Brasil

Onde os hipócritas têm vez

Redação DM

Publicado em 1 de dezembro de 2015 às 23:07 | Atualizado há 11 anos

Continua repercutindo, na imprensa goiana e nas redes sociais, o caso de uma adolescente que apanhou do pai após publicar imagens onde ela aparece fazendo sexo.  O pai, insatisfeito, aplicou castigo na filha tendo esta, desta vez, divulgado fotos com os hematomas no corpo. Ressalte-se, a repercussão não foi em razão de uma suposta perplexidade em uma adolescente de 16 anos ter postado imagens suas fazendo sexo, mas, inacreditavelmente, as que mostram os hematomas provocados pelo castigo que recebeu do pai. Não tardou para que órgãos da imprensa se empenhassem em promover a exploração midiática expondo ao anátema moral e social o pai, um homem público, prefeito de uma cidade do interior de Goiás, rotulando-o de “machista” e de representante de uma cultura de violência do “homem que bate”. De ver-se, os oportunistas, os patrulheiros da moral alheia, não se preocuparam com o ato eventualmente inquinado de violência. Mas, imediatamente, passaram a promoverem o linchamento público do pai, atacando até mesmo o seu modo de vestir.

Não pretendo adentrar no mérito sobre o castigo corporal aplicado pelos pais aos filhos, como método de disciplina. De fato, é uma questão que gera muitas controvérsias, principalmente depois do advento da lei 13.010, de 26 de junho de 2014, conhecida como “Lei da Palmada”, que alterou dispositivos da lei 8.069/90, o Estatuto da Criança e do Adolescente. De acordo com o artigo 18-A, fica vedado o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medias socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protege-los. A lei considera castigo físico a ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a criança ou o adolescente. Essa lei ganhou repercussão quando ainda tramitava no Congresso Nacional porque foi defendida pela apresentadora Xuxa, um dos ícones da imbecilidade nacional que têm demonstrado grande capacidade de influenciar na produção legislativa em um Congresso repleto de caricaturas. Até hoje não se sabe qual a formação ou a experiência dessa senhora na construção do caráter e da personalidade de uma criança, ou o que ela entende de educação familiar. Para quem quiser saber um pouco sobre a sua incoerência, basta pesquisar na web que irá encontrá-la fazendo sexo com uma criança. A lei prevê que, em caso de ocorrência envolvendo agressão física, os pais devem ser submetidos à terapia, através de acompanhamento psicológico. Disso resultam dois fatos curiosos. Primeiro, os psicólogos não são unânimes em relação à utilização do recurso do castigo físico, evidentemente por meios moderados, quando se tratar de casos extremos onde o diálogo com a criança não surte efeito. Muitos psicólogos, inclusive, aplicam o castigo físico em seus filhos, ainda que em suas clínicas ou publicamente preguem o contrário. Segundo, de onde tiraram a conclusão de que o psicólogo é a pessoa mais acertada para resolver uma questão familiar? Com todo o respeito aos psicólogos, reconhecendo que muitos deles possuam, realmente, importância como profissionais, mas não é raro defrontarmos com psicólogos que possuem a família totalmente desestruturada. Eu conheço algumas psicólogas que têm sempre uma resposta pronta e perfeitinha para aplicar como terapia comportamental aos filhos dos outros, ao passo que vivem um terrível drama em suas casas sem saberem ao certo o que fazer em relação aos seus. Eu, particularmente, posiciono-me contrário à aplicação de castigos físicos aos filhos. Todavia, sou igualmente contra a intromissão invasiva no ambiente familiar, interferindo nas peculiaridades da vida alheia como se houvesse uma fórmula pronta e perfeita para ser aplicada na educação dos filhos. Nada é mais complexo e imprevisível que o ser humano. Ninguém está devidamente preparado, evoluído, nem é detentor da verdade a ponto de se achar no direito de invadir a família alheia para tentar impor o seu estilo, dando-lhe lição de moral. As pessoas que inundaram as redes sociais com xingamentos ao pai da adolescente que se expôs em cenas de sexo, não o fizeram preocupados com o bem-estar da moça nem por discordarem dos métodos do pai. Muitas se manifestaram porque trata-se de uma pessoa pública e o fizeram por maldade travestida de “relevante valor social”, dissimulados de sentimentos de “nobreza”; outros, destilaram seus ódios porque viram nesse episódio a projeção de suas vidas familiares, de seus ambientes domésticos. Ao agredirem e promoverem o massacre público daquele pai estavam, em verdade, reprimindo aquilo que eles próprios fazem em suas casas, com suas famílias. Agiram como pessoas perniciosas, perversas, cínicas e, principalmente, hipócritas. Qual é a fórmula perfeita para educar os filhos? Ninguém a tem. Com exceção dos absurdos, onde a ação de punir extrapola a racionalidade média, o que é prontamente reprovável, o melhor ambiente para a criação, construção do caráter e orientação, visando a educação dos filhos, é o lar. E quem melhor devem exercê-lo ainda são os pais. Ninguém deve se achar no direito e superiormente preparado a ponto de ter a audácia de dizer à outras famílias como devem se comportar. Se existem famílias onde a educação dos filhos é possível ser feita apenas com o diálogo, ótimo. Todavia, existem outras que não funcionam assim. E se são distintas é porque o ser humano é distinto, as peculiaridades são distintas, intrínsecas à cada situação, à cada realidade. Situações distintas, métodos distintos. E isso deve ser respeitado.

