Brasil

Ocupação das escolas tem pouco a ver com alunos secundaristas

Redação DM

Publicado em 7 de janeiro de 2016 às 21:29 | Atualizado há 10 anos

Escolhem uma escola, convocam professores, pais, alunos, funcionários e toda comunidade contra as OSs e as escolas militares.

Bem estranho essas ocupações de escolas em Goiás nas últimas semanas. As escolas militares já existiam e foram expandidas. Elas são as primeiras no ranking de avaliações do governo federal. Existe uma grande demanda de alunos para as suas vagas. Quanto a gestão compartilhada, é um modelo que o governo de Goiás escolheu para testar, assim como, poderá ser escolhido outro, caso esse não tenha resultados satisfatórios. É simplesmente um estado que com coragem tenta encontrar um rumo para melhorar a qualidade da sua educação.

Desde o início acreditei que as ocupações são uma ação articulada por grupos ligados a partidos políticos e também alguns sindicatos que lhe dão apoio, inclusive as entidades que reúnem os secundaristas, aparelhadas por partidos, tudo isso, porque todas elas estão bem desgastadas perante a sociedade e então metamorfoseam de alunos secundaristas.

Estive no Colégio José Lobo no dia da sua ocupação e vi ações coordenadas de dirigentes da União Estadual dos Estudantes e União da Juventude Socialista (UJS) que no pátio da escola colocavam em execução o manual de ocupação para meia dúzia de alunos. Inclusive uma dirigente do movimento estava vestida com uniforme da escola, sendo ela universitária.

Não posso deixar de relatar que desde os primeiros protestos, também detectei apoio de alguns professores às ocupações, não pensando em uma melhor educação, mas sim no possível desgaste produzido pelo movimento.

Triste perceber que o que menos importa para os ocupantes das escolas é a melhoria da educação em Goiás. Em vez de ser um processo técnico virou na verdade um conflito ideológico. Uma tática que esses grupos costumam fazer com tudo que é implementado por quem não tem ligação com eles ou simplesmente para desgastar o atual governo.

Uma pena que há pessoas fazendo uso político das ocupações e as mesmas não tem a ver com as escolas. A grande maioria nem alunos são, entraram para dentro das escolas, conseguiram apoio de meia dúzia de alunos e em alguns locais proibiram até entrada do diretor. Tem muita gente se aproveitando do momento, dificultando um processo necessário que pode ter resultados positivos para o ensino público.

A secretária de educação professora Raquel Teixeira esteve numa escola de Anápolis para conversar com os ocupantes e foi proibida de entrar. Nesta quarta (06) alguns ocupantes de escolas da capital estiveram na sede da Secretaria de Educação gritando palavras de ordem numa manifestação desorganizada. A secretária de educação numa demonstração de disposição ao diálogo quis recebê-los, mas os mesmos disseram que não queriam dialogar e foram embora.

Como diria meu saudoso amigo gari Negro Jobs, afinal, o que queres Brutus?

 

(João B Peres Júnior, servidor público estadual, [email protected])

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