Brasil

O Plano Real e a governabilidade do Estado brasileiro

Redação DM

Publicado em 12 de março de 2016 às 02:16 | Atualizado há 10 anos

Feito no curto governo do ex-presidente Itamar Franco – saudoso presidente – o único dos governantes pós Muda Brasil que devemos tirar o chapéu, pois, diferente dos planos Cruzado e Cruzado Novo dos governos Sarney e Collor de Melo, ele estabeleceu o Plano Real, condições de governabilidade, governabilidade esta perdida nas gestões perdulária anteriores, de inflação galopante. Nos outros, todo patrício atento, pôde e pode como testemunha ocular, atestar, o panorama mudou, mais foi para eles que passaram a ocupar o poder, contudo, o poder pelo poder, e, nunca o poder para o povo, consoante o significado da própria palavra democracia: demos = povo, cracia = governo do povo, portanto, foi instituído para restabelecer a condição de governabilidade perdida naqueles governos tempestivos mencionados.
Além da governabilidade, promover, também, distribuição de renda, como de fato, aconteceu nos governos seguintes de Fernando Henrique e Luiz Inácio da Silva, o Lula, neste, as despesas maiores do que as arrecadações acabaram anulando, ao final, seus benefícios, arrasando tudo, anulando os efeitos reais no governo Dilma, porquanto, a inflação, por natureza, faz o oposto, redistribui renda, às avessas, tira, sem querer querendo, dos mais pobres para os mais ricos, endinheirados. Oportuno salientar que o plano foi coordenado pelo ministro da Fazenda de Itamar Franco, Ricupero, ex-diretor da Organização Mundial do Comércio, assessorado por uma plêiade de doutos economistas, como, Pérsio Árida, Pedro Malan, André Lara Rezende, Gustavo Franco, Edmar Bacha, Clovis Carvalho e Winston Fritsch.
A iniciativa, na ocasião, vital para o país, bem demonstra o que pode fazer um governante, quando dotado de vontade soberana, determinação e senso comum. Em curto espaço de tempo, pouco mais de dois anos, enquanto os outros ficaram oito, adotou medida singular, porquanto, capaz de restaurar a economia, restabelecer o crescimento econômico. Coube a Fernando Henrique, ministro da Fazenda substituto de Ricupero, complementar sua implantação, cujo trabalho subsidiou sua própria candidatura e eleição a presidência da república. O ministro Ricupero, injuriado por figurões inimigos do plano real, no seu nascedouro, que acabou, na época, com a inflação e a gula dos malabaristas de plantão, deixou o ministério.
A inflação galopante de então constituía o xodó dos especuladores, pois favorecia toda sorte de especulação, induzia a poupança ilusória, que só rendia e rende, na atual crise, para banqueiros, agiotas, própria de maus governantes, como os dois primeiros do Muda Brasil, e os de agora, ambos, na atual conjuntura, recessiva, coligados de Lula, este, continua incisivo, jurando, como no mensalão, que, mesmo na presidência da república, nada sabia, do maior escândalo corruptivo do mundo, o “Petrolão” da operação Lava Jato, tamanha inocência, só em histórias da carochinha, ou conto de sereia.
A presidenta Dilma que acabou, na esteira de Lula, com a estabilidade restaurada pelo Plano Real, está, agora, colhendo a tempestade desencadeada pelo vento que semeou, em profusão, por todas as bandas. Alarmada, “xinga” de golpistas todos quantos estão a denunciar o estado de insolvência, recessão misturada com bandalheira, que, cercada de assessores subservientes, conduziu o país. Na atual conjuntura, além do atoleiro econômico, há a angustia, pesadelo, desencadeado pelo processo de impeachment. Este, em si, não resolve o problema, pois, a sua saída, coloca no poder outro inveterado lobo, seu vice, como na fábula de Esopo, a raposa e as uvas, não podendo alcançá-las, contemporiza, ainda estão verdes, espera o momento, espera infinita no temporal, face a cobiça instintiva, apaixonada, própria dos políticos da corrente, estirpe maquiavélica.
