – secret. geral do PHS Goiânia)