A sordidez com que foi tratado esse episódio, tanto por uma parcela da sociedade quanto por alguns profissionais da mídia sensacionalista, foi tão grande que não se limitou à exposição e xingamentos contra o pai da adolescente. Rapidamente, as vitimistas, demagogas e oportunistas, passaram a referir à uma questão estritamente familiar como sendo “mais um caso de violência contra a mulher”. Houve uma jornalista que fez referências até mesmo às vestimentas do autor do castigo, insatisfeita por ele ter ido à redação do jornal usando chapéu e roupas de vaqueiro, representando, segundo ela, o típico “macho goiano”. Ora, quanto absurdo! Esse pai nem deveria, se não quisesse, ter de comparecer a um jornal para dar explicações sobre questões estritamente familiares. Depois, qual o problema com o modo que as pessoas se vestem? Desde quando a redação ou o estúdio de televisão é lugar para exigir que as pessoas que lá vão dar entrevistas devam se vestir como se fossem a um grande evento? O que há de errado em uma pessoa ter hábitos e estilo que o remetam às suas origens ligadas ao campo? Afinal, o jornalismo goiano não é a personificação do caipirismo e do provincianismo? Para constatar isso, basta olhar os jornais diários e ligar a televisão nos canais locais.

Por outro lado, surgem as feministas esbravejando e referindo-se ao caso como “violência contra a mulher”. Quanta falta de respeito. A questão toda é o estereótipo do macho. Existe no Brasil, dissimulado de “feminismo”, uma nefasta misandria. Há um ódio sexista contra qualquer resquício de sinais que remetam ao homem hetero, mesmo que seja disso que a maioria das mulheres mais sentem falta. Quando a polícia prendeu em Goiânia (GO) um “serial killer”, responsável pela morte de dezenas de mulheres, o caso foi muito explorado como “violência contra a mulher” ou, ainda, como sendo “mulheres vítimas de homicídio” em razão de uma “sociedade patriarcal”. À época, eu antecipei, em artigo meu, que muitas mulheres iriam procurá-lo na prisão porque ele as atrai sexualmente. O vaticínio se confirmou e atualmente, no presídio onde ele se encontra, dezenas de mulheres tentam ter encontro com o maníaco para realizarem suas fantasias sexuais, muitas delas são as mesmas que o chamavam de “monstro” e que ele deveria ser condenado à morte. Diziam isso apenas publicamente. No recôndito de seus imaginários o que desejam, realmente, é tê-lo na cama. Em dia de audiência na justiça a sala fica lotada, principalmente de mulheres, para vê-lo a pretexto de estarem lá para “aprendizado jurídico”.

Retornando ao caso do castigo que o pai deu à filha, um dos maiores problemas é o dele ostentar o biotipo do homem macho, hétero. Se fossem agressões decorrentes de briga entre duas bichinhas ou de uma sapata surrando a companheira, como ocorre frequentemente, o caso não seria, sequer, noticiado. Seria algo “natural”. Aliás, as feministas, gays e gayzistas adoram manipular dados sobre a violência, principalmente as estatísticas, para se vitimizarem e demonizarem o homem (hétero, claro!). Tanto é assim que, quando elas brigam entre si e se agridem ou se matam, as ocorrências policiais, quando são feitas, são contabilizadas, para efeitos de estatísticas, como casos de homofobia e violência de gênero, deixando subentendido, sorrateiramente, que são vítimas do “machismo”.

 

(Manoel L. Bezerra Rocha, advogado criminalista – [email protected])

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