Por isto, você sociedade eleitora, para romper com a condição de burra de carga do estado, estado elefante e burra que carrega a carruagem idílica, apinhada de maus gestores públicos, a mesma do fausto, ou conto de fadas, da era do rei figura divina, destronado pelo Iluminismo, terá que sair da inação para a ação, transformar-se em espectadora engajada, construtora de sua própria história, história deste país, gigante pela própria natureza, mesmo esbulhado, por toda sorte de corruptos e corruptores, prospera, alimentando nossa esperança. Terá que participar da vida política da nação, impondo, um basta, em toda essa orgia pública, propugnando, como no parlamentarismo, pela dissolução dos poderes Legislativo e Executivo federal (presidência da República e Congresso) estaduais (Assembleias Legislativas e governadores).
Quanto aos municípios, eleições serão realizadas em outubro, porém, é preciso exigir da Justiça Eleitoral radical mudança nos pleitos: transparência, parcimônia, eleições limpas, no lugar de campanhas nababescas, voto subserviente-leniente, usarem as solas dos sapatos, o diálogo com a comunidade, conversando com os eleitores, enfim, converter a política em bom negócio para nossa gente, a que paga as contas, tributos, para sustentá-los no poder, poder para o povo, em detrimento do usual, na atualidade, poder pelo poder, a política como melhor negócio do mundo para eles, negócio da China, como se dizia antigamente.
Em virtude desse quadro dramático, política deletéria, a maioria da sociedade eleitora, contribuinte, passou a ficar descrente na democracia, como melhor forma de governo. Com efeito, o que eles, ocupantes do poder praticam, assemelham-se mais, a uma aristocracia moribunda, do que, a democracia estóica, tal qual, foi inventada e praticada. Se o propósito fosse assegurar melhoria de renda à população mais pobre, estaria administrando, com maestria, o plano real, assegurando sua estabilidade, o crescimento econômico, e, ao mesmo tempo, esmagando a inflação. Contrastando com isto, o que se observa é o ajuste fiscal em compasso de espera, enquanto dormitam, as despesas públicas crescem mais do que a arrecadação, este desequilíbrio de contas, torna mais custoso o próprio ajuste fiscal, aumento assustador da dívida pública interna, ora, aproximando-se dos três trilhões de reais.
O PIB, no lugar de subir, renitente, desce a rampa de marcha ré, pois, decresceu no último ano, mais 3,8%, inacreditável leitor, o mais nanico das Américas, drama nunca dantes visto em nossa economia. Dessa forma, há que insistir na imperiosa necessidade de, paralelamente, ao controle interno, constituído pelas instituições públicas, que só há pouco começaram, de fato, a funcionar, na criação do controle externo, constituído pela sociedade contribuinte, a que paga as despesas de tudo, neste país. Ambos funcionando, cutucando, com vara curta os eleitos, fundado na ordem erigida, todos os desafios angustiantes, que vem obstando o bom funcionamento da república, mascarando sua imagem interna e externa serão, aos poucos resolvidos, eliminados, alijando do poder todos seus inimigos viscerais.
Assim, o Plano Real passaria, de novo, a realizar o seu papel, assegurando governabilidade, redistribuindo, de forma diferente da Bolsa Família, migalha paternalista, eleitoreira, pão e circo dos romanos, renda, emancipação econômica, de milhões de patrícios de baixa renda. Baixa renda esta causada pela inflação galopante dos governos José Sarney, Collor de Melo, este, por confisco de poupança, Luiz Inácio da Silva, o Lula, e a presidenta Dilma, pela nova febre inflacionária corroendo todas as poupanças, aplicações, demagogicamente, induzidas por ambos, tanto em ações e fundos, da Petrobras como da Vale.
Você leitor, que votou neles e aplicou suas parcas economias naqueles fundos ou ações, veja, com seus próprios olhos, o que vale, hoje, sua poupança, se é que, ainda, existe alguma filigrana. A ingovernabilidade está aí presente, como testemunha ocular, de toda sorte de abusos, malabarismos, estripulias, praticadas pelo governo. Como dito, o Plano Real foi instituído para resgatar a governabilidade destruída e, redistribuir renda as classes menos favorecidas. Cabia, portanto, ao governo de ambos, tudo fazer, para mantê-lo afiado, em seu objetivo, mormente, o emancipador, mas, nem um, nem outro, cujos discursos, começavam e terminavam, em inclusão social, lutaram, com garra, para mantê-lo vigoroso, sublimando-o como instrumento salutar de política econômica…

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)


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