O que se viu e o que disseram
Redação DM
Publicado em 9 de setembro de 2016 às 01:44 | Atualizado há 10 anosAssistindo a diversos jornais de alcance nacional, pude ver cenas chocantes no protesto contra o impeachmant da agora expresidente Dilma Rousseff. Vi uma agência de banco sendo destruída, uma agência de motos, várias farmácias e até uma viatura da Polícia Civil de São Paulo. Vi homens mascarados, embora não entenda porque se escondiam. Vi mulheres também. Pude perceber, pelas vestimentas que trajavam que não eram pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, como os esquerdistas gostam de dizer. Não vi nem um policial depredando nada. Pelo contrário: o que vi foi um número insignificante de Policiais, diante da balbúrdia montada por baderneiros, tentando manter a ordem, a segurança e a incolumidade pública. Ah! Vi uma moça ferida que disse ter sido atingida por uma bala de borracha da PM, ou por um estilhaço de bomba de gás. Não tinha certeza do que era, mas sabia que era de um PM. Ela não disse, mas imaginei que poderia ser ainda uma pedra, um caco de vidro das diversas portas destruídas, ou de um pedaço de madeira, ou poderia ter sido uma cotovelada, ou um tombo, sei lá. Àquela altura poderia ser qualquer coisa. Também imaginei que poderia ter sido mesmo de um PM, mas que também poderia ser de qualquer outra pessoa. Tudo no meio do caos seria possível; e quem provoca o caos, sabe disto.
Terminada as cenas, a repórter informou solenemente que o Ministério Público havia requisitado, isto mesmo, o Parquete pode requisitar isto, que o Comando da PM investigasse os excessos cometidos por policiais. Tenho certeza que foram atendidos de pronto. A esta hora, inúmeros policiais devem estar, apesar de alocados pelo Estado para a manutenção da tão falada ordem pública, sendo perquiridos em processos administrativos, se não penais, por suas condutas pouco aceitáveis no controle da turba não exatamente ordeira naquele manifesto digno, tão afeito a principios legais. Isto não me surpreendeu. Afinal, foram 31 anos de minha vida vivenciando tais dilemas. Quantos como eu poderão dizer: Acabei a carreira, guardei a fé, como disse Paulo o apóstolo dos gentios? Certamente que Paulo, quanto eu, não nos referimos à fé no homem, pois este, aparentemente não anda merecendo confiança alguma.
O que me intriga é: sendo a polícia investigada por excesso, e a Polícia Civil não está isenta já que teve uma de suas viaturas destruida pela turba, a quem caberá investigar os vândalos que não se intimidaram com a vigilância solene e imparcial da mídia que a tudo filmava? Quem defenderá os interesses dos proprietários dos comércios destruídos, dos funcionários que não terão onde trabalhar, das pessoas que aguardavem ônibus, que vinham e voltavam de suas atividades diárias? Quem defenderá os interesses coletivos tão cabalmente afrontados com aquelas ações? As polícias por certo que não, já que se tornaram parte, envolvidas, culpadas de todo o desmando. Será que o Ministério Público? Porque a repórter ou seu editor julgaram importante informar que a polícia seria investigada pelos excessos, mas não julgou pertinente dizer que todo ato de vandalismo seria rigorosamente apurado no intuito de identificar e responsabilizar os culpados por atos de destruição ou por eventuais prejuizos causados a terceiros? Será que isto é irrelevante ou será que investigar a polícia tornou-se mais relevante? Sou capaz de dizer que nem um, nem outro. O que foi então?
Há um consciente coletivo construido ao longo do tempo, de que as forças policiais, ou qualquer instituição que represente o poder de punir, são danosas. Assim, o pai que pune o filho erra. O governo que multa, erra. A justiça que encarcera o criminoso erra. Todos estão errados, menos o que deu causa à punição. Este está exercendo seu direito, está se expressando, está sendo livre. Às favas com aqueles que têm seu direito ferido por querer andar na linha; não exercitam seus direitos. Será assim mesmo?
O fato de o Estado investigar os excessos de seus funcionários é rotina, não precisaria requerimento. Que ninguém pense que isto não acontece; basta visitar uma corregedoria. Concordo que esta obrigação não exime o MP de seu poder fiscalizador e até aplaudo sua ação. Mas não concordarei nunca que este controle institucional seja mais importante que a ordem social. Nem que mereça mais destaque que a repressão ao crime pura e simples como os que foram cometidos à luz do dia, com direito a filmagens em ângulos perfeitos. Esta postura que precisa, a meu ver, ser mudada. Devemos escolher de uma vez por todas qual a nossa postura. E isto não ocorrerá enquanto os editoriais não fizerem sua parte.
(Avelar Lopes de Viveiros, coronel RR da PMGO)